Crianças e adolescentes estão no final da fila para a vacinação

Pediatra comenta sobre vacinas contra o coronavírus para o público infantil e a queda da imunização contra outras doenças

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Os índices de vacinação no país vêm caindo nos últimos anos. (Foto: Bruna Scheifler/ON)Os índices de vacinação no país vêm caindo nos últimos anos. (Foto: Bruna Scheifler/ON)
Os índices de vacinação no país vêm caindo nos últimos anos. (Foto: Bruna Scheifler/ON)
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Enquanto as primeiras vacinas chegam ao país e os grupos prioritários são vacinados, a população em geral se pergunta quanto tempo irá aguardar pela sua vez. Lá no final da fila estão as crianças e adolescentes. Sem apresentarem a forma grave da doença, eles não são considerados prioridade neste momento. Além disso, ainda não foram incluídos nos testes clínicos. 

 “Os estudos de todas as vacinas foram feitos com pessoas de 18 a 60 anos, uma ou outra fez estudos com pessoas de idade mais avançada. Na primeira fase de estudos não foram incluídas crianças, até porque é um grupo de risco menor. É assim com todos os medicamentos”, explica o pediatra e professor da IMED e UPF, Arnaldo Carlos Porto Neto.

Quem irá se vacinar com antecedência são os professores da rede básica, para que a volta às aulas presenciais possa ocorrer de forma segura. "Crianças estão no final da fila porque é muito raro a criança ter uma complicação para o coronavírus. É uma entre milhões, comparado com os outros é um grupo pequeno. Elas são mais portadoras do vírus, mas elas têm uma proteção maior, conseguem se defender", ressalta o especialista.

Em Passo Fundo, o caso de um adolescente acusado de furar a fila da vacinação, chamou a atenção. Como os testes ainda não foram realizados com esse público, os médicos ainda não sabem se isso pode causar complicações. Devido às tecnologias empregadas no desenvolvimento dessas vacinas, Arnaldo, que é Membro do Comitê Cientifico Nacional de Alergia e Imunologia da Sociedade de Brasileira de Pediatra (SBP) e do Comitê de Alergia, Imunologia e Reumatologia da SPRS, acredita que elas não trarão complicações. "Mas se não tem estudos, não tem resposta ainda. Acho que em um ano vamos ter algumas respostas", destaca o médico.

Imunização

Enquanto a vacina contra o coronavírus é aguardada, os índices de vacinação no país vêm caindo nos últimos anos. Em 2019, o país não atingiu as metas de nenhuma das principais vacinas pela primeira vez no século, conforme levantamento da Folha de São Paulo. Em Passo Fundo, a cobertura vacinal contra a poliomielite passou de 92,9% em 2019 para 89,3% no ano passado, conforme o Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações. "É um problema. Devido a fake news que existem há anos de que a vacina transmite doenças, isso é um absurdo", enfatiza o pediatra.

Sobre esses boatos, ele é objetivo: "São bobagens que foram criadas na década de 60, 80 por um grupo de pessoas que não querem vacinar os filhos, agora tem uma ideia maluca que vão colocar uma vacina e o cara vai ficar chipado. Isso é um absurdo, obviamente que não", ressalta o médico. O impacto da vacinação foi sentido no cotidiano ao longo das últimas décadas, junto com os antibióticos, elas são apontadas como a maior causa para a diminuição da mortalidade infantil. “Eu sou dessa época em que crianças morriam de paralisia infantil. Sarampo também não é uma doença tão benigna quanto a população imagina, causa complicações”, lembra o médico sobre a doença que vive uma epidemia no Brasil e que, em sua opinião, não deveria existir mais.

Dr. Arnaldo é professor universitário e Membro do Comitê Cientifico Nacional de Alergia e Imunologia da Sociedade de Brasileira de Pediatra (SBP)


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