Criança com TEA que não desenvolveu a fala requer maior atenção

Segundo especialistas, é importante o acesso a terapias para ajudar no desenvolvimento da comunicação

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O acesso a terapias é fundamental para estimular e ampliar as formas de comunicação - Foto: DivulgaçãoO acesso a terapias é fundamental para estimular e ampliar as formas de comunicação - Foto: Divulgação
O acesso a terapias é fundamental para estimular e ampliar as formas de comunicação - Foto: Divulgação
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Casos recentes que ganharam repercussão nacional reacenderam o alerta sobre os cuidados com crianças autistas não verbais. O menino Brenno, que caiu de um prédio, e a menina Alice, encontrada perdida na mata, ambos com 4 anos, são autistas e não utilizam a fala como forma de comunicação. As situações evidenciam a necessidade de acompanhamento contínuo e de estratégias específicas de cuidado.

De acordo com o neurologista Cassiano Forcelini, crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que não falam apresentam, em geral, maiores dificuldades e demandam atenção redobrada. Ele explica que o prejuízo de linguagem nesses casos é significativo e que não há como prever se a criança desenvolverá a fala ao longo do tempo.

“Em alguns casos as crianças melhoram com terapias, em outros não. Não temos como saber se uma criança vai ou não começar a falar, mas a fala não é o único comprometimento”, afirma.

Segundo o neurologista, mesmo quando a fala não se desenvolve, isso não significa ausência de comunicação. Muitas crianças conseguem se expressar por gestos ou manifestações físicas. Ainda assim, a limitação pode trazer riscos, especialmente em situações de perigo.

“Às vezes as crianças podem não falar, mas podem expressar de forma física, por gestos, o que querem. Mas mesmo crianças com autismo que falam podem não ter a capacidade de se comunicar adequadamente para que possam expressar ou usar a linguagem para resolver a situação em que se encontram”, destaca.

Forcelini ressalta que o acesso a terapias definidas por uma equipe multidisciplinar é fundamental para estimular o desenvolvimento e ampliar as formas de comunicação.

Desafio diário

A presidente da Associação dos Amigos dos Autistas de Passo Fundo (AUMA), Sálua Yones, convive há quase três décadas com o desafio. Mãe de um autista não verbal de 29 anos, nível 3 de suporte — que demanda maior apoio —, ela enfatiza que a convivência exige adaptação constante e aprendizado contínuo.

Segundo Sálua, cada nível do espectro apresenta limitações e necessidades específicas, que podem envolver questões sensoriais, auditivas, sociais ou alimentares. O suporte no dia a dia é essencial.

“Cada nível tem suas limitações, suas dificuldades, sejam elas sensoriais, auditivas, sociais ou alimentares. Esses autistas precisam de apoio, precisam de terapia, e somos nós, os cuidadores e quem convive com eles, que precisamos dar esse suporte no dia a dia”, afirma.

Ela destaca que, no caso do autista não verbal, o maior desafio está na comunicação. É preciso encontrar caminhos alternativos para que haja compreensão mútua entre a pessoa com TEA e quem está ao seu redor.

“Precisamos achar uma outra forma de comunicação que o autista consiga compreender e que o cuidador e quem convive com ele também consiga aprender para que se entendam”, ressalta.

Atenção constante

Assim como qualquer criança, pessoas com TEA podem agir com rapidez e impulsividade. Sálua observa que muitos não têm noção de perigo e podem surpreender com atitudes que os coloquem em risco, o que torna indispensável o acompanhamento constante.

Nesse contexto, além da vigilância diária, as terapias exercem papel central. Para os autistas não verbais, ela reforça que o atendimento com fonoaudiólogo é fundamental para estimular a comunicação e ampliar as possibilidades de interação.

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