Passo Fundo apresenta um cenário mais tranquilo em relação à dengue nos três primeiros meses de 2026. O município contabiliza apenas três casos confirmados da doença, número 12 vezes menor do que no mesmo período de 2025, quando foram registrados 36 casos. Em 2024, o cenário era ainda mais crítico, com 352 confirmações.
Além dos casos confirmados, o município soma 286 notificações e 66 casos em investigação neste ano. Dos três registros positivos, dois são autóctones — ou seja, contraídos dentro da própria cidade —, distribuídos em bairros distintos, sem concentração em uma única região.
De acordo com a chefe do Núcleo de Vigilância Ambiental, Ivânia Silvestrin, a redução é resultado de um esforço coletivo. “Neste ano, a gente está com três casos confirmados, sendo que dois foram contraídos dentro do município, em bairros aleatórios. A diminuição considerável desses casos é fruto de muito trabalho da prefeitura, da vigilância e da população também”, afirma.
Ações preventivas
Conforme Ivânia, a adesão da comunidade às orientações tem sido fundamental no combate ao mosquito transmissor. A eliminação de água parada segue sendo a principal medida preventiva.
“A população tem recebido os agentes de combate às endemias e aceitado mais facilmente as orientações em relação à eliminação de criadouros. A dengue é uma doença prevenível e fácil de prevenir. Se cada um revisar o seu pátio e eliminar a água parada, com certeza vamos diminuir a proliferação do mosquito”, destaca.
O município também intensificou as ações de monitoramento e controle. Entre as medidas adotadas estão a instalação de armadilhas para mapear a presença do mosquito e direcionar as ações por bairro, além da aplicação de inseticida em pontos estratégicos.
“Só em 2026, já aplicamos a borrifação residual em mais de 200 pontos da cidade, especialmente em locais com maior circulação de pessoas. Isso auxilia na diminuição da fêmea adulta do mosquito, reduzindo também a reprodução”, explica.
Segundo ela, o trabalho é contínuo ao longo de todo o ano. “A gente não relaxa em nenhum momento essas medidas preventivas. Seguimos contando com a colaboração de todos para que tenhamos poucos casos e nenhum óbito por uma doença que é totalmente prevenível”, reforça.
Estado apresenta queda
A redução nos casos de dengue não se limita a Passo Fundo. No Rio Grande do Sul, o número de confirmações também caiu significativamente em 2026. Até o momento, o estado registra 405 casos nos três primeiros meses do ano, contra 7.040 no mesmo período de 2025 — uma queda de aproximadamente 17 vezes.
Apesar do cenário mais controlado, as autoridades de saúde alertam para a necessidade de manter os cuidados durante todo o ano, especialmente com a eliminação de criadouros do mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da doença.
Testes rápidos e monitoramento
Em relação à testagem, o Ministério da Saúde distribuiu testes rápidos para detecção do antígeno NS1 de dengue aos estados em 2025 e 2026, seguindo critérios técnicos. No entanto, esses exames não estão disponíveis de forma universal em todas as unidades básicas de saúde.
Uma portaria publicada em março deste ano passou a permitir o registro desses testes nos sistemas oficiais do SUS, o que aprimora o monitoramento epidemiológico. A medida não representa a ampliação imediata da oferta, mas qualifica o acompanhamento dos casos.
Em Passo Fundo, a Secretaria Municipal de Saúde já realiza a aquisição de testes desde 2023. Mesmo assim, o exame rápido é considerado de triagem e pode exigir confirmação laboratorial, além de não descartar a doença em caso de resultado negativo.



