As regras para a doação de sangue no Brasil mudaram. Em vigor desde a última quinta-feira (1º), a nova portaria do Ministério da Saúde reduz prazos de impedimento temporário e amplia as possibilidades para que mais pessoas possam contribuir com os estoques dos hemocentros.
Menos tempo de espera
Segundo a coordenadora de Captação de Doadores do Hemopasso, Alexandra Mazzoca, o período de espera, que anteriormente variava de seis meses a um ano, passou para sete dias quando o procedimento foi realizado em local com alvará sanitário regularizado. Sem essa comprovação, o prazo é de quatro meses. “Essa é uma redução bastante significativa, bastante importante”, destaca Alexandra.
Para quem possui piercing na boca ou na região genital, a doação passa a ser permitida quatro meses após a retirada do acessório. O mesmo período vale para pessoas que fizeram endoscopia ou utilizaram anabolizantes sem prescrição médica. Antes, nesses casos, a espera era de seis meses.
Outra mudança destacada pela coordenadora envolve procedimentos estéticos, que passam a ter prazo de impedimento de seis meses. Já para resfriados comuns, o período de impedimento foi reduzido de sete para três dias após o desaparecimento dos sintomas.
Viagens e doenças
Também houve redução no prazo para quem esteve em áreas de malária ou regiões de mata. Antes, era necessário esperar 12 meses para realizar uma nova doação. Agora, o período passou para 30 dias, devido à possibilidade de realização de testes para malária. “Com isso, a gente acredita que vai recuperar bastante doadores”, afirma Alexandra.
A nova regulamentação também revisou critérios relacionados a doenças e medicamentos. Segundo Alexandra, algumas condições que anteriormente impediam a doação passaram a ser avaliadas individualmente.
Um exemplo é a tireoidite de Hashimoto, doença autoimune da tireoide, que deixou de ser um impedimento definitivo. “Se você teve um impedimento anos atrás, entre em contato conosco, verifique a sua condição e veja se pode voltar a ser um doador”, orienta.
A hipertensão, por sua vez, não é, por si só, um impedimento para doar sangue. A possibilidade depende da avaliação clínica e dos medicamentos utilizados pelo paciente.
Doadores com mais de 70 anos
Outra mudança permite que pessoas com 70 anos ou mais voltem a doar sangue. Pela regra anterior, essa faixa etária estava impedida de realizar a doação. Agora, a idade deixou de ser uma barreira, desde que o doador esteja saudável e seja considerado apto após avaliação clínica.
Alexandra afirma que o Hemopasso já possui doadores nessa faixa etária que poderão retornar. “Nós temos vários doadores que têm uma saúde perfeita e que estão muito felizes com essa nova portaria, porque vão poder voltar a doar”, relata.
A frequência e o intervalo entre as doações serão definidos pelo profissional responsável, de acordo com as condições de saúde de cada pessoa.
Estoques em situação crítica
Apesar da ampliação dos critérios, o Hemopasso enfrenta atualmente uma situação de alerta nos estoques. Conforme Alexandra, os tipos sanguíneos O positivo, O negativo e A positivo estão em nível crítico.
A situação do A positivo é considerada atípica pela coordenadora, já que o tipo sanguíneo não costuma aparecer entre os estoques mais baixos. A proximidade das festas de fim de ano também aumenta a preocupação com a manutenção das reservas.
Para tentar mobilizar novos doadores, o Hemopasso prepara para esta sexta-feira (9) a campanha “Clássico da Vida”, que pretende envolver torcedores da Dupla Gre-Nal em uma mobilização pela doação de sangue.
Quem pode doar
Apesar das mudanças, os critérios gerais permanecem. Podem doar pessoas a partir dos 18 anos ou com 16 e 17 anos, mediante autorização formal dos responsáveis, com peso mínimo de 50 quilos.
Também é necessário apresentar documento oficial com foto, ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas e estar bem alimentado no momento da doação. A avaliação clínica realizada no hemocentro define se o voluntário está apto a doar.


