Excesso de peso atinge 41% dos jovens de 10 a 19 anos em Passo Fundo

Índice supera a média nacional, de 33%, e acende alerta para os riscos de doenças crônicas e impactos emocionais

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Prevenção e tratamento passam por mudanças nos hábitos de toda a família - Foto: Reprodução/Redes sociaisPrevenção e tratamento passam por mudanças nos hábitos de toda a família - Foto: Reprodução/Redes sociais
Prevenção e tratamento passam por mudanças nos hábitos de toda a família - Foto: Reprodução/Redes sociais
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O excesso de peso atinge 41% das crianças e adolescentes de 10 a 19 anos em Passo Fundo, conforme dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), do Sistema Único de Saúde (SUS). O percentual supera a média nacional, de 33%, e acende um alerta para os riscos associados à obesidade, condição crônica que pode favorecer o desenvolvimento de diabetes tipo 2, hipertensão e problemas relacionados à saúde mental e à autoestima.

Na rede municipal, o acompanhamento começa principalmente na Atenção Primária à Saúde, por meio das unidades básicas de saúde (UBSs). Após a avaliação inicial, os profissionais identificam as necessidades de cada paciente e, quando necessário, realizam encaminhamentos para outros serviços.

A nutricionista Gláucia Boeno, em entrevista à Rádio UPF,  explicou que o cuidado com crianças e adolescentes envolve toda a rede municipal de saúde. O Ambulatório de Qualidade de Vida, embora tenha como foco principal adultos e idosos com sobrepeso e obesidade, também recebe pacientes mais jovens em situações específicas.

Diagnóstico considera crescimento e hábitos

A avaliação infantil não leva em conta apenas o peso. Segundo Gláucia, são utilizadas as curvas de crescimento e o Índice de Massa Corporal (IMC) adequado à idade, além de informações sobre alimentação, atividade física, tempo de tela, sono, histórico familiar e condições emocionais e sociais.

“Na criança, a gente não utiliza somente o peso como critério”, destaca a nutricionista.

A análise desses fatores permite identificar o excesso de peso, avaliar possíveis riscos e definir a forma mais adequada de acompanhamento.

“Na consulta, além de avaliar o peso, a altura, o IMC e a evolução das curvas de crescimento, é importante entender como é a alimentação da criança, como funciona a rotina da família, quem prepara as refeições, qual é o ambiente em que essa criança está inserida e quais são as possibilidades reais de mudança dentro desse contexto”, explica a nutricionista.

Tratamento envolve toda a família

O tratamento é individualizado e considera a idade, a fase de desenvolvimento e as necessidades nutricionais de cada paciente. O objetivo não é simplesmente prescrever uma dieta para perda de peso, mas melhorar a qualidade da alimentação, organizar as refeições e estimular hábitos saudáveis que possam ser mantidos ao longo da vida.

A participação familiar é fundamental, já que a rotina alimentar das crianças depende das escolhas dos adultos, dos horários das refeições e dos alimentos disponíveis em casa.

Entre as principais dificuldades estão a redução do consumo de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas, além das limitações financeiras e das dificuldades de acesso a alimentos saudáveis. Gláucia também chama a atenção para o bullying e o estigma relacionados ao peso, que podem prejudicar a autoestima e o bem-estar emocional de crianças e adolescentes.

Ambulatório atende cerca de 400 pacientes por mês

O Ambulatório de Qualidade de Vida realiza aproximadamente 400 atendimentos mensais, dos quais, em média, dez são destinados a crianças e adolescentes. A nutricionista ressalta que esse número não representa a totalidade dos casos de obesidade infantil em Passo Fundo, pois o atendimento também ocorre em outros serviços da rede municipal.

A equipe do ambulatório é composta por médica, nutricionista, psicóloga e fisioterapeuta. O atendimento especializado depende de encaminhamento médico e da avaliação dos critérios estabelecidos pelo serviço.

As famílias que necessitam de orientação devem procurar a UBS de referência da criança. A equipe avaliará o caso e definirá se o acompanhamento poderá ocorrer na própria unidade ou se será necessário encaminhamento a outros profissionais.

Prevenção depende de ações integradas

A prevenção da obesidade infantil envolve alimentação saudável, atividade física, redução do sedentarismo e do tempo excessivo diante de telas, além de hábitos adequados de sono.

Em Passo Fundo, parte das ações é desenvolvida pelo Programa Saúde na Escola, que promove iniciativas relacionadas à alimentação, à atividade física e à qualidade de vida, aproximando os setores da saúde e da educação.

Para Gláucia, as estratégias precisam considerar a realidade social de cada família, sem atribuir exclusivamente à criança ou aos responsáveis a culpa pelo excesso de peso. O acompanhamento contínuo e o trabalho conjunto entre famílias, escolas e serviços de saúde são fundamentais para favorecer o crescimento saudável e prevenir complicações futuras.

“A prevenção deve envolver toda a família e considerar o contexto social em que a criança está inserida, evitando responsabilizar exclusivamente a criança ou seus familiares pelo excesso de peso”, conclui.

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