O outono é um divisor climatológico entre o calor do verão e o frio do inverno. Nas lavouras do Rio Grande do Sul também é um divisor entre as culturas de verão e as de inverno. “É a época de plantio das culturas para cobertura para proteger como as forrageiras”, explicou Oriberto Antônio Adami, supervisor regional da Emater-RS (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) na Região de Passo Fundo. Também responsável pela área de culturas, ele explica como estão as lavouras na área dos 42 municípios de abrangência da Regional de Passo Fundo. “No outono, não tem cultura comercial”, explicou em relação ao período atual. Mas isso não significa nenhum abandono, pois é o momento para focar na preservação do solo.
Culturas de verão
Oriberto disse que terminou a colheita das culturas de verão, à exceção de pequenas áreas onde foi plantado o milho do tarde. Sobre a produtividade, destaca que “o milho ficou acima da média, foi plantado em setembro e choveu bem até dezembro. Chegou a uma média de 150 sacas por hectare ou até mesmo mais de 200/h em algumas propriedades”. Já a cultura da soja não teve o mesmo rendimento. “A produção sofreu com a estiagem. A média regional, em 42 municípios, é de 40 sacas por hectare. Mas também há variações, em locais com média de 30 sacas e outros de 60 sacas por hectare”. Essas diferenças ocorreram em consequência das chuvas isoladas, com volumes diferentes de local para local.
Cobertura do solo
Terminou a colheita das culturas de verão. “É o momento das plantas recuperadoras de solo, visando a proteção contra a erosão”. Oriberto enfatiza os problemas que podem ocorrer pela falta de cobertura no solo, no período entre a colheita das culturas de verão e a implantação das culturas de inverno. “O solo fica exposto sem palha em caso de enxurradas. A cobertura melhora as condições do solo, controla o surgimento de ervas daninhas e o plantio direto é feito sobre a palha”. É o caso do nabo forrageiro, que serve apenas como cobertura, ou trigo mourisco. Ou, especialmente, aveia e azevém que servem como pastagem para o gado e deixam matéria orgânica como cobertura. “Aveia e azevém, que já foram plantados e estão em fase de desenvolvimento, têm duplo propósito, pois protegem o solo da ação da erosão e alimentam os animais”, explicou. Além do pastoreio, também são utilizados para fenação para produção de feno.
Déficit hídrico
O primeiro trimestre de 2025 foi seco, pois choveu apenas 42% do normal climatológico. No início de abril a chuva deu esperanças, mas, novamente, ficou abaixo da expectativa e persiste o déficit hídrico. Choveu 106,2mm, que representa 75% da média de 140,2mm. O supervisor regional da Emater diz que “para recuperar os açudes e mananciais ainda são necessárias mais chuvas”. A expectativa é da recuperação hídrica até o início de junho. “A partir de 10 de junho começa o plantio das culturas de inverno, em nossa região temos o trigo, a aveia branca e aveia preta”, detalhou Oriberto.



