Excesso de chuva ameaça produtividade das lavouras de inverno

Sequência de dias nublados e úmidos eleva risco de doenças no trigo e pode reduzir formação de grãos na canola

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Solo encharcado é uma das preocupações dos produtores com o excesso de chuva - Foto: Prefeitura Tio Hugo/DivulgaçãoSolo encharcado é uma das preocupações dos produtores com o excesso de chuva - Foto: Prefeitura Tio Hugo/Divulgação
Solo encharcado é uma das preocupações dos produtores com o excesso de chuva - Foto: Prefeitura Tio Hugo/Divulgação
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A sequência de dias chuvosos na região de Passo Fundo aumenta a preocupação de produtores e técnicos com o desenvolvimento das lavouras. A pouca incidência de sol e o excesso de umidade no solo podem prejudicar o potencial produtivo das culturas e dificultar a realização de tratamentos.

De acordo com o gerente regional da Emater, Oriberto Adami, o trigo ainda está em fase inicial, entre o perfilhamento e a elongação, o que impede uma avaliação precisa dos impactos. Apesar disso, o excesso de chuva já representa um fator de atenção. “É uma fase inicial, ainda não dá para fazer uma avaliação, mas é óbvio que esse excesso prejudica o desenvolvimento”, explica.

Segundo ele, as lavouras ainda apresentam bom potencial produtivo, mas a continuidade das intempéries pode provocar problemas maiores quando as plantas avançarem para as fases de espigamento, floração e formação dos grãos. A umidade constante favorece o surgimento de doenças fúngicas e também dificulta o acesso às áreas. Com o solo encharcado, os produtores podem não conseguir entrar com máquinas para realizar aplicações preventivas e tratamentos.

A aveia também sofre com a falta de períodos de sol. Para Oriberto, a alternância entre chuva e tempo ensolarado é fundamental para o desenvolvimento das gramíneas de inverno. “A atenção é ainda maior para as áreas de canola, que estão em plena floração e apresentam, até o momento, bom desenvolvimento e potencial produtivo. Entretanto, o excesso de chuva nessa fase pode provocar o abortamento de flores e comprometer a formação dos grãos.

Por ter ciclo mais curto, a canola depende de condições favoráveis nas próximas semanas. Conforme Oriberto, seriam necessários períodos de tempo firme e sol nos próximos 30 dias para consolidar a produtividade. Em condições adequadas, o rendimento considerado aceitável fica entre 30 e 35 sacos por hectare, podendo chegar a 40 sacos em algumas áreas.

Granizo

Além da chuva, a cultura já sofreu perdas provocadas pelo granizo. Uma faixa atingida pelo fenômeno passou por Lagoa dos Três Cantos, Não-Me-Toque, Santo Antônio do Planalto e chegou até Ernestina. Conforme levantamento da Emater, entre 400 e 500 hectares de canola podem ter sido perdidos em uma região de Não-Me-Toque.

Os efeitos do excesso de chuva também atingem as pastagens. A umidade dificulta o desenvolvimento das plantas e o manejo do gado, especialmente pelo excesso de pisoteio, com possíveis reflexos sobre a produção de leite.

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