OPINIÃO

Mulheres russas e a Semana das Letras

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Você, provavelmente, já ouviu falar em Leon Tolstói, Fiódor Dostoiévski, Vladimir Nabokov e Óssip Mandelstam. São nomes de escritores russos famosos. Talvez, você até tenha lido Guerra e Paz, Crime e Castigo, Lolita, romances que simbolizam a obra desses autores, ou se deparado com algum poema de Mandelstam. Mas, é bem provável, sabe quase nada ou muito pouco sobre Sofia Tolstói, Anna Dostoiévski, Vera Nabokov ou Nadejda Mandelstam.

Estamos falando de mulheres de hábitos literários refinados, que foram para seus maridos mais que amantes e musas inspiradoras. Numa tradição, sem par no ocidente, atuaram na construção e na preservação de clássicos da literatura universal. Dizem que, sem qualquer desconforto pela posição de coadjuvantes, foram consultoras, secretárias, datilógrafas, revisoras, tradutoras, editoras, empresárias, etc. E, a tal ponto foram imprescindíveis, que há quem diga ser impossível falar sobre esses escritores sem falar nessas mulheres. Mas, não obstante isso, também foram acusadas de interesseiras, cujo caso mais notório é o de Sofia Tolstói que, apesar de ser o modelo das heroínas dos romances do marido e fazer de tudo para preservar o patrimônio familiar quando o célebre escritor, depois de velho, renunciou aos bens matérias e se inclinou para a religião, não foi poupada das críticas.

Uma excelente fonte, para quem quiser conhecer melhor o papel das mulheres nos bastidores da vida e da obra dos grandes vultos da literatura russa, é o livro “As esposas”, de Alexandra Popoff. Nele você pode ficar sabendo como Anna Dostoiévski salvou o escritor, que tinha de entregar um romance em apenas quatro semanas. E, também, a forma prodigiosa de memorização usada por Nadejda Mandelstam, que preservou para a posteridade a obra do escritor proscrito por Stálin.

O assunto dessa coluna vai migrar dos cânones da literatura russa para o ambiente cultural de Passo Fundo. Especificamente, para tratar da 3ª Semana das Letras da Academia Passo-Fundense de Letras, que começa nessa segunda-feira (7) e se estende até sexta-feira (11). Sempre das 17h30 às 19h, no auditório da Academia Passo-Fundense de Letras, Av. Brasil Oeste, nº 792 (Centro Histórico). Uma programação diversificada, com palestrantes especialmente convidados, para tratar da produção literária local, mas sem perder o olhar universal. Na abertura, Tania Rösing, com a experiência de coordenadora do principal evento consagrado à literatura no Brasil, vai responder a intrigante questão: como e quando nasce um escritor?
Também, na terça-feira, com coordenação do acadêmico Paulo Monteiro, o momento consagrado aos escritores de Passo Fundo. Uma oportunidade de conhecer quem e o que está sendo produzido localmente em literatura. Além dos autores vinculados ao “Projeto Passo Fundo Apoio à Cultura”, os escritores convidados Valmor Bordin, Tânia e Pedro Du Bois.

Na quarta-feira, a conferência do Prof. Miguel Rettenmaier, “Leitores (e escritores) em formação; virtuais alternativas”. E, na quinta-feira, será a vez do psiquiatra e escritor Valmor Bordin falar sobre “Literatura e Criatividade”. Em cada dia, abrilhantando o evento, momentos artísticos especialmente preparados para a ocasião.

Por último, na sexta-feira, uma mesa de discussão assaz relevante, com Walmor Santos, da WS Editor, e Ivaldino Tasca, da Aldeia Sul Editora, com coordenação de Júlio Perez e Pablo Morenno, para tratar dos desafios de produzir e editar ficção em Passo Fundo. Ivaldino Tasca dispensa apresentação e Walmor Santos, para quem não conhece, é editor de Porto Alegre, responsável por obras de autores locais que alcançaram sucesso em vendas e grandes tiragens, caso de “Por que os homens não voam?”, do Pablo Morenno, e “Caranhoto - A sagra: 1965-1983”, do Adelmir Sciessere. Você é nosso convidado. O ingresso (opcional) é um livro infantojuvenil novo ou usado. Mas não se prenda por esse detalhe. Apareça!
De minha parte, especialmente para você que é jovem e pensa aventurar-se no caminho das letras, deixo uma dica que, estou praticamente certo disso, nenhum dos palestrantes vai dar. Que tal, inspirado por Tolstói, Dostoiévski, Nabokov ou Mandelstam, começar por um relacionamento com uma mulher russa? Se for alguém estilo Maria Sharapova, seria o melhor dos mundos.

 

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