OPINIÃO

A revolta dos motoqueiros

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Inicialmente devo reconhecer que a matéria escrita pelo jornalista e Ivaldino Tasca (em Troca-Troca Uirapuru) trás fundadas argumentações sobre o episódio sangrento da revolta dos motoqueiros, em 5 de fevereiro de 1979. Sobre a manifestação popular em Passo Fundo, também entendo que o mote da rebelião não foi essencialmente ideológico contra a ditadura vigente no país. A ânsia de liberdade, no entanto, ante o sôfrego estado autoritário e alguns excessos policialescos por conta dessa ordem oficial, estes foram sim elementos que contribuíram. As crises econômicas citadas adequadamente por Tasca, realmente foram mais motivadoras.

 

Sem silencioso
Logo após a morte de Clodoaldo Teixeira (o motoqueiro que foi atingido nas costas pelo policial militar), ocorreram duas circunstâncias que fomentaram a natural perplexidade da população que não entendia tal violência. Uma delas foi a desculpa divulgada pelo comandante do Policiamento Militar, numa versão atrevidamente esdrúxula. Na versão do comando o fato se resumia ao “ricochete da bala”, que teria atingido “involuntariamente” o jovem motoqueiro. A opinião pública recebeu a manifestação como disparate. E foi realmente irresponsável. As pessoas do povo sentiram-se ultrajadas. O segundo momento foi a junção crescente de motoqueiros que circulavam ao redor da praça central produzindo ruído inusitado. Muitos abriram o silencioso das descargas. Formou-se um rugido, enquanto as pessoas se aglomeravam nas calçadas. Olhares silenciosos e a rodagem das máquinas aceleradas. Espécie de lamento funeral. Quem conhece moto sabe do que falamos. E sabe do efeito desse alvoroço, um som que inflama rebeldia. Lembro que passou-nos pela imaginação o efeito marcial dos tambores franceses que rufavam à frente de Robespierre na sua insurreição na França.

 

Dias sangrentos
No dia seguinte seguimos a multidão inflamada em marcha contra a sede do comando regional na Avenida Brasil. As balas zuniam, tanto que meu colega que dirigia a unidade móvel (da Rádio Passo Fundo), desesperado, abriu a porta e saiu correndo. Assumi o volante dirigindo com uma das mãos e segui adiante ainda narrando da rua ouvindo a fuzilaria. Foi assim, até que a turba se acalmou, antes de sabermos de mortes ou feridos. Isso há 40 anos. A multidão é coisa grave! Vejam os desatinos que ocorrem, mesmo sem bandeira, até em inocente estádio de futebol.

 

Bebianno
A crise entre o presidente Bolsonaro e o ex-ministro Bebianno acabou com a exoneração “ad nutum” do homem de confiança partidária do governo. Está definido. Ficam, paralelamente, os problemas do PSL, com as manobras escusas de candidatos “laranja”. Outro respingo desnecessário foi a conversa levada a público sobre preferência ou restrições a órgãos de imprensa. Tanto que o porta-voz do Planalto remendou as coisas destacando a importância da imprensa. Certamente aí tem o dedo do vice, Mourão.

 

Montadoras
Na Inglaterra a Honda anuncia o fechamento da fábrica e mais de três mil desempregados. No Brasil, a GM gaúcha parece negar o estribo e a Ford anuncia fechamento da montadora de São Bernardo do Campo. Está mais do que na hora de repensarmos a idolatria ao automóvel.

 

Dinheiro lagarteando
Era tanto dinheiro estocado no apartamento do doleiro tucano que o mofo ameaçava as notas graúdas. Assim, os guardiões das malas questionadas colocaram o dinheiro no sol, para secar. Pra lagartear!

 

Fraternidade
Ficou bem o prospecto do Centro Arquidiocesano de Pastoral da arquidiocese de Passo Fundo. Centralizando o tema sobre a Campanha da Fraternidade 2019, destaca “estimular a participação em políticas públicas à luz da palavra de Deus e da doutrina social da Igreja para fortalecer a cidadania e o bem comum, sinais de fraternidade”. A publicação distribuída nas paróquias cita ações concretas em diversos segmentos em apoio social. A presença católica está, por exemplo, nas comunidades quilombolas. Vale a pena conhecer estas ações da diocese, que atendem aflições de segmentos mais carentes.

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