Dia do Professor é comemorado com recesso e protestos

Escolas municipais e estaduais aderiram à decisão de suspender as aulas ontem (14) e hoje (15)

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O Dia do Professor, celebrado anualmente em 15 de outubro, foi marcado por recesso na maior parte da rede de ensino passo-fundense. Enquanto instituições como a Universidade de Passo Fundo e escolas da rede particular decidiram antecipar a suspensão das aulas para a segunda-feira (14), retornando às atividades nesta terça (15), escolas de toda a rede municipal e estadual, além de outras instituições de ensino superior, escolheram promover um feriado prolongado – as aulas serão retomadas somente amanhã (16).
Apesar de se tratar de uma data comemorativa, para o diretor-geral do 7° Núcleo do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul (CPERS), professor Orlando Marcelino, em um contexto geral, os educadores têm poucas razões para celebrar. Por este motivo, o dia será lembrado em clima de protesto na capital gaúcha. “Nós [representantes da categoria em Passo Fundo] estamos nos dirigindo até Porto Alegre onde iremos abrir uma vigília, a partir das 10h, na Praça Matriz. É parte do ato estadual promovido pelo CPERS, que planejou um acampamento no local, com rodízio de núcleos, até o fim do ano. A ação é uma resposta ao deboche do governo Eduardo Leite, que escolheu pagar o salário de setembro justamente no dia 15 de outubro. Ele está piorando o parcelamento do salário e, de forma não somente debochada mas também humilhante para os gaúchos, estabelece nesta semana o envio à Assembleia Legislativa de projetos de lei que atacam o Plano de Carreira do Magistério e a Previdência Estadual”, explica.


Em Assembleia Geral, a categoria decidiu ainda que, caso o governador do Estado de fato protocole nesta semana os projetos mencionados, professores de todo o Rio Grande do Sul devem entrar em greve setenta e duas horas após a confirmação do processo. A intenção é barrar o que eles chamam de “ataques ao serviço público”. “Queremos aproveitar a ocasião, também, para explicar à comunidade as consequências que essas decisões têm para a educação gaúcha. A situação é muito triste. A desvalorização dos professores afeta todo o quadro educacional, porque impacta no nível da educação oferecida à população. Os gaúchos precisam ter uma visão clara de que, se o Estado já tem problemas de desenvolvimento, com o governo que está traçando será uma derrocada generalizada, considerando que a educação é um dos pilares para o desenvolvimento de qualquer sociedade”, pontua Orlando. Ele adianta que, na tarde desta quinta-feira (17), diretores de escolas estaduais devem realizar uma nova plenária em Passo Fundo, na sede do 7° Núcleo do CPERS, com a presença da presidente estadual da entidade, a fim de estabelecer um calendário de atividades e traçar lutas unificadas.


Rede municipal
Para os professores da rede municipal – que não organizaram atos de protesto –, o Sindicato dos Professores Municipais de Passo Fundo (CMP/Sindicato) promove nesta terça-feira um almoço em alusão à data. A confraternização já é uma tradição anual da categoria e visa celebrar a importância da profissão docente. A atividade é gratuita para os associados e acontece no Bless Centro de Eventos. Apesar da festividade, que marca também a assinatura de um convênio que custeará bolsas de mestrado e doutorado para os docentes da rede, o diretor do CMP, Eduardo Albuquerque, salienta que mesmo para os professores municipais há pouco a ser comemorado. “No contexto atual, com tudo que está acontecendo com a profissão de docente e o desrespeito que há muitos anos enfrentamos, temos poucos motivos para comemorar. Amanhã [hoje] veremos várias homenagens nas redes sociais, mas na prática, ao longo de muitos anos, a profissão vem sendo descaracterizada. Estamos presenciando a desvalorização dos estudos, da pesquisa e até da educação de qualidade. Por outro, vale aproveitarmos a data para celebrarmos, talvez, a manutenção daquilo que consideramos importante para a categoria: a união e a consciência política”.

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