OPINIÃO

Oposição vem de dentro

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A oposição política ao presidente brasileiro tem sido pouco ou quase nada. Os estragos surgiram na própria vida partidária a partir do racha no partido vencedor das eleições, o PSL. Entre diatribes e escândalos surgiram revelações de atrito no próprio núcleo governista com a revolta da bolsonarista Joice Hasselmann, denunciando facetas do gabinete do ódio, que envolve filho do presidente. Vieram travessuras de má comunicação e atentados ao senso democrático na palavra de ministros e assessores. Houve desconforto com a demissão do ministro Mandetta e, estopim candente, com a saída do ícone popular da moralidade, ex-magistrado Sergio Moro. O acerbo da militância, incitada pelo próprio presidente, andou em contundência pouco democrática ao criticar poderes institucionais. Não é preciso falar na desastrosa reunião ministerial levada a público com exposição de ritual de palavras frouxas e até eticamente comprometedoras. A permanente aparição presidencial em desafio grotesco à pandemia do Coronavírus constrangeu a sociedade da ciência médica. A realidade triste da peste, agravada pelos números de mortos, é dor cada vez menos suportável e não encontra momentos de compaixão na voz oficial do país. A estrutura estatal tem sido importante na contensão ao ritmo alucinante, com ajuda aos estados e municípios afetados, mas falta a palavra solidária como diálogo com a sensação da impotência. Ao contrário, o negacionismo e a grosseria não são aceitáveis quando o povo ouve expressões como “gripezinha” e outras tantas que beiram impropério. É preciso ponderar que o atual governo não tem culpa pelo coronavírus. A luta para superar essa desgraça, no entanto, não comporta tanta leviandade, só vista na tresloucada postura do presidente Trump.


Pode desabar

O abandono de assessores do ministro Paulo Guedes é mais um sinal de crise, em meio à crise, não provocada pela oposição. É febre intestina na política de governo. Guedes adverte que furar o teto orçamentário é perigoso para o próprio presidente. O vice-presidente Mourão, contendo a área militar na gestão política, também é contra a ousadia orçamentária, pelo mesmo motivo. E diz que o teto é a âncora fiscal. O assunto parece insignificante, mas vai além de estratégia financeira. Trata-se de endividamento com fins eleitorais tão inusitados quanto o momento de crise pela pandemia. A resposta deve ser dada por Guedes, nesta encruzilhada da economia. Parece-nos que uma fritura do ministro da Economia, nesta hora, não é bom, nem para a oposição, nem para a democracia, principalmente se o teto desabar.

Laços de família

É preciso esclarecer que não há qualquer condenação judicial que responsabilize membro da família Bolsonaro, pelos fatos já apurados, de domínio público. A fenda da rachadinha, no entanto, mostra raízes que se estendem e se ligam aos ramos familiares. A luz amarela está acesa. O problema é depois destes sinais, que podem ser luzes vermelhas.


Sputnik-5

Está travada a euforia em relação ao anúncio feito por Moscou. Por conta do crivo de importantes referências científicas como Alemanha e Inglaterra, o registro mundial da vacina russa só será aceita se houver a eficácia de uma terceira fase. Putin anunciou o registro da vacina Sputnik-5. Há informação de que a fase três está apenas começando. A notícia de que os testes até agora deram certo é muito boa. A certeza, no entanto, a ausência da comprovação efetiva, cria dúvida atroz. Fica embaralhada entre tantas dúvidas, embora carregue boa dose de esperança.


Proença

O trabalhismo de Passo Fundo perde sua grande referência doutrinária com o falecimento de José Manoel Proença. Foi uma vida toda de zelo doutrinário desde o PTB e o PDT, partido do qual foi secretário. Tivemos a oportunidade de conviver com Proença, sua militância partidária e empenho cultural ideológico. Foram muitos os estudos sobre o pensamento do saudoso senador Alberto Pasqualini, figura exponencial na formação do pensamento trabalhista. Seu ardor pelo debate de idéias no fortalecimento partidário foi notável nos aspectos cultural e ideológico. Despedimo-nos do grande amigo e valoroso cidadão de nossa política. Estendemos nossas condolências a seus familiares.

 



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