OPINIÃO

É preciso manter a lucidez

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Os povos acompanham a marcha da ciência médica, em diversos laboratórios, que avançam as fases de da pesquisa da vacina destinada a combater o coronavírus. A notícia de possível reação adversa agitou o noticiário do mundo.Trata-se de suspensão previsível da terceira fase dos testes para avaliar o caso e circunstâncias nesta variação observada entre os 30 mil cobaias. Lamentavelmente os fak-news têm surgido nos canais digitais, sob as mais exóticas maneiras. As notícias falsas infestaram muito. É deprimente que as pessoas tratam com tanta leviandade o tema, visto estar em jogo o senso de credibilidade da ciência médica. Mais grave ainda é semear insensatez sobre a tragédia que abala o planeta, especialmente para nós no Brasil que beira a marca de 130 mil mortos. É ponderável considerar que não está nada resolvido. A previsão indica vacina para o próximo ano, onde se presume o início de rescaldo da pandemia. Em meio a tantos casos de cura, a maioria dos contaminados, as providências sanitárias possíveis impedem o desespero, mas não tolhem o medo coletivo. Por isso, as falsas notícias, maldosas ou não, são duplamente perigosas neste momento. No primeiro aspecto, o efeito negacionista, principalmente guiado por paixões políticas esdrúxulas, confunde a mente das pessoas e prejudica o combate preventivo da doença. Imediatamente, a maldade ou ignorância, desestabilizam as pessoas que não têm como fugir de situação insólita, na obrigação de cumprir a nova ordem nas rotinas, como isolamento e hábitos sanitários. A renitência da pandemia desafia a serenidade. Já são muitos os afetados pela necessidade de isolamento, além da eliminação das tarefas diárias de cada um. É indispensável a compreensão e efetiva colaboração para afastar efeito depressivo. Chamamos repetidamente de compaixão, o gesto solidário de nos ajudarmos em tudo. Ainda que tudo seja incerto e confuso, como de fato é, faz-se necessária a lucidez. Mesmo com medo é preciso suportar a pressão, ainda que péssimos exemplos continuem efeito predatório. É inevitável sermos pacientes para aguardar o importante passo da apresentação da vacina, em mais de uma centena de pesquisas pelos continentes. O consolo é sabermos que a pesquisa cuidadosa de Oxford, a Sinovac ou Sputnik-V, além de outras, podem conter a equação almejada para a pandemia.


Forte dos generais

Estamos vivendo clima de funeral, com mais de 120 mil mortos pelo covid-19. Mesmo cercados dos mais imediatos meios de atendimento médico e hospitalar, vemos diariamente mortes de pacientes da área da saúde. A praga é traiçoeira e colhe os mais valentes guerreiros desta luta insana. Assim foi a morte do general Carlos Sydrão, da comitiva presidencial, aos 53 anos. Sem dúvida. Além de suas condições pessoais de saúde, contava permanentemente com o apoio oficial que cerca a equipe de governo. No momento em que se fala na redução lenta da doença, surge caso inesperado, dizendo que o vírus pode atacar qualquer um, a qualquer momento. A multidão dos brasileiros não tem água potável, e muito menos estrutura de saneamento. Casas apertadas, sem condições práticas para isolamento. Isso por si só é perverso. Se não há garantia para generais protegidos pelo forte, que pensar do destino de nossa gente humilde das periferias?



Alimentos

É de se reconhecer que o Brasil tem uma majestosa estrutura na produção de alimentos. A ministra Tereza Cristina apresenta-se como liderança de prestígio salientando que os estoques de comida são importantes para combater doença. A fome é a mais degradante enfermidade. Agora é redistribuir o que está sendo reconhecido à nossa agropecuária, macro, média e pequena. No momento surge até a idéia de recuperar o investimento tecnológico como da Embrapa e outras instituições de pesquisa mal avaliadas no início do atual governo.

Dívida

Tudo o que já fizemos na relação de consumo deve ser reavaliado. O cruel sistema financeiro que sufoca o cidadão endividado, principalmente no cheque especial. É humilhante a inadimplência do cidadão comum, principalmente o consumidor de supérfluo. E vem aí inflação.   


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