Menor abstenção em 20 anos marca virada histórica de Lula

Presidente recebeu mais de 64 milhões de votos no domingo e alcançou um novo recorde de votação

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No primeiro discurso após a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mudará o jeito de governar o Brasil - FOTO: PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASILNo primeiro discurso após a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mudará o jeito de governar o Brasil - FOTO: PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASIL
No primeiro discurso após a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que mudará o jeito de governar o Brasil - FOTO: PAULO PINTO/AGÊNCIA BRASIL
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A redução da abstenção e dos votos brancos e nulos contribuiu para ampliar a votação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente da República no domingo (25). Com mais eleitores comparecendo às urnas no segundo turno, o atual presidente reverteu a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno à frente, e garantiu um quarto mandato presidencial. A abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, atingindo a menor taxa em 20 anos.

Com 100% das seções apuradas, Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 59.826.041 votos, ou 48,21%. A diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos representa uma virada de 6,6 milhões em relação ao primeiro turno, quando o senador havia aberto uma vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos sobre o presidente. O novo mandato de Lula começa em 5 de janeiro de 2027.

Entre as duas votações, Lula conquistou mais de 10,3 milhões de votos adicionais, quase três vezes o crescimento registrado por Flávio, que recebeu 3,7 milhões de votos a mais. O resultado também estabeleceu um novo recorde de votação presidencial no país, superando os 60,3 milhões de votos obtidos pelo próprio petista em 2022.

Eleitores compareceram às urnas

A participação eleitoral foi um dos fatores que contribuíram para a mudança no resultado. No segundo turno, 2,83 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas em comparação com o primeiro. Ao mesmo tempo, os votos brancos e nulos diminuíram de 5,98 milhões para 4,15 milhões, uma redução de 1,83 milhão.

Somados, o aumento do comparecimento e a queda no número de votos brancos e nulos acrescentaram aproximadamente 4,66 milhões de votos válidos à disputa. O movimento ampliou o total de votos destinados aos dois candidatos, mas beneficiou Lula de maneira mais expressiva.

O crescimento da votação de Lula também não se limitou à transferência de votos dos candidatos eliminados no primeiro turno. Os concorrentes derrotados haviam somado 9,3 milhões de votos, número inferior ao acréscimo de mais de 10,3 milhões registrado por Lula. O presidente ampliou sua votação em todos os estados e no Distrito Federal, enquanto Flávio terminou o segundo turno com menos votos em seis unidades da Federação.

Minas Gerais foi decisivo

A disputa em Minas Gerais teve papel importante no resultado nacional. O estado, conhecido por apresentar resultados que acompanham o vencedor das eleições presidenciais, havia dado vantagem a Flávio no primeiro turno, mas passou a registrar vitória de Lula, com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% do adversário. A diferença de apenas 0,86 ponto percentual foi a menor entre os estados brasileiros.

O presidente também ampliou sua votação em grandes colégios eleitorais do Sudeste, especialmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, e reforçou sua liderança no Nordeste. A região foi responsável por quase 3 milhões de votos adicionais para Lula entre os turnos, enquanto o Sudeste concentrou o maior crescimento absoluto, com cerca de 4,8 milhões de votos a mais.

A mudança também apareceu nos resultados municipais. Lula melhorou seu saldo de votos em relação a Flávio em 5.410 dos 5.570 municípios brasileiros, aproximadamente 97% do total. O presidente reverteu o resultado em 211 cidades nas quais o senador havia vencido no primeiro turno, enquanto Flávio conseguiu inverter a disputa em apenas um município.

Flávio venceu no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro manteve a vantagem e recebeu 57,84% dos votos válidos, contra 42,16% de Lula. O candidato do PL foi o mais votado em 436 dos 497 municípios gaúchos, enquanto o presidente venceu em 61.

Porto Alegre apresentou um resultado diferente do registrado no estado. Na capital, Lula recebeu 55,84% dos votos válidos, enquanto Flávio ficou com 44,16%. O Rio Grande do Sul esteve entre os estados em que Lula ampliou seu saldo eleitoral entre os dois turnos, apesar da vitória estadual do candidato do PL.

Passo Fundo

A participação dos eleitores passo-fundenses no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, seguiu a tendência nacional, com redução na abstenção. No primeiro turno, 30,3 mil eleitores não compareceram às urnas em Passo Fundo. Na votação de domingo, o número caiu para 27,2 mil, uma redução de 10,3%, o que representa mais de três mil eleitores. Ao todo, 122.719 eleitores compareceram às seções eleitorais do município no domingo. O número representa a maior presença em eleições nacionais na cidade desde o primeiro turno de 2022.

Outro destaque da votação em Passo Fundo foi o crescimento do número de votos recebidos por Lula. No primeiro turno, o candidato do PT havia conquistado 40.293 votos, o equivalente a 34,79% dos votos válidos. No segundo turno, chegou a 49.682 votos, ampliando sua votação em 9.389 votos e alcançando 41,39% dos votos válidos.

Recorde histórico de votação

Com mais de 64 milhões de votos no segundo turno, Lula também estabeleceu a maior votação já alcançada por um candidato à Presidência da República na história do Brasil. O resultado supera o recorde anterior, que também pertencia ao presidente: em 2022, ele recebeu mais de 60 milhões de votos ao derrotar Jair Bolsonaro (PL) e impedir sua reeleição. 

Resultado do segundo turno por estado

Acre

Lula - 33,43%

Flávio Bolsonaro - 66,57%

Alagoas

Lula - 60,77%

Flávio Bolsonaro - 39,23%

Amapá

Lula - 52,88%

Flávio Bolsonaro - 47,12%

Amazonas

Lula - 54,02%

Flávio Bolsonaro - 45,98%

Bahia

Lula - 71,31%

Flávio Bolsonaro - 28,69%

Ceará

Lula - 68,93%

Flávio Bolsonaro - 31,07%

Espírito Santo

Lula - 43,63%

Flávio Bolsonaro - 56,37%

Goiás

Lula - 40,34%

Flávio Bolsonaro - 59,66%

Maranhão

Lula - 69,54%

Flávio Bolsonaro - 30,46%

Mato Grosso

Lula - 33,94%

Flávio Bolsonaro - 66,06%

Mato Grosso do Sul

Lula - 40,40%

Flávio Bolsonaro - 59,60%

Minas Gerais

Lula - 50,43%

Flávio Bolsonaro - 49,57%

Pará

Lula - 55,02%

Flávio Bolsonaro - 44,98%

Paraíba

Lula - 67,46%

Flávio Bolsonaro - 32,54%

Paraná

Lula - 37,42%

Flávio Bolsonaro - 62,58%

Pernambuco

Lula - 69,20%

Flávio Bolsonaro - 30,80%

Piauí

Lula - 75,88%

Flávio Bolsonaro - 24,12%

Rio de Janeiro

Lula - 46,90%

Flávio Bolsonaro - 53,10%

Rio Grande do Norte

Lula - 65,72%

Flávio Bolsonaro - 34,28%

Rio Grande do Sul

Lula - 42,16%

Flávio Bolsonaro - 57,84%

Rondônia

Lula - 30,39%

Flávio Bolsonaro - 69,61%

Roraima

Lula - 27,54%

Flávio Bolsonaro - 72,46%

Santa Catarina

Lula - 30,58%

Flávio Bolsonaro - 69,42%

São Paulo

Lula - 46,15%

Flávio Bolsonaro - 53,85%

Sergipe

Lula - 69,53%

Flávio Bolsonaro - 30,47%

Tocantins

Lula - 48,63%

Flávio Bolsonaro - 51,37%

Distrito Federal

Lula - 45,72%

Flávio Bolsonaro - 54,28%

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