Aeroporto de Passo Fundo permanece fechado até 1º de julho

Atraso na vinda de equipamentos da Itália prorrogou a interdição da pista

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Cabeceira próxima a BR-285 recebeu uma extensão de segurança - Foto – LC Schneider-ONCabeceira próxima a BR-285 recebeu uma extensão de segurança - Foto – LC Schneider-ON
Cabeceira próxima a BR-285 recebeu uma extensão de segurança - Foto – LC Schneider-ON
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As obras no Aeroporto Lauro Kortz de Passo Fundo seguiam dentro do cronograma previsto. Porém, a falta de um equipamento vindo do exterior provocou um atraso no reinício das operações. O aeroporto está fechado para obras na pista desde 11 de janeiro. O retorno das operações estava previsto para esta quarta-feira, 12 de maio. Diante do impasse, a ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, emitiu na segunda-feira, 10, um novo Notam – aviso oficial que informa sobre as condições operacionais e/ou restrições. “O Notam prorrogou o fechamento do aeroporto até 30 de junho”, explicou Clarice Beffart, administradora do Lauro Kortz. Isso significa que o aeroporto de Passo Fundo será reaberto para pousos e decolagens somente em 1º de julho.

O equipamento

Mesmo com a pista praticamente pronta, é necessária a instalação nas duas cabeceiras do PAPI (Precision Approach Path Indicator). São aquelas luzes de auxílio visual que orientam o piloto como uma rampa de descida. O dispositivo foi adquirido de um fabricante italiano. “A encomenda foi feita em novembro de 2020 e esperávamos pela entrega até o final de março, mas, infelizmente, isso não aconteceu”, conta o diretor do Departamento Aeroportuário do RS (DAP), engenheiro Leandro Taborda. Como a Itália foi um dos países onde a pandemia causou graves problemas, ele vê a possibilidade de que isso tenha sido um dos fatores que causaram o atraso.

Ajustes

Em outras condições, mesmo sem a instalação dos PAPIs, até poderia correr uma a liberação da pista para operações visuais e diurnas. Mas isso agora não é mais possível devido às mudanças realizadas em suas extremidades, que exigem um novo mapeamento de precisão. “Fizemos algumas alterações nas duas cabeceiras, como a RESA na cabeceira 26 (lado da Efrica)”, disse em relação à nova extensão de segurança ao final da pista. “Somente com os PAPIs instalados poderemos solicitar a aferição ao DECEA, Cindacta II, para definir alguns detalhes e liberar as operações”, completou Taborda. Essa aferição em todos os aeroportos do Brasil é feita somente pelo GEIV – Grupo Especial de Inspeção de Voo. Eles utilizam aviões com equipamentos de medição para aferir o funcionamento de equipamentos em solo e outras exigências de segurança. Como houve mudanças nas extremidades da pista, até mesmo a numeração das cabeceiras poderá ser reavaliada nesta vistoria.

Andamento das obras

As obras da pista estão praticamente concluídas. Isso significa que os 1.700 metros foram revestidos com cimento asfáltico e polímero. A base foi reforçada e aumentou a capacidade operacional, podendo receber aviões com maior peso. “O PCN (indicador) agora é 42, podendo receber Airbus 319 e novo E-2 da Embraer, além do 737-700 que já operava aqui em Passo Fundo”, avaliou o diretor do DAP. Isso significa a possibilidade de a Latam também voar para Passo Fundo, pois tem o 319 na sua frota. Também foi feito o grooving, que são ranhuras de aderência sobre o asfalto. “A pintura, sinalização horizontal, está concluída. Não pitamos os números nas cabeceiras, pois aguardamos o resultado da vistoria. Também está pronto o novo balizamento (luzes laterais) com um sistema moderno de LED, utilizando novas tubulações dedicadas”.

Terminal de passageiros

Taborda fala com entusiasmo sobre o andamento da edificação do novo terminal de passageiros. “Já está mais visível, pois a estrutura metálica está pronta e tudo segue como esperávamos”. Mas ele destaca que enquanto a nova estação não estiver concluída os embarques e desembarques permanecem no antigo local. Além disso, haverá um amplo pátio pavimentado para receber aviões comerciais de porte médio, além de outras inovações. E para que os aviões cheguem ao novo terminal, haverá novas taxiways em ligação com a pista. Tudo isso deverá ficar pronto até dezembro, quando o conjunto de obras será concluído.

 Azul e Gol

Sem pista sem voos. Inicialmente a pandemia e, em seguida, o fechamento do aeroporto interromperam as operações regulares das linhas aéreas em Passo Fundo. Mesmo diante da crise no setor, Azul e Gol, ensaiaram o retorno para Passo Fundo a partir de junho. Porém, como foi prorrogado o fechamento, cancelaram a venda de passagens para junho. A Azul agora vende o trecho entre Passo Fundo e Viracopos a partir de 1º de julho. A Gol, que opera na ligação com Guarulhos, disponibiliza passagens a partir de 12 de julho.


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