Gatos conquistam espaço, mas exigem cuidados especiais com a saúde

Mesmo vacinados, fora de casa os bichanos ficam expostos aos perigos das ruas

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Vida caseira aumenta a expectativa de vida dos gatos - Fotos: Tony Ubiratan/ONVida caseira aumenta a expectativa de vida dos gatos - Fotos: Tony Ubiratan/ON
Vida caseira aumenta a expectativa de vida dos gatos - Fotos: Tony Ubiratan/ON
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Os bichinhos estão em alta no conceito dos humanos. A população de animais de estimação, agora conhecidos como pets, multiplicou-se nas últimas décadas. Hoje, estima-se que a população de gatos domésticos supere os 33 milhões de indivíduos no Brasil.

Num passado não tão distante, algumas pessoas preconceituosas olhavam atravessado para os gatos. Hoje, em situação inversa, os felinos estão em alta e, em certas ocasiões, são eles que torcem o nariz para alguns humanos pouco confiáveis. Porém, além de um lar, carinho e boa alimentação, é necessária uma atenção especial à saúde dos bichanos.

Tutores preocupados

Em Passo Fundo, os gateiros estão preocupados com possíveis contaminações por vírus, fungos e parasitas. Além disso, parece inacreditável, mas ainda há o risco de envenenamento. Por isso, muitos tutores evitam que os gatos saiam de casa.

A médica-veterinária Adriana Dalla Palma, do Hospital Veterinário da UPF, conta que “a maioria dos registros na emergência é de doenças virais ou de casos de envenenamento”. Ela e a colega Laura Aita Vieira explicam que não há nenhuma epidemia relacionada aos gatos em Passo Fundo. “Ocorrem muitos casos de esporotricose, uma micose, na região de Marau e Casca.”

FIV e FeLV

Conversamos com quatro médicos-veterinários que atuam em Passo Fundo. Eles foram unânimes ao afirmar que a FIV e a FeLV, doenças virais que acometem apenas os gatos, são graves, crônicas e não têm cura. Adriana e Laura explicam que “a transmissão ocorre por meio do contato com animais contaminados, principalmente pelo contato com secreções”.

A FIV é o vírus da imunodeficiência felina, que compromete o sistema imunológico dos gatos e é comparável ao HIV em humanos. Por isso, também é conhecida popularmente como Aids felina. Já a FeLV é o vírus da leucemia felina, associado ao desenvolvimento de doenças que comprometem a imunidade dos animais.

Sintomas e vacina

Entre os possíveis sintomas estão anemia, apatia, falta de apetite, febre e dificuldade para respirar. O médico-veterinário Lindomar da Silva, conhecido como Pepe, da Alfa Vet, dá mais uma dica: “Atenção ao mau hálito. Gato com mau hálito está doente. Para detectar, aplicamos um teste, que é o mesmo para FIV e FeLV. O tratamento é paliativo, pois são doenças sem cura que afetam a imunidade dos gatos”.

Assim como ocorre com os humanos, a vacinação também pode ajudar a proteger os amiguinhos peludos. Ainda não existe vacina contra a FIV disponível para uso rotineiro no Brasil, mas há vacina contra a FeLV. “A vacina é a prevenção para não sofrer depois e, ainda, evitar despesas com o tratamento paliativo. Tem eficácia de 98%”, afirma Pepe.

O veterinário informa que a vacina está disponível nas clínicas de Passo Fundo e que o preço varia entre R$ 150 e R$ 180.

Membros da família

Em família: gatos recebem mais atenção

O veterinário entende que a preocupação com a saúde dos gatos está relacionada ao novo status dos pets. “Sempre houve problemas de saúde, mas agora os pets são como membros da família, e as pessoas dão mais atenção. Então, isso vem à tona porque as pessoas estão cuidando mais”, explica.

Sobre a ocorrência das duas doenças virais graves, Lindomar diz que os casos são praticamente rotineiros. “A cada dois dias aparece um gato com FIV ou FeLV. Às vezes, com as duas doenças.”

Os riscos da rua

“Não há nenhuma epidemia”, afirma, enfaticamente, o médico-veterinário Fabrício Fioreze, que atua no Instituto Médico Veterinário Saúde Animal.

“As pessoas não deixam os gatos saírem para evitar os riscos da rua, como ataques de cães, atropelamentos ou brigas com outros gatos. Nesses casos, há risco de transmissão de FIV e FeLV, pois pode ocorrer contaminação pelo contato com saliva e sangue”, explica.

Fabrício diz que, atualmente, os casos de envenenamento diminuíram muito. “O uso de veneno, uma prática ilegal, era muito maior. Hoje, é difícil encontrar quem venda o veneno.”

Expectativa de vida

Lindomar da Silva avalia que “os gatos e as gatas não castrados, que andam pelas ruas, têm expectativa de vida média de dois anos. Já para os castrados, que não saem às ruas, a média sobe para mais de 12 anos”.

Os gatos mantêm hábitos noturnos e uma peculiar vida boêmia. Fabrício Fioreze explica que, após uma noitada, “os gatos voltam de uma batalha. Ou não voltam”. Mesmo assim, diz que não gosta de ver um gato privado de sua liberdade e de seus hábitos.

Fungos e obesidade

A curiosidade dos felinos pode levá-los às mais inusitadas situações. Ágeis, geralmente se safam de poucas e boas. Mas a bisbilhotice também pode render algumas doenças aos bichanos, alerta Fabrício.

“Fora de casa, podem adquirir fungos causadores de doenças como a criptococose e a esporotricose. A transmissão pode ocorrer pelo contato com ambientes ou materiais contaminados. Isso pode acontecer quando arranham o tronco de uma árvore para lixar ou afiar as unhas ou, ainda, durante uma briga”, explica.

Em outra semelhança entre os felinos e os humanos, Fioreze chama a atenção para os riscos de uma vida sedentária. “Há risco de obesidade. Os gatos comem muita ração, que é bastante calórica, e fazem pouco exercício. A obesidade contribui para reduzir a expectativa de vida.”

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