Passo Fundo - 164 anos: o município através das lentes de um fotógrafo e historiador

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Um fragmento, um recorte, um olhar. A fotografia é a arte de registrar o cotidiano por meio da luz e sombra. Um meio de expressão completo e encantador que, além de arte, também é um documento histórico, capaz de eternizar momentos que muitas vezes passam despercebidos. É através dela que o professor de história Roberto Sander costuma ver a Passo Fundo onde nasceu. Detalhes de prédios, casas, antigas ou modernas, ruas, avenidas, praças, e toda a riqueza visual que a cidade oferece passam por suas lentes. Através destes registros, Sander tem mostrado a cidade de através das redes sociais e exposições. 

Formado em História, o professor Roberto Sander trabalhou muitos anos ministrando aulas para o ensino fundamental em Passo Fundo. Uma das dificuldades encontradas era que muitos alunos desta idade não conseguiam entender toda a complexidade de determinados assuntos de forma clara. Desta forma o professor passou a utilizar uma das suas paixões “a fotografia” como um recurso didático. “Quando falávamos, por exemplo, em um relevo de coxilha, era uma visão abstrata para os alunos, ou ainda quanto falamos nos povos indígens que tinham casa subterrâneas, os alunos tinham dificuldades para visualizar, então eu comecei ir até alguns locais para fazer fotos e levar para a sala de aula”. O recuso deu certo, e o professor começou a ir para locais, onde haviam referências que eram trabalhadas em sala de aula para fazer registros fotográficos e trabalhar com os alunos.  


O crescimento vertical de Passo Fundo 

A fotografia sempre esteve presente na vida acadêmica do professor Roberto, mesmo durante a graduação, ele trabalhou com a organização do acervo fotográfico do museu do município. Anos depois, quando cursou Mestrado em Educação, trabalhou com o nicho da educação patrimonial, buscando responder a pergunta: “Qual é o papel pedagógico das instituições museológicas”. E isso motivou o professor a fotografar os prédios históricos da cidade. “O historiador sempre vê a fotografia como um documento e eu passei a fotografar Passo Fundo, especialmente as transformações que a cidade foi passando, porque ela tem uma característica de ser uma cidade muito verticalizada”. O professor avalia que diferentemente de outras cidades do mesmo porte e com as mesmas características históricas, que geralmente são mais horizontalizadas, Passo Fundo se caracteriza por um grande crescimento vertical.

Durante o ano de 2006, quando o fotógrafo estava na fase de conclusão do Mestrado, a cidade passou por um período onde o plano diretor estava sendo revisto, e esta foi uma oportunidade para registrar prédios antigos. “Estavam sendo demolidos muitos casarios antigos, podemos citar como exemplo a casa Gabriel Bastos, que foi demolido em um final de semana, e isso aconteceu com outras casas antigas também. E eu tinha uma câmera, sem muitos recursos, mas que era suficiente para montar um banco de imagens, pensando que isso serviria de suporte para as pesquisas que viram posteriormente”, disse ele.  

 

Legado de Deoclides Czamanski

Roberto, passou a montar um acervo para que servisse de subsídio para outros pesquisadores que se interessariam pelo tema, principalmente pelo fato de que muitas casas antigas estavam sendo substituídas. “Nós tínhamos em Passo Fundo um fotógrafo muito conhecido, que era o Deoclides Czamanski, todos os historiadores sempre utilizavam as imagens dele. Então eu decidi, de uma forma muito humilde, com minha camerazinha registrar essas mudanças urbanas que estavam acontecendo em Passo Fundo”, destacou.

Inicialmente os primeiros registros foram as edificações antigas, e em seguida os novos prédios que foram surgindo. “Como eu morava no prédio mais alto da cidade, que ficava perto do shopping, eu subia na caixa d’água e fazia algumas fotos panorâmicas da cidade, inclusive registrando a construção dos prédios”, comentou.


O cotidiano de Passo Fundo


Para Roberto, Passo Fundo tem uma harmonia entre o seu desenvolvimento urbano e seu contexto histórico, entretanto, há muitos aspectos que ainda precisam ser desenvolvidos. “Hoje, por exemplo, nós temos políticas memorialistas, e temos grupos que pensam questões relacionadas ao patrimônio histórico, mesmo assim, ainda há coisas que ainda precisam de mais atenção. E também temos que considerar que muitas vezes, quando se tratam de aspectos históricos e desenvolvimento urbano, nem sempre há uma relação amigável com as questões econômicas. Então é importante que a cidade consiga dar uma maior atenção nesta relação entre as questões históricas com a área da construção civil”, destacou.

Entretanto, o professor destaca que avaliando pelo aspecto fotográfico, Passo Fundo ainda mantém seus espaços que mostram o histórico da cidade, mesmo sem muita visibilidade para as comunidades que foram fundamentais para a formação do município, e não tem a mesma representatividade em relação aos monumentos, por exemplo, a Mãe Preta, ou Povos Indígenas.

O professor comenta ainda que se desafiou a fazer uma foto de Passo Fundo todos os dias, e ele faz um esforço para que isso realmente aconteça. “A fotografia sempre tem um compromisso com a estética, e é necessário observar a cidade constantemente, pois em todos os cantos da cidade é possível fazer essa relação com a história. Desde que começou a pandemia, eu comecei a fotografar quase que diariamente situações do cotidiano para registrar esse momento”, finalizou.




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