A preservação de um patrimônio que é de todos

Restauração da Catedral Nossa Senhora Aparecida chega à metade da primeira etapa

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Painel restaurado é montado em forma de mosaico -  Fotos – LC Schneider-ONPainel restaurado é montado em forma de mosaico -  Fotos – LC Schneider-ON
Painel restaurado é montado em forma de mosaico - Fotos – LC Schneider-ON
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“Toda a obra de reforma tem por objetivo preservar um patrimônio que é de todos, no momento sob a nossa responsabilidade”. Assim, o padre Ari Antônio dos Reis define a restauração da imponente Catedral Nossa Senhora Aparecida de Passo Fundo. Os trabalhos são proporcionais ao tamanho e a importância do prédio. “A primeira etapa é a restauração dos vitrais, que começou em março. A segunda etapa será o restauro e pintura interna”, disse o pároco da Catedral. O orçamento fica atrelado à mão-de-obra especializada e às imensas dimensões do espaço. “A terceira etapa será o restauro da fachada”, completou.

 Artístico e sagrado

A restauração dos vitrais é complexa, pois utiliza várias técnicas para preservar a história e enaltecer a arte sacra. “Um trabalho delicado pelo potencial artístico e sagrado dessas peças. A olho nu a gente não consegue perceber o estrago”, explicou Padre Ari. Os vitrais foram fabricados pela renomada Casa Genta, em trabalho artesanal do artista alemão Max Dobmeier e do espanhol Francisco Huguet, cujas assinaturas aparecem em algumas dessas molduras. “É bem complexo, pois tem que retirar o vitral da armação e, com muito cuidado, levar até Guaporé. Desmontam, restauram e fazem a remontagem preservando as peças”.

Painel por painel

Ao entrarmos na Catedral, logo detectamos a luminosidade externa através dos vitrais laterais. Em formato vertical, são painéis artísticos confeccionados em vidro. Sete de cada lado. “Os 14 painéis representam as 14 estações da Via Sacra”, detalhou Padre Ari. A restauração dos vitrais começou pelo lado direito de quem entra. Um serviço em etapas, com a retirada e reposição de dois, depois outros dois e mais um que regressou ao local de origem na quarta-feira. Assim, já são cinco vitrais restaurados e reinstalados. Agora, lado a lado com os que não passaram pela reparação, já permitem um significativo contraste visual. Para esta sexta-feira, 09, está programada a retirada de mais dois painéis para completar o restauro dos sete painéis de um lado. É a metade da primeira etapa.

Dimensão de acolher

Em relação ao restauro da fachada, o pároco faz a leitura da dimensão externa da Catedral. “Ela comunica Passo Fundo para o mundo. Em qualquer evento, falam da Catedral e da Cuia. Então, ela comunica”. E internamente? “Ela tem a dimensão de acolher. É o papel de fato de uma igreja-mãe, acolher as pessoas para orações e para o silêncio”. O padre destaca a quantidade de pessoas que frequenta o espaço diariamente. E relata um episódio. “Fechamos as portas da Catedral por 30 minutos, para que Dom Rodolfo (arcebispo de Passo Fundo) participasse de uma gravação. As pessoas, que não entendiam o que estava acontecendo, queriam entrar. Mas não houve problemas, pois foi rápido”, contou em tom análogo ao fluxo de pessoas no local.

Fluxo de caixa

Além dos fluxos de pessoas na Catedral e de painéis entre Passo Fundo e Guaporé, há um inexorável fluxo de caixa entre os custos e a arrecadação. “Vamos fazendo a obra à medida da arrecadação dos recursos. Temos a parte para os vitrais, mas estamos em arrecadação”, contou Padre Ari. A imensidão da Catedral dá a dimensão dos custos. Os recursos vêm de doações que podem ser feitas pela chave PIX 54 996718616, Sicredi agência 0228 conta 79658-4.

Restaurar com técnica e a máxima preservação

 O restauro dos painéis da Catedral Metropolitana de Passo Fundo é feito em Guaporé, sob comando do arquiteto e artista sacro Cristtiano Fabris. A jornada é longa: retirada, transporte, reparos e recolocação. “É um mosaico de vidros que se encaixam em um perfil de chumbo, depois de encaixado o vidro é selado com estanho. É o mesmo processo de mil anos atrás utilizado para os vitrais góticos na Europa. As peças que não têm condições são substituídas, mas buscamos preservar ao máximo para manter o original”, explica Cristtiano. A intervenção em cada painel pode variar de acordo com suas condições de 10, 20 ou até 30 dias. “É necessária a limpeza de cada pedaço, pois com o tempo acumula sujeira e fuligem. Então a gente limpa e remonta”.

Peça sem restauração e peça restaurada

Arte sacra

Nos painéis da Catedral os vidros não foram pintados. As imagens são montagens com peças de vidros coloridos, exceto os rostos. Na reposição, Fabris utiliza vidros importados da Alemanha e Estados Unidos. “Temos uma paleta que permite mais de 200 cores. Pesquiso em fotografias e registros para reconstruir”. O trabalho é reconhecido em vários estados brasileiros e no Paraguai, onde a arte sacra tem a assinatura de Cristtiano Fabris. E, para tanto, seu atelier comporta dimensões compatíveis com as obras em vidros coloridos. “Aqui já virou atração turística”, completou em fragmento de muito orgulho.


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