Os trabalhadores dos Correios de Passo Fundo aderiram à paralisação da categoria, que já impacta diretamente os serviços desde a quarta-feira(17). Dos aproximadamente 150 funcionários que atuam no município, cerca de 80% aderiram à greve geral por tempo indeterminado, deflagrada após decisão unânime da categoria em assembleia realizada na noite de terça-feira (16). A mobilização pode provocar atrasos significativos na entrega de encomendas, especialmente neste período de grande volume devido às compras de Natal.
Em Passo Fundo, a paralisação atinge os dois Centros de Distribuição Domiciliar (CDDs) e a agência localizada na rua Morom. Segundo o sindicato, os CDDs operam com apenas 20% do efetivo, enquanto a agência central registra cerca de 90% de adesão à greve, funcionando de forma reduzida, com atendimento feito basicamente por trabalhadores da área de gestão.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios (Sintect) em Passo Fundo, Gelson Zapello, a greve é resultado da falta de avanços nas negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). “A categoria se reuniu em assembleia e, por unanimidade, decidiu pela greve geral. Estamos desde agosto pedindo negociações, que é a nossa data-base, e a empresa não apresenta propostas. Pelo contrário, empurra as decisões para o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e vai adiando as audiências”, afirma.
Zapello explica que havia uma expectativa de resolução em mediações no TST, marcadas para o início do mês. “A primeira audiência era no dia 9, foi remarcada para o dia 16 e, novamente, jogada para o dia 23, na antevéspera do Natal. A gente não quer mais adiamentos. Queremos uma decisão final”, destaca.
Movimento nacional
Para ele, a paralisação em Passo Fundo segue o movimento estadual e nacional. No Rio Grande do Sul, a adesão é considerada forte, assim como em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina. Na região Norte do Estado, municípios como Marau, Soledade e Erechim também estão mobilizados.
O presidente ressalta que entre as principais reivindicações da categoria estão a reposição salarial pela inflação e, principalmente, a manutenção dos direitos e benefícios já conquistados. “Nós não estamos pedindo aumento real. Estamos pedindo apenas a reposição da inflação e que não retirem nossos benefícios. A empresa está numa situação difícil, com um rombo bilionário, mas não são os trabalhadores que têm que pagar essa conta. Isso é problema de gestão”, ressalta o presidente do sindicato.
Segundo Zapello, os trabalhadores pretendem manter a mobilização diariamente em frente às unidades dos Correios. “Não era isso que a gente queria, mas foi a única forma de chamar a atenção da empresa. Nós queremos trabalhar, garantir nosso salário no fim do mês e colocar comida na mesa das nossas famílias. O ataque aos direitos está sendo muito grande”, frisa.
O representante da categoria afirma que enquanto não houver avanço nas negociações, a greve segue por tempo indeterminado, com impacto direto na distribuição de correspondências e encomendas em Passo Fundo e região, especialmente às vésperas do Natal, período de maior demanda dos serviços postais.


