Os funcionários das agências próprias dos Correios no Rio Grande do Sul realizaram, nesta terça-feira (9), uma paralisação parcial das atividades. O movimento, que não afetou as unidades franqueadas, teve como objetivo pressionar a empresa a apresentar avanços concretos nas negociações do acordo coletivo de trabalho — processo que se arrasta desde agosto, mês da data-base da categoria.
A paralisação ocorreu em diversas cidades gaúchas, incluindo Passo Fundo, e mobilizou trabalhadores que afirmam aguardar há meses por uma proposta consistente da direção dos Correios. Uma reunião estava agendada para a tarde de hoje (9) em Brasília e, até o fechamento desta edição, ainda não havia um desfecho oficial. A categoria, porém, já projeta os próximos passos: caso a proposta não contemple as reivindicações, os funcionários podem deflagrar greve a partir da próxima terça-feira (16).
Negociações travadas desde agosto
De acordo com os trabalhadores, a pauta começou a ser debatida no início de agosto, mas o ritmo das tratativas tem sido lento. Para o diretor do Sintect/RS - Subsede Passo Fundo, Gelson Luís Zapello, essa demora revela descaso da empresa com os próprios funcionários.
“Nós temos, em nível estadual, um dia de paralisação porque a empresa está reunida com as federações em Brasília. Ela deve apresentar uma proposta, porque todo o dissídio vem se arrastando desde 1º de agosto, nosso mês-base, e, até agora, já estamos há cinco meses sem avanços. Se a empresa não vier com proposta decente, sem retirada de direitos, aí sim vamos paralisar por tempo indeterminado, a partir do dia 16”, explicou Zapello.
Reivindicações da categoria
Os funcionários afirmam que os direitos dos trabalhadores estão sendo ameaçados, enquanto condições essenciais de trabalho se deterioram. Entre os principais pontos da pauta está o plano de saúde, que enfrenta instabilidade devido à falta de repasses a prestadores, deixando trabalhadores temporariamente descobertos.
“O plano está precário. Não é sempre que temos atendimento, porque falta pagamento aos prestadores. Ficamos sem cobertura em vários momentos”, destacou Zapello.
Outra questão está relacionada à reposição salarial e benefícios, visto que a categoria pede reposição inflacionária nos salários e no vale-alimentação. Eles também defendem a manutenção do “13º Ticket”, um benefício existente desde 1998 e que, segundo os trabalhadores, corre risco de ser cortado na nova proposta. “Para nós, perder esse benefício é um impacto muito grande”, afirmou o diretor sindical.
Também é reivindicada a manutenção das agências próprias dos Correios, pois há a perspectiva de encerramento de mais de mil agências no país. “Queremos que a população continue tendo atendimento em sua cidade. Fechar agências prejudica diretamente o serviço público”, disse.
Por fim, os funcionários pedem que seja mantido o serviço terceirizado de limpeza. Segundo Zapello, muitas unidades estariam sem essas equipes, levando os próprios funcionários a assumirem essa função. “É um descaso. Estamos sem esses profissionais, e nós mesmos acabamos fazendo a limpeza”, relatou.
A situação em Passo Fundo
A situação em Passo Fundo também foi afetada. Atualmente, a cidade possui apenas uma agência própria dos Correios, localizada na rua Moron. As demais existentes na cidade são franqueadas e, portanto, não fazem parte do movimento.
Conforme o Sintect/RS, na agência de Passo Fundo, apenas cerca de 20% do efetivo trabalhou durante a paralisação. Pela falta de pessoal, a unidade chegou a fechar ao meio-dia para que os trabalhadores pudessem usufruir do intervalo de almoço.
Na região do Planalto e Alto Uruguai, cerca de 60 agências próprias atendem à população, e todas podem ser impactadas caso a greve seja confirmada na próxima semana.
Reunião decisiva e possibilidade de greve
A reunião entre representantes da empresa e federações dos trabalhadores estava marcada para hoje (9). O resultado, que não havia sido divulgado até o fechamento desta edição, será avaliado em assembleia na próxima segunda-feira (15), quando a categoria decidirá se aceita ou não a proposta dos Correios.
Se rejeitada, a greve começará à zero hora de terça-feira (16). “A assembleia é soberana. Quem decide é a categoria. Mas deixo claro: ninguém aqui quer parar. Queremos atender a população e trabalhar, mas precisamos ter nossos direitos garantidos. A empresa precisa ser salva, mas não às custas do trabalhador, que não foi quem causou o rombo financeiro”, reforçou Zapello.



