O delivery já representa, em média, 30% do faturamento dos bares e restaurantes gaúchos e segue em expansão em 2026. Somente em janeiro, o volume de pedidos via iFood no Rio Grande do Sul cresceu 14,9% em comparação com o mesmo período do ano passado. O Estado é hoje o quinto maior mercado da plataforma no país, com cerca de 70% dos pedidos vindos de cidades do interior — movimento que também se reflete em Passo Fundo.
No município, o setor é considerado um dos que mais crescem dentro do segmento de alimentação fora do lar. Segundo o presidente do Sindicato dos Hotéis, Bares e Restaurantes de Passo Fundo, Leo Duro, a transformação começou ainda na pandemia e se consolidou como estratégia permanente das empresas.
“Durante a pandemia, muitas empresas que antes trabalhavam só com atendimento no local passaram para o delivery para garantir a própria existência, diante das restrições de contato”, explica. Depois desse período, conforme ele, os empresários perceberam o potencial de mercado e a redução de custos operacionais, optando por manter e ampliar a modalidade.
Nasce no planejamento
Hoje, segundo Leo, o delivery já faz parte do planejamento de novos empreendimentos na cidade. Restaurantes, cafeterias e lanchonetes têm estruturado espaços específicos para retirada de pedidos, com portas exclusivas para motoboys e fluxos organizados para atender à demanda online. “A gente percebe que, quando uma empresa abre, essa questão já vem englobada no projeto. É algo estrutural”, afirma.
Além das grandes plataformas, muitos estabelecimentos passaram a investir em canais próprios, principalmente pelo WhatsApp. “A maioria das empresas já desenvolve seus próprios sistemas de pedido online. Fazer o pedido direto com o estabelecimento é uma sugestão do sindicato, porque muitas vezes nas grandes plataformas há taxas maiores, e essa fatia do valor não fica com o restaurante”, destaca.
Segundo ele, ao optar pelo contato direto, o consumidor pode pagar menos e contribuir para que uma parcela maior do faturamento permaneça na economia local. “É um ganha-ganha. Mantendo o valor dentro do município, a gente fortalece a cadeia produtiva e amplia as vagas de trabalho”, diz.
Interior em destaque
O avanço observado em Passo Fundo acompanha o cenário estadual. Em 2025, o iFood chegou a 44 novas cidades gaúchas, ampliando em 10% o número de municípios atendidos em apenas três meses. Hoje, a base de parceiros está distribuída em 478 cidades do Estado.
O crescimento também aparece no número de restaurantes cadastrados: entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, houve aumento de 57% na base. No comparativo entre 2025 e 2026, o salto foi de 159%.
Outro dado que reforça a consolidação do setor é a diversificação: além dos restaurantes, supermercados e farmácias ampliaram a presença nas plataformas.
Motoboys nas ruas
O crescimento do setor também impacta o trânsito e o mercado de trabalho local. Em Passo Fundo, Leo Duro observa aumento no número de motoboys, especialmente nos horários de pico, como almoço e jantar.
“Hoje a gente vê um crescimento no número de motoboys nas ruas. Existe sindicato ativo, representação de classe, e isso ajuda na preparação e na educação de trânsito, garantindo menos acidentes”, afirma.
Para o presidente do sindicato, o delivery deixou de ser uma alternativa emergencial e se tornou uma tendência global consolidada. “É a alimentação fora do lar no lar. Tu pede em casa uma comida produzida fora. É um sistema com crescimento exponencial no município e em todo o Brasil, e a tendência é de cada vez mais estabelecimentos trabalharem nessa forma de venda”, conclui.
Com novos players previstos para entrar no mercado gaúcho ao longo do ano, a expectativa é de que a concorrência amplie ainda mais o ambiente digital de entregas.



