Município mantém índice zero de feminicídios desde 2025

Dia Internacional da Mulher reforça luta contra a violência e mobiliza ações de conscientização durante o mês. Evento realizado no centro da cidade reuniu forças de segurança e instituições da rede de apoio;

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Ação de conscientização foi realizada no centro da cidade - Fotos: Isabela Almeida/ONAção de conscientização foi realizada no centro da cidade - Fotos: Isabela Almeida/ON
Ação de conscientização foi realizada no centro da cidade - Fotos: Isabela Almeida/ON
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O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, está longe de ser apenas uma data de celebração. Mais do que homenagens ou gestos simbólicos, a data carrega um significado histórico de luta por direitos, igualdade e, sobretudo, pela garantia da vida das mulheres. Em todo o mundo, o dia é marcado por reflexões sobre desigualdades estruturais e pela mobilização social contra a violência de gênero.

Em Passo Fundo, o tema ganhou destaque nesta semana com uma ação de conscientização realizada na quinta-feira (5), no centro da cidade. A atividade reuniu forças de segurança e diferentes instituições da rede de proteção às mulheres, que distribuíram materiais informativos e orientaram a população sobre formas de prevenção, denúncia e acolhimento em casos de violência.

A mobilização integra as ações do mês da mulher e tem como objetivo ampliar o acesso à informação, estimular a denúncia e fortalecer a rede de apoio às vítimas. O trabalho conjunto entre segurança pública, instituições de ensino e poder público tem sido apontado como um dos fatores que contribuem para um resultado expressivo no município: Passo Fundo mantém índice zero de feminicídios desde 2025.

Canais de denúncia

Segundo a delegada da Polícia Civil e titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), Rafaela Weiler Bier, a divulgação dos canais de denúncia e a atuação integrada entre os órgãos têm sido fundamentais para interromper o ciclo de violência antes que ele evolua para situações mais graves.

“Encerramos o mês de fevereiro com 505 registros de ocorrência, um número que mantém a média de 2025. O que percebemos é que a divulgação dos canais de denúncia e a atuação integrada da rede — Polícia Civil, Brigada Militar, Guarda Municipal, Patrulha Maria da Penha e os órgãos do Executivo — têm contribuído para que as vítimas procurem ajuda mais cedo. Isso impacta diretamente na redução dos índices de feminicídio em Passo Fundo, que vai na contramão do Estado”, afirma.

Enquanto o Rio Grande do Sul já registra 20 feminicídios em 2026, Passo Fundo segue sem registros desse tipo de crime desde o ano passado. Para a delegada, o resultado está ligado tanto ao trabalho preventivo quanto à repressão qualificada contra agressores. Somente nos dois primeiros meses do ano, 35 homens foram presos por crimes relacionados à violência contra a mulher. “Celebrar o Dia Internacional da Mulher é, antes de tudo, garantir que as mulheres tenham voz, segurança e liberdade para ocupar seu espaço na sociedade sem o medo da violência. Essa é a missão que orienta o trabalho da Polícia Civil”, destaca Rafaela.

Violência exige resposta coletiva

Embora iniciativas locais apresentem resultados positivos, o cenário nacional ainda revela números alarmantes. Dados recentes apontam que, no Brasil, uma mulher é morta a cada três dias em razão de sua condição de gênero. Para a professora e pesquisadora Josiane Petry, integrante do projeto Projur Mulher e Diversidade da Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo (UPF), os números demonstram que apenas a legislação não é suficiente para enfrentar o problema.

O projeto, que atua há mais de duas décadas no município, oferece assistência jurídica gratuita e acolhimento psicológico e social a mulheres vítimas de violência, além de atender filhos das vítimas e a população LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade.

“Avaliando a situação dos feminicídios, nós observamos que é o delito de maior pena na legislação brasileira, podendo chegar a 40 anos de prisão, e ainda assim mulheres continuam morrendo. No ano passado, no Rio Grande do Sul, foram 80 mulheres assassinadas. Nos dois primeiros meses de 2026 já são 20”, explica.

Para a especialista, o enfrentamento da violência exige políticas públicas permanentes, investimento e articulação entre diferentes setores da sociedade. “Para cada mulher que morre violentamente, existe uma pessoa que mata violentamente. Em 97% dos casos no Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, é um homem que comete o crime. Isso precisa ser discutido no âmbito das políticas públicas. Incentivar a denúncia é fundamental, mas o período logo após a denúncia é também um dos mais perigosos para a vítima. Precisamos fortalecer as políticas de proteção nesse momento”, alerta.

Conscientização como ferramenta de prevenção

A presença das forças de segurança na ação realizada no centro da cidade também teve o objetivo de ampliar a conscientização da sociedade sobre as diferentes formas de violência que atingem as mulheres.

A major da Brigada Militar Andreza do Amarante dos Santos destaca que a violência doméstica vai muito além das agressões físicas e que a informação é uma das principais ferramentas de prevenção. “Esses eventos dão visibilidade para uma causa que precisa ser constantemente discutida. A violência doméstica não é apenas a agressão física. Existem violências psicológicas, morais e patrimoniais que muitas vezes passam despercebidas, mas que também causam danos profundos”, explica.

Para ela, combater a violência contra a mulher exige o envolvimento de toda a sociedade, e não apenas das vítimas. “Não é só a mulher que precisa estar consciente. A sociedade como um todo precisa compreender que violência doméstica não é um problema privado.

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