Área de trigo deve crescer, mesmo com preço baixo

Estimativas iniciais da Emater apontam para um aumento de área cultivada do grão entre 7% e 10%. Crescimento ainda será confirmado com o levantamento da estimativa de produção

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Trigo é a cultura com maior expressão econômica e ocupa a maior área de plantio no invernoTrigo é a cultura com maior expressão econômica e ocupa a maior área de plantio no inverno
Trigo é a cultura com maior expressão econômica e ocupa a maior área de plantio no inverno
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O aumento do preço do mínimo do trigo em apenas 5% não agradou aos triticultores. Com o reajuste o valor parra de R$ 31,86/60 kg para R$ 33,45/60 kg, o que corresponde a R$ 557,50/tonelada, para a classe Pão, tipo 1, na região Sul, conforme dados da Farsul. Mesmo assim, a região de abrangência da Emater Regional de Passo Fundo deverá ter um aumento na área produzida entre 7% e 10%. O dado deverá ser confirmado com o levantamento das intenções de plantio para a próxima safra.

O presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, destaca que para o trigo, o reajuste não repõe nem a inflação do período. “Tínhamos pedido 17% para pelo menos empatar com o aumento no custo de produção. O reajuste representa 30% do nosso pedido. O produtor terá que colher 55 sacos por hectare para empatar com o custo e na última safra, com excelente produtividade, foram colhidos 50 sacos. O cenário é de desestímulo para a nova safra”, ressaltou Hamilton por meio do site da Farsul.

Para o engenheiro agrônomo da Emater Regional de Passo Fundo Claudio Dóro os agricultores estavam pleiteando um valor superior ao estipulado como preço mínimo principalmente devido ao aumento dos custos de produção. “O trigo é uma cultura que demanda bastante fertilizantes e defensivos e ambos tiveram um aumento bem significativo de um ano para o outro o que impacta no custo de produção. Então para o agricultor trabalhar com lucratividade ele tem que ter um preço mínimo que cubra os custos e deixe uma margem de lucro, por isso que esse preço mínimo não atende a necessidade”, explica.

Mesmo não sendo o preço ideal, Dóro acredita que isso não deverá ter um impacto negativo na área cultivada na próxima safra que se inicia em maio. Segundo ele, ao planejar os cultivos de inverno o agricultor destina apenas de 30% a 35% da área total para o cultivo de trigo, isso devido a necessidade de rotação de culturas a fim de evitar a propagação de moléstias, principalmente fungos de solo. Outro benefício esperado com o trigo é a sustentação de palha para o plantio direto. “Na média e na grande propriedade deve ter um aumento de 7% a 10% em relação à safra anterior. Mesmo com o preço não sendo tão favorável. Até porque se observarmos a demanda pelo crédito rural está crescendo e a reserva de sementes está aquecendo agora que estamos indo para o final da colheita da soja”, esclarece.

O trigo é a cultura com maior expressão econômica e ocupa a maior área de plantio no inverno. “A melhor opção de plantio de inverno é o trigo”, reforça. Ele justifica a afirmação enfatizando que hoje estão disponíveis no mercado boas cultivares com alto potencial produtivo. Além disso, o agricultor tem de trabalhar a cultura com boa tecnologia para garantir um bom resultado. “O fator climático é incontrolável, mas com os boletins meteorológicos o agricultor tem como planejar o plantio baseado nas previsões”, aconselha.

Contestação
Os dados da Conab estão sendo analisados pelo diretor da Farsul Hamilton Jardim para futura discussão com o Ministério da Agricultura. Em reunião realizada nesta semana no Mapa, em Brasília, o ministro Neri Geller se comprometeu a revisar o preço mínimo caso seja comprovada existência de problemas na tabela. “O propósito da Farsul é discutir com a Conab visando a encontrar um consenso para que o preço mínimo possa ser reajustado e sirva de incentivo para o produtor aumentar a área plantada na safra de inverno 2014/2015”, destacou Hamilton.

 

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