Um ator de teatro, cinema e televisão

Exposição reúne fotos, textos e notícias de jornais sobre a trajetória do passo-fundense Delorges Caminha

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exposição pode ser visitada de segunda a sexta, das 13h30 às 17hexposição pode ser visitada de segunda a sexta, das 13h30 às 17h
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Em 1936, o diretor Oduvaldo Viana se preparava para filmar Bonequinha de Seda, um musical romântico que tinha como estrela principal Gilda de Abreu. Para fazer o papel de galã, o nome indicado por ela era Vicente Celestino, que além de marido da atriz, já era conhecido como a grande voz do país. No entanto, a direção acabou escolhendo para a vaga, o passo-fundense Delorges Caminha. Sucesso de bilheteria, o filme projetou a carreira do ator no cenário nacional. Esta e outras histórias podem ser conferidas na exposição Delorges Caminha, que iniciou no dia 7 de novembro e segue até 4 de dezembro, na sala Desdêmona, do Teatro Municipal Múcio de Castro. A entrada é gratuita. 


O trabalho reúne textos, fotografias, cartazes dos filmes estrelados por Delorges, além de notícias e convites para as peças do ator. A curadoria é do historiador Ney Eduardo Possap d´Avila e do escritor Marcos de Andrade. Juntos, eles realizaram a pesquisa biográfica e reuniram as imagens, a maioria retirada da internet.

Embora seja o passo-fundense com maior projeção nacional, na televisão, cinema e teatro, a trajetória do ator ainda é pouco conhecida em sua terra natal. A falta de conhecimento sobre a carreira dele só não é ainda maior, porque Delorges Caminha acabou virando o nome de um grupo teatral fundado em 1944 e que atuou até 1981, tendo entre seus integrantes, o farmacêutico e advogado, Paulo Giongo, falecido em agosto passado.

"Nossa intenção com a exposição é justamente resgatar e divulgar o nome, a trajetória, a carreira artística do Delorges. Uma figura que saiu daqui para realizar grandes trabalhos no cinema, TV e teatro", observa Ney.

Responsável pela pesquisa biográfica, o historiador chama a atenção para o fato de que o interesse de Delorges pelas artes cênicas despertou logo na adolescência. Encantado com a magia de um circo que esteve na cidade, decidiu seguir com a trupe. Ao retornar, integrou o Grupo X de teatro amador, onde desempenhou várias funções, até pisar no palco como ator.

Segundo o curador, a guinada na carreira viria por volta dos 20 anos, quando troca Passo Fundo pelo centro do país e emprega-se numa companhia de teatro profissional, desempenhando a função de auxiliar de cenógrafo. Logo depois, ingressa como ator na Companhia de Teatro de Déa Selva e Darcy Cazarré. O talento a cada interpretação vai despertando o interesse de outros grupos. Em 1925, Delorges passa a fazer parte da Companhia Nacional de Operetas, onde atuavam os irmãos João e Vicente Celestino.

No mesmo ano, junto com o famoso cantor, o ator retorna a Passo Fundo, pela primeira vez desde sua partida para o centro do país, para uma sequência de 10 apresentações no lendário Teatro Coliseu, na rua General Neto, centro da cidade. Delorges ainda integrou a Companhia de Comédias de Procópio Ferreira, pai da atriz Bibi Ferreira, antes de abrir a sua própria. Em 1944, ele cria a Companhia de Comédias Delorges Caminha e retorna novamente à terra natal. Durante a permanência de uma semana, apresenta aos passo-fundenses sete peças teatrais diferentes no extinto Cine Imperial.

Trajetória no cinema

A participação como galã no filme Bonequinha de Seda, foi sem dúvida, o grande impulso na carreira do passo-fundense. Ney afirma na pesquisa que a obra ‘é considerado até hoje um marco na cinematografia brasileira’, permanecendo em cartaz durante cinco semanas, no Cinema Palácio, no Rio de Janeiro. Um recorde para os padrões da época.

Ney chama a atenção para o fato que, mesmo com o sucesso e reconhecimento do público pelo trabalho no cinema, o ator direciona a carreira para o teatro e volta a filmar somente em 1944 no musical carnavalesco Berlim na Batucada, com argumento do compositor Herivelton Martins. No elenco, um time da ‘pesada’ como Procópio Ferreira, Solange França, Dorival Silva, e Francisco Alves, o ‘Rei da Voz’. Também atuou nos filmes Crime Sacopã (1963), Sherlock de Araque, com Costinha, e O Homem que chutou a consciência. Na televisão fez parte dos elencos das novelas 'O homem proibido', produzida pela Rede Globo, em 1967, também conhecida por Demian, o Justiceiro, baseado em um romance de Nelson Rodrigues. Além do grande sucesso da emissora, Irmãos Coragem, de Janete Clair, exibida em 1970. Delorges faleceu em abril de 1971, aos 69 anos.

 

 

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