Lideranças apostam em mudanças

Reformas tributária e previdenciária, além de investimentos em educação, saúde e segurança, são consideradas prioridades pela maioria

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Depois de um processo eleitoral dos mais disputados da história, 2018 encerra com a expectativa de mudança. Lideranças de Passo Fundo avaliam o ano que encerra e projetam esperança para 2019. Reformas tributária e previdenciária, além de investimentos em educação, saúde e segurança, são consideradas prioridades pela maioria.


O comércio é o setor mais otimista. O mercado como um todo reagiu bem e novembro já foi um mês positivo para o varejo em termos de venda e de crescimento. Conforme explica a presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas(CDL), Carina Sobiesiak, o diferencial para o próximo ano é a confiança tanto dos empresários quando dos consumidores. “O empresário, diante de tantas incertezas teve que pisar no freio e mesmo com caixa positivo resolveu esperar para investir. O consumidor cortou gastos e fez uma poupança para precaução. Então para 2019 nós esperamos essa retomada da confiança, onde os investimentos saem do papel, o dinheiro que estava guardado volte a circular na economia e até quem não tem recursos momentaneamente possa vir a buscar um crédito para poder comprar. A gente espera que já nos quatro primeiros meses, as vendas cresçam no varejo em torno de 5%”, disse.


Os dois grandes investimentos que o município recebeu neste ano – Passo Fundo Shopping e a megaloja Havan – já foram responsáveis pelos bons índices apresentados no segundo semestredeste ano e expectativa positiva no decorrer do ano que vem. “O crescimento esperado da economia pode demorar algum tempo para se organizar, porque nós percebemos que ainda há uma taxa muito grande de desemprego. Por outro lado, essa ideia foi em parte superada em Passo Fundo, já que nós conseguimos gerar bastante emprego e o município está um uma situação bem melhor que outras cidades do estado ou até mesmo do Brasil”, diz Carina.


Para o presidente do Sindilojas, Jefferson Kura, um dos maiores desafios dos empresários do comércio junto aos novos governos é buscar a redução de impostos. “A carga tributária é muito injusta. Além de se ter uma carga tributária alta, não traz retorno para a comunidade. Para o comércio varejista o imposto é duplicado, o que se reflete no consumidor no final, que paga mais caro pelo produto”, diz. Os empresários apostam em reformas estruturantes. Mas acima disso, desejamos realmente um ano de sucesso para o comércio de Passo Fundo e que as empresas continuem investindo no nosso município. Isso é muito importante”, ressalta Kura.


A expectativa no setor do comércio, serviço, indústria e agronegócio é superar a chamada crise de confiança. Durante o decorrer deste ano e também de 2017, muitas pessoas e empresas deixaram de fazer os investimentos, não apenas pela dificuldade financeira, mas também pela incerteza do cenário político, conforme explica o presidente da Acisa, Evandro Silva. Conforme Evandro, além da crise que se estende desde 2014 e a instabilidade política, a falta de confiança nas pessoas e nos empresários foi maior em 2018. Ele acredita que com os projetos de governo definidos para os próximos quatro anos, a retomada desta confiança seja importante para pensar em voltar a investir no país.


Um exemplo da mudança do cenário que se espera para o próximo ano já pode ser verificado durante a Expoacisa, realizada em novembro. “Em conversa com empresas de diversos segmentos acabou se confirmando que novos investimentos virão, seja no agro, de agricultores comprando equipamentos ou fazendo investimentos nas suas áreas, seja na construção civil, prédios que estão começando a ser lançados agora no final deste ano e início do ano que vem. As empresas estão ampliando as suas atividades em Passo Fundo. A gente não pode ter uma avaliação de que tudo será diferente em 2019, mas isso contribui para que o nosso pensamento seja de que será melhor, porque teremos mais empresas gerando mais empregos e, consequentemente, mais vendas”, complementa.

 

Construção e Mobiliário
Outro setor que vem sofrendo com a crise prolongada, mas que aposta em anos melhores, é a construção civil. De acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Passo Fundo (Sinduscon), Leonardo Gehlen, o novo governo já anunciou que deve investir forte no setor com o aumento de crédito e linhas de financiamento. “É uma área que absorve muita mão de obra e o país, com 13 milhões de desempregados, precisa investir nesse segmento. O setor está animado, prova que muitos investidores já voltaram a apostar no mercado imobiliário”, disse.


O presidente do Sinduscon relembra ainda que o setor recebeu a notícia no último mês da nova Lei do Distrato. A Lei pretende dar mais segurança jurídica para as incorporadoras, já que a partir do próximo ano, quando o consumidor realizar um distrato em uma compra as multas podem chegar até 50% do valor já pago pelo imóvel. “As regras até então vigentes causaram grandes transtornos no setor da construção civil nos últimos anos. As pessoas simplesmente compravam e depois, desistiam do negócio e recebiam de volta com multas muito baixas, deixando as construtoras e incorporadoras na mão”, completa.


Em Passo Fundo, a maior expectativa para 2019, é a retomada da Construmóveis. Depois de três anos sem lançar a feira, ela já está confirmada para o mês de outubro, e irá trazer grandes investimentos e lançamentos imobiliários para o município e região. “Além da retomada da feira, que é um ícone no setor da construção e do imobiliário, está claro que a cidade terá grandes lançamentos no ano que vem para o setor. Construtoras e incorporadoras já estão à procura de terrenos e de novos negócios para construir, principalmente novos edifícios e empreendimentos. Temos ótimas perspectivas”, finaliza Gehlen.

 

Cenário Político
Uma das maiores bandeiras do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), é o combate à corrupção. O futuro presidente da Câmara de Vereadores, Fernando Rigon (PSDB), diz que se o presidente fizer o que prometeu, de acabar com a corrupção, será um grande governo, porque então vai sobrar dinheiro para as obras, para a saúde e para a educação. Em relação ao governo do Estado, Rigon disse que a projeção é de credibilidade em relação a gestão de Eduardo leite. “Nós apoiamos ele, que é do nosso partido. Eduardo Leite é uma pessoa jovem que realizou uma grande gestão em Pelotas e acreditamos que possa também fazer essa grande campanha a nível estadual, podendo com isso oferecer credibilidade para começar a resolver os problemas do Estado. É necessário principalmente colocar as contas em dia, porque não há como ter segurança, educação e saúde se nós não tivermos um funcionário público recebendo em dia, e é uma promessa do Eduardo Leite de já no primeiro ano ajustar essa questão, e certamente que se os salários estão em dia as contas também estão em dia e se começa um novo rumo para o Rio Grande do Sul”, esclarece Rigon.


O vereador aposta na manutenção do bom momento para Passo Fundo, com novos empreendimentos e geração de emprego. Adverte, porém que é preciso olhar para a saúde pública e, diz que apesar de sermos um grande polo de saúde na região Sul, ainda há muita deficiência para as pessoas que moram em Passo Fundo.

 

Trabalhadores temem por reformas
O coordenador do Sindicato dos Bancários de Passo Fundo, Nelson Antônio Fazenda, disse que o grande desafio dos trabalhadores é evitar a onda privatista dos governos que assumem. Segundo ele, tanto bancos quanto outras estatais, se privatizadas vão gerar desemprego e, por consequência, reduzir o poder de ganho e de compra dos trabalhadores. Ele defende mobilização nacional para enfrentar o tema e amplo debate para que boa parcela da sociedade saiba o que realmente implica o processo de privatização.


“Pode ser bom para os empresários que assumirem as estatais, mas o resto da população vai pagar caro por causa da privatização”, disse. Advertiu que os governos não querem só privatizar bancos, mas também estatais que cuidam de serviços essenciais como água e saneamento. Outro desafio a ser enfrentado pelos trabalhadores, segundo Fazenda, é a reforma da previdência. “Nós queremos uma previdência que garanta a cada brasileiro uma aposentadoria digna, que se possa viver sua fase pós laboral dignamente e não precise de empréstimo ou de favor. Aquele que dedicou 40 anos da vida para a sociedade e para o país deve ser reconhecido. E a reforma, que vem com o novo governo pode ser proposta inclusive de uma forma ainda mais prejudicial. Eu nem costumo falar em reforma, é uma caça aos direitos dos trabalhadores”, salienta.


Fazenda disse que os próximos anos serão de resistência ao modelo que está se instalando no país. “É uma perspectiva que já não tem compromisso com a maioria da população brasileira, porque as medidas a serem adotadas atacam prontamente os diretos dos trabalhadores e terão reflexos altamente negativos”, disse.

 

Passo Fundo comemora bons resultados
O prefeito Luciano Azevedo destaca que Passo Fundo, na comparação com outros municípios, vive uma realidade muito boa e que deve melhorar ainda mais em 2019. “Certamente colheremos os frutos do que foi plantado nos últimos anos, alguns até já mostrando resultados, como a geração de emprego e renda, por exemplo”, diz. Segundo ele, diante do cenário que se aponta nacionalmente, de boas projeções e otimismo com relação ao crescimento da economia, o município terá condições de crescer ainda mais e fazer ainda mais pela nossa comunidade. “Se cresce a economia do país, crescemos juntos. E temos o que comemorar em todas as áreas”,acrescenta. O prefeito cita as diversas obras em andamento, como a revitalização da avenida Brasil e a remodelação do Hospital Municipal, redução do índice de mortalidade infantil, escolas municipais sendo inauguradas e construídas, ampliação do atendimento de saúde nos bairros através das novas unidades de saúde. “Isso é prova de que estamos no caminho certo, pois tudo foi feito em meio a maior crise que o país já viveu nas últimas décadas”,afirma. Disse ainda que os investimentos do setor privado, apoiados pela Prefeitura, dão o tom do crescimento da cidade. Além disso, pondera que a participação das entidades, ao lado dos poderes constituídos, é fundamental para que a comunidade siga unida e com objetivos comuns. Isso torna Passo Fundo uma cidade diferenciada.

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