O adeus a Djanira Ribeiro

Sambista e uma das principais vozes do movimento negro em Passo Fundo, a intérprete foi a óbito na madrugada deste domingo devido a complicações cardiovasculares

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Djanira Ribeiro, 76, estava internada desde o dia 15 de junhoDjanira Ribeiro, 76, estava internada desde o dia 15 de junho
Djanira Ribeiro, 76, estava internada desde o dia 15 de junho
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O domingo (30) foi de despedida para uma das maiores vozes da música passo-fundense. Por volta das 2h da manhã, a professora, sambista, intérprete, compositora e liderança do movimento negro, Djanira Ribeiro, foi a óbito devido a complicações cardiovasculares no hospital em que estava internada desde o dia 15 de junho, data em que sofreu uma parada cardiorespiratória durante uma apresentação em um bar da cidade. Desde então, ela permanecia hospitalizada, e seu quadro de saúde vinha piorando dia após dia.


Integrante da família que fundou o Clube Visconde do Rio Branco, escola de samba referência na história cultural da cidade, Djanira começou a participar da cena musical ainda criança, quando levada pela mãe as rodas de samba, recebeu o primeiro incentivo para o canto. Ainda jovem, assumiu a batuta da escola e revolucionou os desfiles em Passo Fundo.


Considerada peça chave, ela atuou em quase todas os setores do Visconde. Desde a criação dos enredos, desenhos e confecção das fantasias, até a composição e interpretação do samba-enredo. Foi nesse período que ela trouxe para o carnaval de Passo Fundo diversos elementos presentes nas escolas do Rio de Janeiro, como as figuras do mestre-sala e porta-bandeira, introdução da harmonia para acompanhar a bateria, e comissão de frente. A carnavalesca também teve importante papel na escola Bom Sucesso e fez história no carnaval de Santa Maria com a conquista de um título no comando da Unidos do Itaimbé.


Com o fim do carnaval na cidade, ela passou a apresentar seu samba em bares e casas noturnas. Atualmente, também atuava como coordenadora geral da Confraria de São Miguel - Grupo Alforia, que através da fé cristã divulga a cultura afro no município e na região.
Ícone do movimento negro, seu enterro foi acompanhado por carnavalescos, integrantes da cultura afro, do candomblé e da umbanda. Djanira tinha 76 anos e deixa 4 filhos - Ludmila, Odorico, Alexandre e Gustavo - 6 netos e 2 bisnetos. A cerimônia de cremação aconteceu às 17h deste domingo, no Memorial Vera Cruz.


Veja algumas homenagens:


"Nossa família vive um momento de muita tristeza em que faltam palavras para descrever o tamanho dessa perda. A Djanira veio para esse mundo incumbida de levar a cultura através daquilo que ela herdou de Deus: sua voz brilhantee o seu talento imensurável. Durante 76 anos, por onde passou, ela promoveu a alegria, a cultura, o amor e a dedicação. Toda comunidade negra chora sua partida ao mesmo tempo em que celebra seu legado".
Maria de Lourdes Isaias - tia de Djanira, historiadora e pesquisadora da cultura afro

 

"Uma perda, uma lástima para todos nós. A Djanira foi uma mestra em todos os sentidos, no carnaval, na cultura de Passo Fundo. Foi uma das primeiras a levantar a bandeira do movimento negro na cidade. Hoje é um dia cinza para todos seus familiares, amigos e admiradores".
Naiara Cavalheiro - Carnavalesca

 

"A Djanira tinha o coração na Visconde do Rio Branco e na Bom Sucesso. Aprendi a gostar de carnaval com ela. Meu primeiro desfile foi em 1991, com a Dja".
Márcio Marques - Mestre de bateria

 

"A Dnajira me trouxe de Porto Alegre para Passo Fundo, onde participei do meu primeiro carnaval em 1992, com ela, em um evento regional. Ela foi um ícone da cultura popular e todos lamentamos essa perda irreparável. Hoje ela está no céu, fazendo samba juntamente com outros que já nos deixaram".
Nery Ribeiro - Carnavalesco

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