Na rota histórica dos crimes locais

Projeto ?EURoeHistória Local e Criminal?EUR? conduz a reconstituição oral de infrações penais cometidas durante a formação da cidade

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Três guias conduzem os visitantes por um passeio histórico e criminal pelas ruas de Passo FundoTrês guias conduzem os visitantes por um passeio histórico e criminal pelas ruas de Passo Fundo
Três guias conduzem os visitantes por um passeio histórico e criminal pelas ruas de Passo Fundo
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Em fins do século XIX, Maria Meireles Trindade teve o pescoço cortado de um extremo ao outro, nas imediações do Parque da Gare, próximo ao riacho em que lavava roupas quando houve a degola diante da negativa de dar informações sobre o paradeiro do marido e do filho, que lutavam na Revolução Federalista. Esse assassinato, responsável por mobilizar parte da população passo-fundense, à época, é um dos casos relatados durante a visitação guiada do projeto “História Local e Criminal”, narrado por membros do Arquivo Histórico Regional (AHR) e Instituto Histórico de Passo Fundo (IHPF).

 

De homicídios de crianças a conflitos políticos, incluindo a perseguição por vielas e ruas que culminaram na morte do Coronel Chicuta, a pesquisa sobre os crimes, conforme explica a coordenadora do projeto e do AHR, Gizele Zanotto, se deu em processos judiciais, registros e jornais, materiais de época disponíveis nos Arquivos Histórico Regional de Passo Fundo e Público, em Porto Alegre. “Pelo percurso que fizemos, optamos por crimes nas imediações da rota de caminhada, ou seja, Avenida Brasil – a partir da Praça da Mãe – até General Neto e dali até a Estação da Gare”, contou.

 

Embora a atividade de visitação guiada sobre história da cidade de Passo Fundo seja realizada há mais de cinco anos, a proposta “Nas Trilhas” foi formalizada em 2019, segundo ela, para melhor organizar a dinâmica de percurso. A barbárie criminal entrou na rota a partir de uma demanda docente do curso de Direito da Universidade de Passo Fundo (UPF) para o estudo de Criminalística. “Ante o pedido, a equipe reuniu-se e considerou que seria interessante agregar também parte dos estudos do projeto Museu a Céu Aberto, que trata da história cemiterial da cidade, e tratar, junto a uma abordagem da formação sócio-histórica da cidade, alguns crimes, aproximando-nos ainda mais do público de visitadores”, ponderou a historiadora.

 

Imersão histórica

Além de Gizele, os mestrandos em História da UPF e membros do Instituto Histórico de Passo Fundo, Djiovan Carvalho e Alex Vanin, atuam como guias voluntários dos grupos que solicitam o passeio, seja ele feito a pé ou em veículos motorizados, como vans ou ônibus, pontuando a história local e questões temáticas relevantes que conduzem o grupo de visitantes pelas ruas evidenciando como a cidade foi formada desde o século XIX. “A proposta é sempre pensar a formação da cidade e de sua população em sua dinâmica e riqueza cultural, social, política e econômica”, enfatizou a coordenadora.

 

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