Paralisação dos caminhoneiros não avança na região

Representante da categoria afirma que, na região Norte do Estado, trabalhadores concordaram em não aderir à greve

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Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), apesar da ameaça de greve, trânsito fluiu normalmente nas principais estradas federais do país (Foto: PRF)Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), apesar da ameaça de greve, trânsito fluiu normalmente nas principais estradas federais do país (Foto: PRF)
Segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), apesar da ameaça de greve, trânsito fluiu normalmente nas principais estradas federais do país (Foto: PRF)
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O primeiro dia da paralisação dos caminhoneiros autônomos, convocada a nível nacional a partir dessa segunda-feira (1º), mobilizou a categoria de forma pouco expressiva no Rio Grande do Sul. Manifestações pacíficas, sem o bloqueio de rodovias, foram relatadas apenas em pontos isolados do Estado – como na BR-285, no município de Ijuí, e na BR-392, em Rio Grande. De acordo com um dos representantes locais dos caminhoneiros, Flávio Lunelli, na região de Passo Fundo a categoria decidiu não aderir à greve.

A paralisação das atividades, organizada pelo Conselho Nacional do Transporte Rodoviário de Cargas (CNTRC), é uma forma de pressionar o governo federal e os governos estaduais em prol do atendimento de reivindicações da categoria, como a redução do preço do óleo diesel, que sofreu um reajuste de 4,4% nas refinarias na última semana, e a efetiva aplicação do piso do frete, criada a fim de estabelecer preços mínimos para a prestação dos serviços da categoria, mas que não vem sendo respeitada pelo mercado.

Apesar de concordar com as solicitações do movimento, Lunelli afirma que, devido à situação epidemiológica vivenciada pelo país neste momento de pandemia, a maior parte dos caminhoneiros que vivem na região Norte do Estado concordou que esse não é o momento ideal para a categoria paralisar as atividades. “Nós acreditamos que não é a hora para fazer greve e que não temos motivos absolutos para isso. Não há argumento para se começar uma greve durante uma crise mundial”, defende. Àqueles que decidissem aderir à paralisação das atividades, a orientação regional era de que os motoristas se manifestassem em casa, sem atos nas estradas.

A Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado (Fecam-RS) também se mostrou contrária à paralisação neste momento. Reproduzindo um informativo da Confederação Nacional dos Caminhoneiros e Transportadores Autônomos de Bens e Cargas (Conftac), a entidade esclareceu que, através de reunião, as federações que integram a Conftac concordaram que “o momento não é oportuno para a realização de um movimento de paralisação, visto os danos irreparáveis que podem ser gerados para a sociedade brasileira”, alega o comunicado publicado no site da Fecam.

 

Caminhoneiros aguardam resposta do governo federal

A expectativa do representante regional dos caminhoneiros é de que o governo do presidente Jair Bolsonaro apresente uma solução para os problemas relatados pelo setor, mesmo sem uma paralisação massiva em todo território nacional, como a que ocorreu no ano de 2018. “O governo sabe que, diante da pandemia, os motoristas não pararam, eles deram força ao governo. Eles continuaram tocando o Brasil à frente, levando alimento, tentando andar o comércio, a indústria, o varejo. O governo entende isso muito bem. O ministro da Infraestrutura, [Tarcísio Gomes de Freitas], já havia comentado que daria uma pauta mais clara para a categoria, mas desde que não houvesse manifestações e impedimentos”, conta.

No entanto, um áudio que circula por grupos do WhatsApp, desde o último domingo (31), mostra um posicionamento diferente por parte do ministro da Infraestrutura. Na conversa com uma liderança dos caminhoneiros, Freitas afirmava não ter como atender a determinados pedidos do segmento. A autenticidade do áudio foi confirmada pelo ministro, que disse se tratar apenas de uma tentativa de esclarecer à categoria qual é o papel do governo em cada demanda, explicando quais delas têm a possibilidade de ser atendidas ou não.

 

Greve não prejudica trânsito em rodovias

De acordo com o Ministério da Infraestrutura e a Polícia Rodoviária Federal (PRF), em todo o Brasil, o primeiro dia de paralisações transcorreu sem transtornos. Embora tenham sido registradas paralisações em pontos isolados do país, conforme boletim atualizado pelos órgãos às 17h dessa segunda-feira (1º), todas as rodovias federais, concedidas ou sob gestão do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), encontravam-se com o livre fluxo de veículos, não havendo nenhum ponto de retenção total ou parcial.

A PRF chegou a publicar, em sua conta no Twitter, imagens aéreas sobrevoando trechos de rodovias federais de diferentes unidades da federação. Nos vídeos, que o órgão afirma terem sido gravados ontem, é possível ver caminhões e outros veículos trafegando sem impedimentos. Na capital gaúcha, o helicóptero da PRF sobrevoava a BR-116 e BR-290. “Assim como no resto do país, o trânsito fui normalmente”, descrevia a legenda.

Sobre a greve, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, Augusto Heleno disse que “o governo federal respeita as aspirações dos caminhoneiros” e que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, "vão buscar, junto à área econômica, recursos legais para reduzir despesas que recaem sobre esses abnegados trabalhadores, essenciais ao dia a dia do país”.


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