Crítica de cinema - Planeta dos Macacos: A origem

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O Planeta dos Macacos: A Origem parece um corpo estranho ao ser lançado junto da enxurrada tradicional de blockbusters do verão norte-americano, cada vez mais ultrarrealistas e megalômanos. Ok, há um grande estúdio por trás (Twentieth Century Fox) da produção, e o legado deixado pela série, que iniciou lá em 1968 com o clássico filme estrelado por Charlton Heston, gera interesse instantâneo em quem acompanha cinema minimamente; mas não é preciso muitos minutos de projeção pra perceber que o tom desta nova obra da série, que surge para revelar o início da dominação de nosso planeta pelos macacos, é na verdade o de um legítimo e assumido filme B de ficção-científica, daqueles que se agarram cegamente a ideias e teorias malucas, ao mesmo tempo absurdas e intrigantes.  

E nasce dessa postura uma questão bem interessante.  Porque a sinceridade com que Rupert Wyatt instala seu filme no campo do entretenimento rasteiro, com um quê de ficção pulp, faz dele uma experiênia eficiente de uma forma diferenciada. Se o cinema comercial norte-americano se divide hoje entre os habituais enlatados (a comédia romântica farofa, a ação genérica, o horror cacofônico etc) e os pretensos filmes-cabeça (A Origem, Cisne Negro), Planeta dos Macacos: A Origem está alheio a tudo isso, sobrevivendo ali como um vitorioso representante de nosso cinema de gênero mais radical, um soldado raso que atravessa a barreira do bom gosto e se infiltra no batalhão dos blockbusters (coisa que outros filmes vieram tentando, mas que não se confirmou nos números e na distribuição tanto quanto aqui).

E de fato não existe nada que possa ser extraído da sessão de Planeta dos Macacos: A Origem além de uma diversão efêmera sustentada em teorias toscas, que se utilizam de um assunto atual e polêmico (o gancho da tragédia é a utilização de animais para testes de drogas medicinais) para surtar em ideias mirabolantes, como aquelas que víamos nas boas ficções de ação de outros tempos. E é este o dispositivo crucial, o que deve determinar a relação dos espectadores com o filme. Encarar Planeta dos Macacos: A Origem como uma grande besteira é talvez a maneira mais eficaz de se aproveitar o melhor que ele tem a oferecer: uma porção de gargalhadas pra ser consumida junto do saco de pipocas.

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