Tragédias do pai do teatro

Passo Fundo recebe seis peças de ??squilo, em apresentações gratuitas. No palco, toda a intensidade da tragédia grega

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De um lado, um personagem. De outro, deuses, sentimentos ou destino. Entre eles, o conflito. A seriedade do drama ganha corpo, rosto e voz na tragédia grega. Seguindo o roteiro que explora a indecisão e contradição entre duas forças, o gênero é profundo e retrata, de forma clara, o sofrimento humano.

Ésquilo viveu por volta de 500 a.C e, por ser o mais antigo dos três trágicos gregos cujas peças sobreviveram ao tempo, é considerado o pai do teatro e da tragédia. De acordo com a história, é o autor de mais de noventa peças teatrais. De todas essas, sobrevivem apenas seis.  E todas elas serão apresentadas, a partir de quarta-feira, em Passo Fundo. O projeto Peep Classic Ésquilo, da Cia Club Noir, reúne todas as tragédias por autor em três dias: a cada dia, duas peças serão apresentadas. É a primeira vez no Brasil e no mundo que uma companhia teatral se dedica a apresentar todas as peças do primeiro autor da história do teatro.

O projeto, dirigido por dirigido por Roberto Alvim e assume uma estética diferente de qualquer proposta narrativa. As obras serão encenadas dentro de um cubo formado por linhas metálicas, sem trilha sonora alguma, explorando as inúmeras modulações e texturas das vozes dos atores, e tendo como iluminação apenas uma única lâmpada fluorescente, que delineia tenuemente a imobilidade das figuras em cena. A proposta é irreverente. Mais que isso, é um desafio.  “As tragédias são obras que propõe mergulhos emocionais de alta intensidade. Encarceramos estes gráficos vertiginosos de forças dentro de uma estrutura geométrica, como uma maneira de tensionar o espaço, justamente pela dissonância entre o que se passa dentro do cubo e a frieza da estrutura metálica. Quanto à trilha sonora, focamos o trabalho na voz dos atores e em sua capacidade de criar estranhas musicalidades”, explica o diretor.

Toda a escolha que a Cia faz exige mais do ator. Para Roberto, cada um corresponde entregando à peça o melhor de si: “A companhia Club Noir existe há 9 anos; os atores estão trabalhando juntos há muito tempo, e esse trabalho inclui um intenso treinamento diário, que visa justamente preparar os corpos, as vozes e as sensibilidades para exigências técnicas extraordinárias. Estas tragédias são a culminação de nossa proposta: sua instauração plena”, conclui.

 A primeira peça a ser apresentada, na quarta-feira, Sete Contra Tebas, conduz à escolha deliberada pela morte como forma de se irmanar ao medo do implacável. Retrata um exército comandado por sete guerreiros monstruosos tenta invadir e destruir a cidade de Tebas. Ainda na primeira noite, Os Persas, aborda o dilaceramento pela guerra de toda uma civilização através da aniquilação do império persa pelos gregos.

A segunda noite traz a obra Orestéia que é, na verdade, uma trilogia composta pelas tragédias: Agamêmnon; As Coéforas; e As Eumênides, e é a obra final de Ésquilo. Será apresentada em duas partes. Orestéia I mostra o rei Agamêmnon em seu retorno de Tróia, após ter vencido a guerra, assassinado por sua esposa, Clitemnestra. A segunda parte, Orestéia II, traz Orestes, filho de Agamêmnon e Clitemnestra, que volta a casa para vingar a morte de seu pai, assassinando a própria mãe. Em seguida, sentindo a loucura se aproximar, foge.

Na terceira e última noite, a peça As Suplicantes, primeira que se tem registro em toda a história do teatro, proporciona a experiência do dilaceramento de indivíduos pelos turbilhões incontroláveis das pulsões. Aqui, um grupo de mulheres, fugindo desesperadamente de um grupo de homens que querem desposá-las, buscam refúgio em um país estrangeiro. Por fim, encerrando a noite e o projeto, Prometeu, aborda a história de um deus. Por dar o fogo aos homens, o deus Prometeu é acorrentado por outros deuses ao cume de uma montanha, onde deverá permanecer preso por toda a eternidade.

Quarta-feira, 20h
“Sete contra Tebas” e “Os Persas”
Duração: 50m
Faixa etária indicada: 18 anos

Quinta-feira, 20h
“Orestéia I” e “Orestéia II”  
Duração: 50m
Faixa etária indicada: 18 anos

Sexta-feira, 20h
“As Suplicantes” e “Prometeu”
Duração: 50m
Faixa etária indicada: 18 anos

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