Feira do Livro encerra com recorde de público e vendas

Evento literário recebeu mais de 20 mil pessoas entre os dias 1° e 10 de novembro

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Passo Fundo se despede, em clima otimista, de mais uma Feira do Livro. A 33ª edição do evento literário encerrou na noite do último domingo (10) registrando números recordes. De acordo com o balanço divulgado pela organização, em dez dias de programação, a feira recebeu mais de 20 mil visitantes e comercializou cerca de três mil obras, números superiores aos registrados em anos anteriores.

Os dados são recebidos em clima de alívio pelos organizadores. Como destaca a coordenadora da Feira do Livro, Silvana Rovani, obter resultados positivos apesar dos contratempos enfrentados mostrou-se um sinal de superação. É que, apesar de ter sido inicialmente projetada para acontecer no espaço interno do Bourbon Shopping, como vinha acontecendo desde 2015, a comissão organizadora foi informada, em setembro, que precisaria levar a feira para um novo local. O motivo foi a decisão do Bourbon Shopping de não mais ceder seu salão de eventos para movimentações externas. Às vésperas de ser realizada, a feira passou então por um replanejamento e foi transferida para o estacionamento externo do Passo Fundo Shopping, em uma estrutura com mais de mil e duzentos metros e estandes para 20 expositores, sendo cinco deles reservados a livrarias físicas da cidade, associadas à Associação dos Livreiros de Passo Fundo (ALPF).

Outra novidade nesta edição, de acordo com Silvana, foi o engajamento do público regional. “A edição bateu as nossas expectativas e fomos surpreendidos ao perceber que nosso maior público foi o da região, muito acima do público de Passo Fundo”, observa. O motivo, segundo ela, pode ser atribuído ao empenho da Secretaria de Cultura do Município, que teria visitado mais de 35 municípios da região, convidando-os a participar da 33ª Feira do Livro de Passo Fundo. Entre eles, estavam municípios como Ciríaco, Nicolau Vergueiro, Pontão, Marau, Carazinho, Estação, David Canabarro, Camargo, Getúlio Vargas, Não-Me-Toque, Vila Maria, Nova Alvorada, Sertão, Mato Castelhano, Sarandi, Casca, Nova Boa Vista, Coxilha, Barracão e São José do Ouro. “O pessoal levou muito a sério. Recebemos prefeitos, representantes e comunidades escolares. Foi lindo ver que as crianças tinham realmente estudado os autores que participariam da feira. Elas trouxeram materiais, fizeram mostras com os trabalhos feitos pelos autores... Foi um grande diferencial”.

Futuro da feira

Os organizadores da Feira do Livro ainda devem se reunir nas próximas semanas para avaliar todos os aspectos que perpassaram o evento, entre eles a mudança para o novo local. Ainda não há uma decisão quanto à continuidade ou não da feira no espaço do Passo Fundo Shopping, que dividiu opiniões. A instalação chegou a receber reclamações por parte de expositores e visitantes. É que a chuva intensa registrada no município nos primeiros dias de novembro trouxe prejuízos aos feirantes – a estrutura não deu conta de abrigar com total segurança os produtos expostos e livros acabaram sendo molhados pela precipitação. Os livreiros devem ser ressarcidos pela empresa responsável pela montagem da estrutura. Há também reclamações, por parte dos visitantes, quanto à chuva que escorria para dentro da lona e acumulava no chão, nas proximidades dos estandes.

Questionada sobre a possibilidade de transferir a próxima edição da feira para algum espaço público e central do município, como a Praça da Cuia, onde o evento era realizado até 2014, Silvana esclareceu que a decisão não depende unicamente dos organizadores. “Em nome de todos os associados da ALPF, eu digo que a feira não acontece mais na praça central por motivos que não competem a nós. Nós queremos, para nós seria melhor que acontecesse no centro, até pela locomoção dos estudantes, mas também precisamos entender que Passo Fundo hoje vive outro momento. Recebíamos muitas reclamações dos comerciantes porque precisávamos interromper uma das vidas em frente à Catedral e ocupávamos o estacionamento daquele espaço. Não queremos criar nenhum caos. O desejo existe e vamos discutir a possibilidade, no entanto, dependemos também da colaboração do comércio e do Poder Público”.

Uma livraria a menos

Na contramão dos resultados recordes de venda e público, a feira encerra com uma notícia negativa para a Capital Nacional da Literatura. De acordo com a coordenadora da Feira do Livro, uma das livrarias físicas associadas à ALPF participou da feira pela última vez. Isto porque, em breve, o estabelecimento fechará as portas. Silvana não quis especificar a qual das livrarias se referia, mas lamentou o ocorrido. “A capital da literatura está presenciando mais uma livraria que fecha as suas portas porque a comunidade não vai às livrarias físicas da cidade. Muita gente reclama que temos poucas expositoras presentes na feira, mas isso acontece porque nós estamos perdendo as livrarias que temos. Agora teremos só quatro associadas”, desabafou.

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