Passo Fundo fecha mais de 80 vagas de emprego

Economista afirma que crise ainda não passou e que falta segurança no mercado de trabalho

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A oscilação no mercado de trabalho de Passo Fundo tem mais um capítulo. Distante da realidade de criação de vagas, anunciado pelo Governo Federal, o município não comemora números positivos em julho. Após uma leve recuperação em junho, quando o saldo foi de 29 vagas, o sétimo mês do ano registrou uma perda de 84 vagas. Este é o quarto mês com mais demissões do que contratações em Passo Fundo. Apesar do sobe e desce, o saldo do ano aponta uma criação de 202 vagas de trabalho com carteira assinada. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados pelos Ministério do Trabalho.

 

A doutora em economia e professora da UPF Cleide Fatima Moretto explica que o mercado de trabalho varia de acordo com a sazonalidade e com a dinâmica do setor produtivo. “Se pensarmos que o ano produtivo inicia efetivamente em março, este é o período com maiores contratações, enquanto julho, período de férias escolares, mudanças semestrais em algumas funções do setor de serviços, é o menos de menor movimento, semelhante aos meses de janeiro e fevereiro. Ainda, existem determinadas ocupações que tem como característica a alta rotatividade, como é o caso dos postos de “chão de fábrica”, caso da indústria alimentícia”, argumenta a especialista.

 

Em julho, a indústria da transformação registrou saldo positivo na geração de emprego do município, com 46 postos. Enquanto isso, o setor dos serviços iniciou o ano com mais de mil vagas abertas nos três primeiros meses do ano em Passo Fundo e desde abril já fechou mais de 700 postos. “Todavia, nos serviços, tivemos um saldo negativo de menos 160 vagas; foram menos 119 empregos como faxineiro (a) e menos 70 como cozinheiro(a), além de outras funções como a de porteiro, monitor de escola, motorista e promotor de vendas. Uma explicação para essa queda está associada à diminuição de custos por parte dos condomínios, de uma parte, e da queda na atividade de outra. Há que se pensar, ainda, no início de um processo de demissões como consequência da reforma trabalhista, com a subsequente terceirização de algumas atividades”, reitera Cleide.

 

Municípios próximos também indicam variação instável na geração de emprego. Alguns, como Carazinho, Erechim e Soledade, apesar de registrar criação de vagas em julho, demonstram a sombra do desemprego quando a comparação analisa os últimos 12 meses. Carazinho tem saldo de -150 vagas em 2017 e de -417 nos últimos 12 meses. Em Marau, município com pouco mais de 40 mil habitantes, fechou 230 vagas desde julho do ano passado.

 

Erechim, cidade que possui a base da economia na indústria, fechou mais de 2 mil vagas desde julho de 2016. A indústria da transformação foi responsável por 1,3 mil destes postos perdidos. Em setembro do ano passado, uma empresa fábrica de ônibus demitiu 850 funcionários. Caxias do Sul, outro polo industrial no Rio Grande do Sul, fechou 467 vagas em julho. Em 12 meses, foram extintos 2,6 mil empregos formais.  

 

RS fecha mais de 1,1 mil vagas

 

No Rio Grande do Sul foram fechadas mais de 1,1 mil vagas no último mês. O resultado é o melhor para julho desde 2012, quando foram criadas 3,8 mil vagas. A partir de 2013, a geração de emprego do mês começou a fechar no negativo e o pior resultado foi em 2015, com saldo de -17,8 mil postos de trabalho. No ranking geral dos estados, o RS ficou com a 4ª pior posição. Na comparação por setor, a indústria da transformação foi a que mais demitiu em julho. O saldo foi de -1,3 mil vagas. Os serviços industriais de utilidade pública, o comércio, a extrativa mineral e os serviços também registraram variação negativa. A construção civil (199), a administração pública (77) e a agropecuária (449) foram os setores que fecharam o mês com saldo positivo.

 

Os dados municipais, regionais e estaduais vão de encontro a abertura de 35 mil vagas em julho, no Brasil. Em todo país, os números foram estimulados pela indústria da transformação, que fechou o mês com saldo de 12,5 mil vagas, comércio (10,1 mil vagas), serviços (7,7 mil) e agropecuária (7 mil). Cleide analisa que o número representa muito pouco tendo em vista que a população economicamente ativa está próxima a 23 milhões de brasileiros. “Depois, é preciso ter em mente que é o bom desempenho do setor produtivo, com demanda efetiva, que garante a manutenção e o aumento no número de empregos. É a região Sudeste, principalmente o estado de São Paulo a responsável pela maior geração dessas vagas. O estado do Rio Grande do Sul, em contrapartida, vem perdendo cada vez mais posições, em função de problemas de competividade. Estamos em crise, ela ainda não passou e não há segurança suficiente para retornarmos à normalidade”, pontua.

 

O período deverá ser de cautela no setor produtivo, conforme a doutora em economia, em virtude da instabilidade política, o que prejudica novos investimentos e o nível de emprego. “Estamos em uma situação crítica, vivenciando políticas fiscais restritivas e, portanto, sem incentivos para voltar a investir no setor produtivo. O emprego e a renda continuam sendo afetados”, finaliza.

 

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