A rede catarinense de lojas de departamentos Havan pode instalar filial em Passo Fundo. Na quarta-feira (31), a empresa anunciou que deve investir cerca de R$ 2 bilhões para entrar no mercado atacadista e varejista do Rio Grande do Sul. O presidente Luciano Hang informou que a empresa pretende construir em torno de 50 novas megalojas e gerar até 10 mil empregos diretos em solo gaúcho. A preferência será aos municípios que não tenham processos burocráticos para instalação das lojas.
A comitiva da empresa passou por Passo Fundo, Caxias do Sul e Porto Alegre. A prefeitura não acompanhou a visita da rede pelo município, conforme o secretário de Desenvolvimento Econômico, Carlos Eduardo Lopes da Silva. O gestor da pasta garantiu que já entrou em contato com a Havan e que há interesse em trazer uma das lojas para o municipio.
Lopes da Silva lembrou que, há dois anos, o Executivo municipal já havia feito tratativas com a administração da empresa para trazer uma filial a Passo Fundo. Ainda não há confirmação dos locais nos quais a Havan se instalará. A assessoria de comunicação da rede informou que a diretoria vai analisar e escolher os municípios gaúchos a partir de agora.
Construções rápidas e sem burocracia
Luciano Hang afirmou que já conta com 60 fornecedores gaúchos e que, agora, procura municípios interessados em receber o empreendimento, que vem sendo planejado há 10 anos. A empresa costuma construir lojas de 15 mil metros quadrados, que geram de 150 a 200 empregos diretos, em até 60 dias. A cada emprego direto são vinculados mais cinco indiretos, ou seja, em solo gaúcho podem ser beneficiadas mais de 50 mil pessoas.
“Não precisamos de incentivos fiscais, de terrenos ou de outros benefícios. Tudo o que pedimos é rapidez na aprovação dos alvarás e agilidade nas licenças de construção. Além, é claro, de liberdade para poder trabalhar aos sábados, domingos e feriados, respeitando-se a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), conforme já ocorre nas demais regiões do País em que atuamos”, diz o empresário.
Hang afirma que a liberdade de funcionamento é essencial para o comércio, que tem como principal concorrente as vendas online. “Temos que possibilitar ao consumidor a escolha de comprar em lojas físicas, que geram empregos e impostos no município. Se não, ele irá comprar com facilidade no e-commerce, em qualquer lugar do mundo, no dia e na hora que desejar, sem que isso traga benefícios para a região em que vive”.
A pretensão do empresário é também investir no setor elétrico, participando do próximo leilão de energia do governo federal, com a estimativa de aplicar R$ 400 milhões em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) com capacidade de 63 megawatts (MW). A Havan já tem uma usina em Frederico Westphalen e duas outras no interior catarinense.
Reunião com o governador
Enquanto não se tem o nome dos municípios escolhidos pela diretoria da empresa, as secretarias do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema) e de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia (Sdect) acompanham os estudos de viabilização para o projeto. Hang esteve em Porto Alegre na quarta e se reuniu com o governador José Ivo Sartori e autoridades, no Palácio Piratini. Acompanharam a audiência o vice-governador José Paulo Cairoli; os secretários da Sdect, Márcio Biolchi, e da Sema, Ana Pellini; o secretário adjunto da Sdect, Evandro Fontana; o presidente do Sindilojas de Porto Alegre, Paulo Kruse; técnicos da Fepam; e representantes da rede Havan.
Sobre a empresa
Fundada em 1986, em Santa Catarina, a Havan comercializa artigos nacionais e importados no atacado e no varejo, e têm mais de 100 mil produtos à disposição dos clientes. A sede fica em Brusque. A empresa começou sua expansão em 1999 com a abertura de duas filiais em Curitiba. Logo depois, novas lojas foram abertas em Florianópolis, Criciúma, Joinville e Balneário Camburiú.
A Havan tem 107 lojas em 15 estados brasileiros. Conforme o presidente, há planos para investir, no mínimo, R$ 300 milhões, somente neste ano, para atingir a marca de 120 lojas. As novas unidades da empresa são megalojas de 6 a 7 mil metros quadrados com cerca de 100 mil produtos, praça de alimentação, e, algumas têm até mesmo salas de cinema da rede Cine Gracher, além da tradicional Estátua da Liberdade da Havan, símbolo da empresa, com 33 metros de altura. Cada uma das estátuas custam, em média, R$ 1,5 milhões.
Os empresários pretendem dobrar o tamanho da rede até 2022 com investimentos de até R$ 2 bilhões. Em agosto de 2017, Nilson Hang, diretor da empresa, garantiu que o Rio Grande do Sul teria lojas até 2022.


