Após iniciar 2026 com resultados positivos na geração de empregos, Passo Fundo registrou em abril sua primeira retração no mercado formal de trabalho. Os dados divulgados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que o município fechou o mês com saldo negativo de 627 vagas com carteira assinada.
O resultado é fruto de 4.160 admissões e 4.787 desligamentos realizados ao longo de abril. Apesar do desempenho negativo no período, o acumulado do ano segue positivo, com 639 novos postos de trabalho criados entre janeiro e abril.
A desaceleração observada em abril interrompe uma sequência de meses favoráveis para a economia local. O principal responsável pelo resultado foi o setor de serviços, que, sozinho, registrou a eliminação de 608 postos de trabalho. O comércio também apresentou retração, com saldo negativo de 105 vagas, enquanto a agropecuária perdeu quatro empregos formais.
Na contramão desses segmentos, a indústria manteve o desempenho positivo e criou 89 novas vagas durante o mês. A construção civil também encerrou abril no campo positivo, embora de forma modesta, com a abertura de apenas uma vaga.
Embora os números de abril acendam um sinal de atenção, a análise do acumulado do ano mostra um cenário mais equilibrado. A indústria lidera a geração de empregos em Passo Fundo em 2026, com saldo de 376 vagas. Em seguida aparece o setor de serviços que, mesmo tendo sido o principal responsável pelas demissões em abril, acumula 234 novos postos de trabalho no ano. A construção civil soma 70 vagas, e o comércio apresenta leve saldo negativo de 26 empregos. A agropecuária registra retração de 15 postos.
Outro aspecto observado no levantamento é a distribuição das vagas por sexo. Os homens foram os mais afetados pelo saldo negativo do mês, respondendo por 379 postos encerrados. Entre as mulheres, o saldo foi de menos 248 vagas.
Rio Grande do Sul
O comportamento observado em Passo Fundo acompanha, em parte, um movimento registrado em todo o Rio Grande do Sul. Em abril, o estado apresentou saldo negativo de 1.396 vagas formais, resultado de 134.569 admissões e 135.965 desligamentos.
Mesmo assim, o acumulado de janeiro a abril permanece positivo. Os gaúchos somam 45.461 novos empregos com carteira assinada em 2026, fruto de 594.978 contratações e 549.517 demissões.
O Rio Grande do Sul ocupa atualmente a quinta posição entre os estados brasileiros que mais geraram empregos formais no ano, atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná. No cenário regional, a Região Sul aparece como a segunda maior geradora de vagas do país, com 167.330 postos criados, ficando atrás apenas da Região Sudeste.
A indústria foi o segmento que mais abriu vagas no estado em abril, com saldo de 1.114 empregos. Os serviços também apresentaram desempenho positivo, com 1.292 novos postos. Já a agropecuária registrou saldo negativo de 3.120 vagas, reflexo do encerramento de safras agrícolas e de movimentos sazonais típicos da economia gaúcha.
Entre os municípios com melhor desempenho em abril, destacaram-se Santa Cruz do Sul, Canoas, Venâncio Aires, Ijuí e Cachoeira do Sul.
Brasil
No cenário nacional, os números mostram que o mercado de trabalho segue gerando vagas, porém em ritmo mais lento. O Brasil encerrou abril com saldo positivo de 85.888 empregos formais.
Apesar de permanecer no campo positivo, o resultado representa uma desaceleração significativa. Em comparação com março, quando foram criados 227.974 postos de trabalho, a geração de empregos caiu 62,3%.
Na comparação com abril de 2025, a redução é ainda mais expressiva. O saldo deste ano ficou 63,9% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado, quando o país criou 238.216 vagas formais.
Especialistas apontam que fatores como os juros elevados e a desaceleração da atividade econômica ajudam a explicar a perda de fôlego do mercado de trabalho. O resultado de abril de 2026 é o segundo pior para o mês desde 2020, superando apenas o registrado no início da pandemia de Covid-19, quando houve o fechamento de mais de 981 mil postos de trabalho em todo o país.



