Os dados mais recentes do Indicador Criança Alfabetizada, divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), colocaram Passo Fundo diante de um desafio importante na área educacional. O levantamento elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), apontou que o município alcançou o percentual de 39% das crianças alfabetizadas para uma meta de 66% em 2025, entre os estudantes do 2º ano do Ensino Fundamental, público-alvo do estudo.
O índice leva em consideração testes que avaliam se a criança é capaz de ler palavras, frases e textos curtos; se localiza informações explícitas; e infere sentidos em textos que mesclam linguagem verbal e não verbal.
Os dados mostram que o Rio Grande do Sul também ficou abaixo da meta em 2025. O estado atingiu o percentual de 52% das crianças alfabetizadas na idade certa, 17 pontos percentuais abaixo da meta prevista para o ano, que era de 69%.
Em entrevista hoje (23) a Radio UPF, o secretário municipal de Educação, Adriano Canabarro Teixeira, reconheceu o cenário e detalhou os fatores que influenciaram o desempenho, além de apresentar o conjunto de ações que já está sendo implementado para reverter os índices.
Mudança na metodologia impacta resultados
De acordo com o secretário, os indicadores são construídos a partir de avaliações externas em larga escala, como o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e o Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul (Saers), que medem o desempenho dos estudantes em diferentes etapas da educação básica.
Adriano destacou que houve uma mudança significativa na metodologia e na forma de aplicação das provas entre 2023 e 2024, o que impactou diretamente os resultados não apenas em Passo Fundo, mas em toda a região Sul do país. Em 2023, tínhamos um índice de 58%, com meta de 60%, e fomos reconhecidos com o Selo Ouro do MEC. Já na transição para 2024, houve uma alteração metodológica, e toda a região apresentou queda nos índices”, explicou.
Apesar disso, o secretário ressaltou que a administração municipal não atribui exclusivamente à mudança de método a responsabilidade pela queda, mas considera o fator como parte de um contexto mais amplo que está sendo analisado.
Diagnóstico detalhado orienta ações
Um dos principais pontos destacados por Adriano Teixeira é o trabalho de análise minuciosa dos dados. Segundo ele, a Secretaria realizou uma “estratificação” dos resultados, permitindo identificar o desempenho por escola, turma e até mesmo por aluno. Esse diagnóstico revelou que a rede municipal apresenta realidades distintas. Dez escolas superaram a meta estabelecida, alcançando índices de até 80% de alunos alfabetizados. Outras 14 ficaram próximas do objetivo, enquanto cerca de dez unidades registraram desempenho significativamente abaixo do esperado. “Com esses dados em mãos, conseguimos direcionar esforços de forma muito mais precisa. Vamos atuar de maneira intensiva tanto nas escolas que ficaram abaixo da meta quanto naquelas que estão próximas, para garantir avanço consistente”, afirmou.
Plano de ação prevê acompanhamento contínuo
A partir dos resultados, a Secretaria Municipal de Educação iniciou um conjunto de medidas voltadas à melhoria da alfabetização. Entre as ações estão o acompanhamento mensal do desempenho dos alunos, a aplicação de avaliações trimestrais e o reforço na formação continuada dos professores.
Além disso, reuniões específicas com diretores e coordenadores pedagógicos já foram realizadas, e novos encontros por escola estão previstos para aprofundar as estratégias de intervenção. Outro ponto importante é a ampliação do olhar para além do 2º ano. O trabalho também envolve alunos do 1º e do 3º anos do Ensino Fundamental, buscando tanto prevenir dificuldades quanto recuperar defasagens de aprendizagem identificadas anteriormente. “A alfabetização é a base de todo o processo educacional. Precisamos garantir que nossas crianças aprendam a ler e escrever no tempo adequado, e estamos mobilizando toda a rede para isso”, destacou o secretário.


