Epicovid19-RS estima que um a cada 82 habitantes já foi infectado no estado

A prevalência chegou a 1,22% no estado

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Governador Leite, o reitor Hallal, da UFPel, e a coordenadora do Comitê de Dados, Leany Lemos, detalharam a pesquisa (Foto: Felipe Dalla Valle/Divulgação)Governador Leite, o reitor Hallal, da UFPel, e a coordenadora do Comitê de Dados, Leany Lemos, detalharam a pesquisa (Foto: Felipe Dalla Valle/Divulgação)
Governador Leite, o reitor Hallal, da UFPel, e a coordenadora do Comitê de Dados, Leany Lemos, detalharam a pesquisa (Foto: Felipe Dalla Valle/Divulgação)
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A prevalência da infecção por coronavírus ultrapassou o percentual de 1% da população, pela primeira vez, no Rio Grande do Sul, de acordo com o mais recente levantamento do estudo Epicovid19-RS. A pesquisa estima que a proporção de pessoas com anticorpos para a Covid-19 é de 1,22% no Estado (de 0,92% a 1,59%, pela margem de erro), o que corresponde a um total de 139.055 habitantes que têm ou já tiveram o vírus. A relação é de um caso real de infecção por coronavírus a cada 82 pessoas no RS. Na testagem anterior, havia um caso positivo a cada 104 gaúchos. Na rodada inicial o estado tinha um caso a cada 2 mil.

O resultado da sétima etapa foi divulgado nesta quinta-feira (20/8) pelo governo do Estado e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) em transmissão ao vivo pelas redes sociais.

A sétima etapa do estudo Epidemiologia da Covid-19 no RS (Epicovid19-RS) é a terceira da nova fase de aplicação de testes rápidos que estabeleceu um intervalo maior entre uma rodada e outra. Entre os dias 15 e 17 de agosto, foram testadas 4,5 mil pessoas nas nove cidades selecionadas: Pelotas, Porto Alegre, Canoas, Santa Maria, Uruguaiana, Santa Cruz do Sul, Ijuí, Passo Fundo e Caxias do Sul.

Dos 4,5 mil testes aplicados, 55 tiveram resultado positivo para coronavírus: 12 em Canoas; 11 em Porto Alegre; oito em Pelotas; seis em Passo Fundo e Caxias do Sul; quatro em Santa Maria e Ijuí; e dois casos positivos detectados em Santa Cruz do Sul e Uruguaiana. Na etapa anterior, foram 43 resultados positivos. Esses resultados confirmam a predominância de casos na Região Metropolitana e a crescente aceleração da curva de contágio e do número de internações em Pelotas.

O governador analisa que há uma diminuição da subnotificação. "O Estado tem ampliado a política de testagem (deve chegar a 8 mil testes/dia por RT-PCR, por meio do Testar RS) e os números oficiais estão se aproximando da realidade, segundo a pesquisa, do nível de contágio. Então, ao mesmo tempo em que temos uma boa notícia, os resultados reforçam que ainda estamos vivenciando um momento de expansão do vírus no Rio Grande do Sul”, disse Eduardo Leite.

“Por meio das ações que adotou, o Rio Grande do Sul conseguiu fazer com que o vírus circulasse menos aqui do que em outras regiões do Brasil. Mesmo em um momento em que a pandemia está forte, só temos 1,2% da população infectada. Em outros lugares do Brasil, no momento mais crucial, havia 15%, 20% da população infectada”, disse o reitor da UFPel, Pedro Hallal.

Em caso de resultado positivo, os pesquisadores testam também todos os moradores da casa. Em conjunto, os dados das sete etapas apontam que cerca de um terço das pessoas (33%) que residem com alguém que tenha testado positivo apresentam o mesmo resultado para o teste.

A análise da relação entre estimativa de casos reais e casos notificados ao longo do tempo aponta que a notificação está mais próxima do total de casos estimados. Os dados mais recentes apontam que a projeção de casos reais é 1,4 vez o número de notificados. Na primeira etapa, essa diferença havia sido de oito vezes; e, na segunda, de 12 vezes.

Os coordenadores do estudo reforçam a necessidade de ampliar a testagem por RT-PCR e realizar a busca ativa de contatos das pessoas que tiverem resultado do teste positivo para, assim, frear a disseminação do contágio.

“É óbvio que testes são bem-vindos, mas o melhor é testar com qualidade: pessoas suspeitas, pessoas que tiveram contato com infectados. Na testagem de qualidade, o RS está em posição muito melhor que o resto do Brasil. Se nós encontramos 1,4 vez mais casos do que os números oficiais, e no Brasil é seis vezes mais casos do que os registrados oficialmente, significa que estamos testando as pessoas que precisam ser testadas, e que o uso do dinheiro público para testagem está atingindo um bom resultado”, ponderou o reitor da UFPel.

A coordenadora do Comitê de Dados, Leany Lemos, lembrou que ainda há mais uma etapa da pesquisa, prevista para ocorrer entre os dias 5 e 7 de setembro.

Distanciamento Controlado

Quando comparados à sexta etapa da pesquisa, os dados da sétima etapa mostram que o número de pessoas que está seguindo as orientações de distanciamento social cresceu levemente: 12,8% informou estar sempre em casa. No final de julho, eram 12,6% dos entrevistados.

O número de pessoas que saem diariamente também caiu. Eram 33,3% dos entrevistados no final de julho e, agora, foram 32,6%. “Desde o início da pesquisa, o percentual de pessoas que saía todos os dias aumentou muito. Desde a chegada mais intensa do coronavírus (entre o final de junho, julho e agosto), porém, parece que, felizmente, a população gaúcha entendeu a gravidade e está mais em casa, esse percentual parou de aumentar”, explicou o reitor Hallal.

A quantidade de pessoas que sai para cumprir atividades essenciais, porém, aumentou: 54,6% dos entrevistados saem com essa finalidade. No final de julho, eram 54,1% dos entrevistados.

Passo Fundo

Na cidade subiu o número de pessoas que disseram ficar em casa o tempo todo e caiu a porcentagem das que saem diariamente. Nesta etapa 14,4% dos entrevistados disseram ficar o tempo todo em casa, um crescimento de 2% em relação a etapa anterior. Além disso, 40,4% disseram sair diariamente, frente a 45% na sexta etapa da pesquisa. O percentual de pessoas que saem apenas para atividades essenciais subiu de 42,6% para 45,2%.

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