Estado deve continuar em bandeira preta e sem cogestão até 21 de março

Cogestão pode voltar em 22 de março com medidas mais restritivas

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Todo o estado está em bandeira preta desde 27 de fevereiro (Imagem: Cogestão)Todo o estado está em bandeira preta desde 27 de fevereiro (Imagem: Cogestão)
Todo o estado está em bandeira preta desde 27 de fevereiro (Imagem: Cogestão)
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Novos protocolos, medidas e previsões foram anunciadas pelo governador Eduardo Leite em uma live nas redes sociais nesta sexta-feira (05). A bandeira preta está mantida, assim como a suspensão da cogestão regional. No entanto, foi anunciada uma previsão de retorno da cogestão para 22 de março. Desta forma, a bandeira preta deve ser aplicada até o dia 21, assim como outras medidas vigentes. Com o retorno da cogestão, a bandeira vermelha irá se tornar mais restritiva. A suspensão geral das atividades, das 20h às 5h, será mantida até 31 de março.

A previsão foi definida conforme experiências de outros países, de acordo com o governador, onde foi observado que o tempo para a o reestabelecimento dos sistemas de saúde é de em média três semanas. A data foi anunciada como uma forma dos proprietários se organizarem. Além disso, Leite anunciou que determinou à Secretaria da Fazenda (Sefaz) para analisar as possibilidades que o Estado tem para apoiar os empreendedores mas impactados pelas restrições, principalmente quanto às obrigações tributárias.

O governador voltou a relatar sua experiência em hospitais, onde viu que a maioria dos internados eram pessoas jovens e o caso de uma jovem que estava grávida e que agora está em UTI, assim como o bebê. "Não é possível que as pessoas sejam insensíveis e ignorem o que está acontecendo. A situação é grave e não vai ser vencida apenas com a ampliação de leitos", destacou Leite, afirmando que é necessário que as pessoas não cheguem nesse nível crítico.

Dados

Antes de anunciar as medidas, o governador mostrou dados da pandemia no Rio Grande do Sul. Foi destacado que a velocidade do avanço do vírus está muito maior do que observado em ondas passadas. Atualmente, o estado tem mais de 7,2 mil pessoas internadas, o que é mais do que o dobro dos picos anteriores. Diariamente, cerca de 650 leitos a mais são ocupados. "Começou em meados de fevereiro a crescer fortemente essas internações", explicou Leite. Apenas em UTIs, são 54 novas internações por dia em média. "Nós nunca tinhamos visto um crescimento tão agressivo nas internações, tanto nos leitos clínicos quanto nos de UTI", destacou o governador.

Sobre a amplicação de leitos, Leite afirma que o plano de emergência está em andamento em busca de leitos. Ele descartou a criação de hospitais de campanha, pois o estado tem capacidade de expansão de leitos clínicos. "O grande problema são leitos de UTI, que não são viáveis em hospitais de campanha", explicou Leite.

Para cada conjunto de dez leitos de UTI são necessários em torno de 50 profissionais de saúde, conforme o governador. "Há todo o esforço de criação de leitos, mas não é infinita a capacidade expansão, ela esbarra em recursos humanos", repetiu Leite.

Entre os indicadores que mais chamam a atenção nesta rodada, está o aumento no número de internados em leitos clínicos (+58%) e em UTIs (+50%) e nos óbitos por Covid-19 (+61%).

Novas medidas

Foram realizados ajustes e adequações no protocolos. Algumas das medidas são o fechamento de academias em condomínios e vedação do banho de águas e esportes aquáticos, em locais como as praias. Além disso, será vedada a comercialização presencialmente de produtos não essenciais nos estabelecimentos comerciais, a partir de segunda-feira (08). O objetivo é diminuir a competição, mas “também uma forma de buscar reduzir aglomerações nos supermercados”, segundo Leite. Os estabelecimentos que não cumprirem a medida podem sofrer sanções. "Não é momento para as pessoas estarem comprando produtos não essenciais", destacou o governador.

Nos próximos dias será lançado um portal on-line para que a população possa denunciar situações de descuprimento dos protocolos e de comunicação direta com as Prefeituras. O estado também irá distribuir peças gráficas para orientação nos municípios, como placas informando as restrições.

Em relação a jogos de futebol, o governador afirma que a decisão da suspensão dever ser conjunta com outros governadores para que os jogos não sejam apenas transferidos para outros locais.


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