Duplicação da BR-386 ganha novo ritmo após assinatura de aditivo contratual

Expectativa é que trecho entre Tio Hugo, Soledade e Fontoura Xavier possa ser entregue ainda neste ano

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Trecho entre Soledade e Fontoura Xavier deve ser concluído até metade de 2026 - Foto: CCR ViaSul / Divulgação Trecho entre Soledade e Fontoura Xavier deve ser concluído até metade de 2026 - Foto: CCR ViaSul / Divulgação
Trecho entre Soledade e Fontoura Xavier deve ser concluído até metade de 2026 - Foto: CCR ViaSul / Divulgação
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A assinatura do quarto aditivo contratual entre a concessionária CCR ViaSul e o consórcio responsável pelas obras da BR-386 trouxe novo fôlego ao cronograma de duplicação em dois trechos estratégicos para o Norte do Rio Grande do Sul. A expectativa é de que as obras entre Tio Hugo, Soledade e Fontoura Xavier avancem ao longo de 2026, com etapas importantes previstas ainda para este ano.

A avaliação é do presidente do Corede Botucaraí, professor Idionei Vieira, que destacou a mobilização das lideranças regionais para evitar a paralisação do empreendimento. Segundo ele, chegou a existir a preocupação de que parte da duplicação fosse suspensa e retomada apenas em 2031, cenário que gerou forte reação de entidades, prefeitos e representantes regionais.

Mobilização evitou risco de paralisação

Conforme Idionei, as discussões ganharam força após reuniões realizadas nas últimas semanas, primeiro com prefeitos da região e, na sequência, em encontro da comissão tripartite, formada por representantes dos Coredes, da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e da concessionária.

O principal ponto de preocupação envolvia os altos custos enfrentados pela CCR ViaSul após as enchentes, especialmente com a recuperação da ponte sobre o Rio Taquari e de áreas atingidas por deslizamentos, como nos municípios de Pouso Novo e São José do Herval. De acordo com o presidente do Corede, esses desembolsos elevaram significativamente o custo da concessão, sem que a empresa tivesse conseguido, até o momento, reaver os valores investidos.

Outro fator que impactou o andamento da obra foi o atraso na entrega de alguns trechos previstos no cronograma original. Pelo contrato, esses atrasos resultam em multas, aplicadas na forma de redução da tarifa de pedágio, o que afeta diretamente a receita da concessionária. Idionei destacou que a falta de reajuste tarifário há quase dois anos também contribuiu para a pressão financeira sobre o contrato.

Foi nesse contexto que surgiu, segundo ele, a proposta de interrupção das obras em determinado segmento da rodovia, com retomada somente em 2031 — hipótese rejeitada pelas lideranças regionais.

Novo ritmo e prazos mantidos

Com a assinatura do quarto aditivo, as obras já apresentam mudança de ritmo em relação ao início do ano, quando, segundo o Corede, o avanço era considerado lento. A previsão informada pela concessionária é de que o trecho até Fontoura Xavier seja entregue até julho, enquanto o segmento entre Soledade e Fontoura Xavier deverá ser concluído até o final do ano. 

Para Idionei, embora o aditivo traga maior tranquilidade, a região seguirá acompanhando de perto o cumprimento dos prazos. Ele observou que o novo estágio da obra também gera uma percepção visual diferente, com menos movimentação de máquinas pesadas, já que muitos trechos entram agora na fase de acabamento, com pavimentação, drenagem, instalação de guard-rails e demais estruturas finais. O dirigente ressaltou ainda que o atraso no cronograma é prejudicial também à própria concessionária, já que a redução tarifária representa perda direta de receita diária.

Impacto logístico para a região

O presidente do Corede Botucaraí enfatizou que a conclusão da duplicação representa um salto estratégico para toda a região, especialmente pela posição logística do trecho. 

Segundo ele, Tio Hugo e Soledade concentram importantes entroncamentos rodoviários, conectando a BR-386 a corredores como a BR-153, além de ligações com Cruz Alta, Missões, Santa Maria, Passo Fundo, Lajeado, região metropolitana e o litoral.

Na avaliação de Idionei, a duplicação consolida a região como um dos principais eixos de circulação de cargas do Estado, beneficiando diretamente o escoamento da produção agrícola e industrial.

O dirigente também defendeu a ampliação do debate sobre novos investimentos em infraestrutura viária, com atenção especial ao trecho entre Tio Hugo, Ernestina e Passo Fundo, apontado por ele como um gargalo perigoso e de grande fluxo.

Para o presidente do Corede, a integração completa desses corredores viários poderá ampliar ainda mais a relevância econômica do Norte do Estado, aproximando centros produtivos e reduzindo o tempo de deslocamento entre regiões estratégicas do Rio Grande do Sul.

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