OPINIÃO

Bruno Covas: inteligência e compaixão

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A grave enfermidade do prefeito Bruno Covas foi noticiada até o momento de seu falecimento e sepultamento no último domingo. Nos angustiantes dias em que exerceu o cargo de prefeito de São Paulo mostrou elevado espírito público perante a responsabilidade política e social. Governar uma das maiores metrópoles mundiais de predominância patrimonialista e acelerado desenvolvimento, significa desafiar hábitos consolidados. As medidas emanadas da orientação mundial de prevenção ao covid-19 significam paralisação parcial da atividade econômica. O vírus forçou a atitudes severas de isolamento. Ao perceber a gravidade do momento saudoso prefeito definiu rumos ditados pela ciência, preocupado com o avanço da pandemia. O enfrentamento exigiu empenho e habilidade. E foi com base na sua percepção sobre a política comprometida com o social. Bruno Covas concentrou ações para salvar vidas, enfim o bem-estar das pessoas. Na verdade, partilhou a própria angústia vivida pela multidão paulista onde as mortes somavam-se assustadoramente. Sua dedicação ao conhecimento aliada à vivência política determinou conduta de alerta sem acendrar pânico. O tratamento do câncer não lhe tolheu a lucidez. Seu olhar humanitário esteve acima das diferenças políticas e conseguiu equilibrar ações mediante o diálogo. Ao longo do tempo não abandonou a política de justiça social, dirigindo-se aos que sofrem. Foi claramente contrário à discriminação. Certamente Bruno conhecia os riscos da enfermidade que o acometeu mas não se encerrou na armadura do comando. Ao contrário, firmou posição na salvação de vidas dos necessitados sem descuidar a economia. Enfrentou a doença e resistiu com prontidão de espírito, combatendo o vírus e o ódio. Um grande exemplo de compaixão!

 

Empurroterapia

São muitas as investidas que prejudicam o consumidor brasileiro, principalmente praticadas por empresas que exploram a falta de informação. A pressão ilegal contra aposentados, empurrando empréstimos, é deplorável. Nem se fala do crime organizado que aplica golpes por telefone, especialmente de dentro dos presídios. O assédio contra a população consumidora de remédios é violência solta em muitas farmácias. A prática é antiga, mas a pandemia que nos aflige coletivamente é mais uma oportunidade para venda de produtos farmacêuticos sem orientação médica. A ética farmacêutica proíbe empurrar, ou forçar produtos sem indicação ou deliberação voluntária. O agravante é que a farmácia detém credibilidade que não pode ser profanada por interesses imediatos e irresponsáveis, pressionando a compra destes produtos, remédios ou vitamínicos. É exploração!

Saneamento rural

O programa Globo Rural mostrou preocupação importante com o saneamento doméstico nas propriedades do interior. O tema abrange significado ambiental, de sustentabilidade e, principalmente a saúde. O perigo de contaminação que se concentra nas cidades reclama igual urgência no campo. Os tanques de decantação, enfim, o tratamento do esgoto é coisa séria na vida rural.

 

A boiada

Continuam galopantes os projetos do governo para liberação de áreas preservadas ao bel prazer dos grandes produtores. A proposta que libera licenciamentos para desmatamento e instalação de empresas rurais aparece com roupagem de incentivo ao desenvolvimento. Na verdade, são ameaças a núcleos preservacionistas de sobreviventes da produção extrativista nativa, quilombolas e áreas indígenas. A voracidade dos grileiros e devastadores encontra o pensamento furtivo de autoridades políticas que impedem a fiscalização ambiental. Avança a política da extração de madeiras nobres. É assustador o ritmo de organizações que praticam a mineração ilegal. Rios envenenados e morte da vida natural nos estados que ainda detêm reservas florestais é cenário tenebroso, além das queimadas na Amazônia. A frouxidão apregoada pelo ministro do Meio Ambiente é atividade concreta do “passar da boiada”.

 

A CPI

A CPI do Senado continua como preocupação de emergência da saúde, mas o jogo político quer atrapalhar. O poder de investigação próprio do legislativo é exercido por segmentos partidários. Com isso é impossível afastar interesses políticos de oposição e situação. Dificilmente não seria assim, ainda mais com a proximidade de ano eleitoral. De qualquer forma, a democracia tem significado muito para melhorar a seriedade do governo no dever de estado em socorrer o povo contra o terrível coronavírus. Para o governo federal bastaria confiar na verdade, sem alegar o direito de ficar calado. Parece, porém, que o perigo é a proximidade da verdade!

 


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