A programação do Mês do Rock do Sesc promove uma série de atrações em Passo Fundo. Uma delas é especial, pois traz de volta à cidade um dos seus músicos mais ilustres. Beto Bruno, vocalista da Cachorro Grande, apresentará o show "Beto Volta às Origens", ao lado de colegas da cena roqueira passo-fundense dos anos 1990.
Longe da figura do rockstar, Beto Bruno conversou com a reportagem do Jornal O Nacional em um banco da Praça Marechal Floriano. "Nada mais apropriado. Em São Paulo, muita gente me lembra da Salomé de Passo Fundo", diz, referindo-se ao personagem interpretado por Chico Anysio décadas atrás.
Radicado na capital paulista há mais de 20 anos e também com uma passagem por Porto Alegre, Beto Bruno não esquece suas origens. Sempre que possível, vem a Passo Fundo visitar familiares e amigos — ritual que repete a cada compromisso na região. "Nunca perdi o contato com aqueles primeiros amigos. Espero minha mãe dormir e vou fazer a resenha com a gurizada até as 4h da manhã", salienta.
"É muita emoção estar aqui e tocar com a galera que tocava comigo antes de eu ir embora. Encontrar essa turma é grandioso demais. Sinto um orgulho de voltar depois de tudo o que fiz, de tanto que corri pelo país e ainda ter o carinho das pessoas que curtem o meu som. É aquilo: o menino que sai do interior e vai para a capital atrás do sonho. Essa é a minha história", afirma o músico, que tem 52 anos e, há 26, canta os sucessos da Cachorro Grande.
Nesse período, a banda lançou 12 discos. Somados aos dois trabalhos da carreira solo, eles dão a Beto a certeza de que "não foi e não é uma febre". "Então, estar aqui com os meus amigos é muito bom", completa.
Entre os amigos dos anos 1990, dois "tocavam o terror" com Beto na então Malvados Azuis: Carlos Bolacha (guitarra) e André Zito (bateria). Completa a banda desta quinta- feira o baixista Cauê Bicho Menino, "o melhor amigo da Malvados".
O repertório
Inevitavelmente, Beto Bruno cantará sucessos da Cachorro Grande. Mas também revisitará músicas que eram tocadas entre os amigos passo-fundenses, incluindo, naturalmente, clássicos de The Beatles, The Rolling Stones e The Who.
O Beto adulto x Beto jovem
Acostumado a estar no olho do furacão como músico da Cachorro Grande, olhar para trás — e para as origens — ganhou um novo sentido há três anos. Beto conta que "esse processo tomou força quando gravamos o documentário A Última Banda de Rock. Foi ali que comecei a revisitar as minhas recordações. Ali revi o cara que nasceu no Hospital da Cidade, estudou no Protásio Alves, na EENAV, montou as primeiras bandas de rock aos 15 anos e vivia de vender CDs em uma loja no Shopping da Praça. Ali tinha uma cena, bandas surgiam, trocávamos histórias. A Cachorro Grande nasceu lá", recorda.
Então, "voltar a Passo Fundo traz a insistência de quem correu atrás".
E a Cachorro Grande vai voltar ao estúdio
Mesmo após um hiato de poucos anos, o sentimento de pertencer à Cachorro Grande não desapareceu. "A banda sempre olhou para a frente, buscando um show melhor que o outro, um disco melhor e uma turnê melhor. Fazer um disco melhor, continuar sendo relevante, é respeitar o fã", afirma.
Enquanto conversava com a reportagem, Beto foi cumprimentado por fãs — alguns deles, filhos de antigos admiradores da banda.
"Os pais mostraram os discos e a gurizada vai aos shows nesse retorno da Cachorro. Atravessar gerações é incrível. Nunca imaginei", pontua. Nessa direção, gravar o documentário A Última Banda de Rock fortaleceu novamente o sentimento de estar junto e pertencer à mesma banda.
Beto Bruno lembra que "a banda voltou a se dar bem, as feridas cicatrizaram. Certa noite, criei um grupo e chamei os guris para voltar. Eu estava com saudade do som, da química no palco. Os outros quatro responderam querendo voltar, e a nossa volta tem que ser relevante, com lançamento de material novo".
A novidade é que a banda já reuniu mais de 20 músicas inéditas para selecionar 12 — ou 10, caso o álbum seja lançado em vinil. As gravações começam em outubro, em São Paulo, utilizando equipamentos vintage dos anos 1960. O lançamento está previsto para o início de 2027.
"Teremos muita coisa nova para apresentar no ano que vem, cruzar o Brasil e estar de novo aqui em Passo Fundo", conclui Beto Bruno.
Serviço
Beto Bruno volta às origens | Mês do Rock – Sesc Passo Fundo
Data: 9 de julho de 2026
Local: Teatro do Sesc Passo Fundo (Av. Brasil, 30)
Horário: 20h
Ingressos: R$ 80 (inteira), R$ 40 (meia) e R$ 35 para trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e empresários.
Classificação: 16 anos.


