OPINIÃO

A vanguarda oficial retardatária

Por
· 3 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?

Sim, estamos numa luta planetária para defender uma visão responsável e transparente a respeito da realidade que nos impõe a pandemia do coronavírus. Os passos do conhecimento na experiência científica fizeram a maioria das nações elucidar caminhos para combater a doença mundial. A verdade pura não nos é dada conhecer em meio a emaranhado de informações. Algumas questões, no entanto, restam consolidadas pela célere evolução da pesquisa farmacológica e pela orientação comprovada do aprofundamento dos estudos de infectologistas. As precauções de isolamento e hábitos de higiene, com uso de máscara, fazem parte de um conhecimento e orientação severa das autoridades sanitárias para debelar um desastre muito maior do que vivemos hoje. O diabo é que no Brasil, mesmo detentor da formidável estrutura do SUS que compreende a larga experiência em vacinação, há a renitência absurda do negacioinismo. Os EUA foram a última resistência entre nações importantes, graças ao tresloucado Donald Trump. Para não adentrar na questão de julgamento, está muito claro que é esdruxula a política governamental que puxa para baixo o direito intocável à vida em nossa Pátria Amada. O ministro chefe da Casa Civil do Planalto acaba de reiterar sua subordinação aos erros de Bolsonaro. Ele tem apontado, ainda, que o ex-ministro Henrique Mandetta apavorou indevidamente o STF ao vaticinar que teríamos 400 mil mortos pela pandemia no Brasil. E que teria sido neste lastro a orientação do Supremo reconhecendo poderes constitucionais também aos municípios e estados brasileiros nas devidas estratégias finais. Hoje passamos dos 470 mil mortos. Mandetta foi moderado na sua previsão. É duro observar que o governo deliberou, em decisões de uma cúpula sub-reptícia no desatino prioritário de uma cloroquina e assemelhados, em detrimento da vacina propriamente dita. Quando os mandatários de outros países venceram incertezas com agilidade e investiram na vacina, o Brasil foi retardatário. Nosso país era o maior potencial de enfrentamento, tanto pelo sistema de saúde em pleno vigor, como pelas características apontadas pela medicina, capazes de influenciar no controle da pandemia, se acionados sem retardo. Neste sentido não resta dúvida de que o governo brasileiro agiu com comprometedor atraso no socorro ao povo. A doença veio sempre veloz e pertinaz, aproveitando-se dos delírios irresponsáveis que priorizaram e priorizam aspectos eleitorais em detrimento ao clamor pela vida.

Encontro criminoso

Os primeiros passos da vacina que surge ao pulsar da mobilização popular democrática vêm parcialmente travados pela ação do novo delinquente, atrelado ao coronavírus. Pior que as sodomias narradas pela Bíblia Sagrada, os encontros clandestinos, eivados de excessos de bebidas e drogas. Aqui, debaixo de nossos olhos promovem-se noitadas burlescas proibidas pelas normas de proteção à saúde pública. Todos os cúmplices dessa atrocidade contra os cidadãos inocentes sabem que estão colocando em perigo e de fato afetando a saúde do povo. Eles driblam a fiscalização que carece de eficiência. Neste sentido não se pode reduzir a indignação contra essa turba infame que sabe o quanto estão prejudicando as pessoas. O governo central em trono de prepotência prossegue a saga escarninha em subversão de sagrados direitos naturais de vida. Os aproveitadores dos constantes atentados em aglomerações danosas contam com o incentivo de um presidente que insiste em rejeitar a máscara protetiva. É a precária orientação social prevista na Constituição que vem sendo violada sem combater o crime das aglomerações que deveriam ser evitadas.

 

A verdade

Ando ruminando a própria incapacidade de assimilação dos ensinamentos do filósofo alemão Gustav Radbruch, catedrático da universidade de Heidelbergue, falecido em 1949. Pensador que influenciou o mundo com suas teses da filosofia do Direito. Sofreu perseguições na guerra mundial. Já li duas vezes sua obra e pouco entendi. Observa, no entanto, que a relatividade não serve para vulgarizar a crença. A verdade será sempre algo difícil, quase inatingível, mas é preciso procurá-la. Das citações em Zahme Xenien, destaca; “Soubesse eu o caminho do Senhor,/ A casa branca onde a verdade mora,/Deus meu!...Como eu iria estrada fora,/Pra nela morar sempre com, com fervor!”

Gostou? Compartilhe