Liberalismo e conservadorismo são tendências políticas “equilibradas” de uma sociedade, ao contrário do radicalismo e do reacionarismo. São irmãos, embora não sejam gêmeos. Os liberais costumam acentuar o progresso e as liberdades individuais como uma das atividades políticas decisivas. E é justamente para proteger a liberdade dos cidadãos que o liberalismo, mais do que qualquer outra ideologia, propõe a limitação dos poderes. James Madison (1751-1836), chamado de “Pai” da Constituição dos EUA, disse que se os homens fossem anjos nenhum governo seria necessário. “Ao construir um governo em que a administração será feita por homens sobre outros homens, a maior necessidade reside nisso: primeiro é necessário habilitar o governo a controlar os governados; e, em seguida, obrigar o governo a controlar-se a si próprio.”
Um conceito ambíguo
José Guilherme Merquior, talvez o maior intelectual liberal que o Brasil produziu, diz que não é fácil definir o liberalismo. Diferentemente do socialismo que costumou ser identificado na maior parte da sua história com a obra de um único pensador (Karl Marx), o liberalismo é um movimento de ideias que passa através de diversos autores diferentes entre si, como Locke, Montesquieu, Adam Smith, Benjamin Constant, John Stuart Mill, Tocqueville. Mais modernamente pensadores como Hayek, Rawls, Friedman, Popper, Isaiah Berlin são reconhecidos como grandes teóricos do liberalismo.
Mário Vargas Llosa (1936-2025)
Mario Vargas Lllosa, Prêmio Nobel de Literatura de 2010, recentemente falecido, era um dos propagadores das ideias liberais. Seu livro “O Chamado da Tribo” revisa o pensamento de sete grandes expoentes do pensamento liberal: Adam Smith, José Ortega y Gasset, Friedrich Hayek, Karl Popper, Raymond Aron, Isaiah Berlin e Jean-François Revel. Ótima leitura para compreender as principais ideias liberais.
Liberdade acima de tudo
Qualquer dicionário definirá o liberalismo como uma doutrina dos partidários da liberdade econômica, das liberdades individuais, não só no campo econômico, mas também na esfera política, religiosa e moral. Para a defesa dessas liberdades o poder do Estado deve ser limitado. Na verdade, não apenas do Estado. O liberalismo vê todos os tipos de poderes (político, econômico, religioso) como ameaças à liberdade individual. Benjamin Constant (1767-1830), escritor e político francês, formulou de forma magnífica o que seria a maior exigência do liberalismo: o Estado deve se limitar a garantir a ordem e a segurança, enquanto a responsabilidade pela felicidade pessoal, em uma sociedade livre, caberia aos próprios cidadãos.


