A pátria do liberalismo
Embora as raízes do liberalismo possam ser encontradas desde a antiguidade, foi apenas no mundo moderno que a expressão se consolidou na teoria e na prática políticas. O acontecimento histórico considerado fundador do liberalismo é a chamada Revolução Gloriosa de 1688, na Inglaterra, que pôs fim à monarquia absoluta e a teoria do direito divino dos reis. Os objetivos dos vencedores da Revolução Gloriosa eram a tolerância religiosa e o governo constitucional. A monarquia foi restabelecida, mas baseada no princípio da soberania popular. Soberano é o povo, o qual, por meio de representantes, delega poderes limitados constitucionalmente ao rei e ao Parlamento. Pela importância histórica e política, e também pelo fato de ter sido incruenta, a Revolução Gloriosa já foi chamada de “a mais sublime das revoluções”. Desde então, o sistema parlamentar inglês tornou-se um modelo seguido por várias nações.
A expressão "liberal" nasceu na Espanha
O liberalismo, a coisa e não o nome, surgiu na Inglaterra, mas foi na Espanha em 1810, quando o parlamento se revoltou contra o absolutismo, que a palavra “liberal” começou a designar movimentos políticos exigindo um governo constitucional e o reconhecimento dos direitos e liberdades civis. Em 1830 e 1848, a Europa foi palco de grandes movimentos populares que foram chamados de “Revoluções Liberais”.
Liberalismo oligárquico
Nas suas origens o liberalismo não era democrático. Era oligárquico. José Guilherme Merquior registra que o constitucionalismo é condição necessária da ordem liberal, mas não chega a ser sua condição suficiente. O liberalismo só se tornou democrático com o estabelecimento da plena igualdade política e o reconhecimento universal dos direitos e liberdades individuais. Um marco decisivo dessa transição foi a instituição do sufrágio universal (a cada cidadão um voto). A partir daí os regimes constitucionais-pluralistas passaram a ser chamados de democracias liberais.
Brigado com a utopia
O liberalismo não é utópico. Para ele o paraíso não é deste mundo. A ideia da sociedade perfeita, do paraíso na Terra, sempre produz o inferno, como vimos na história do fascismo, do nacional-socialismo (nazismo) e do comunismo. O progresso é alcançado por avanços e transformações graduais. Por isso Karl Popper chamou as democracias de “sociedades abertas”.
O liberalismo é historicamente vitorioso
A vitória histórica do liberalismo tem duas faces: a democracia política (regimes constitucionais-pluralistas) e a economia de mercado. À medida que as sociedades foram adotando a democracia representativa e o pluralismo político, tanto os conservadores quanto os socialistas, quaisquer que fossem seus objetivos, cederam de forma evidente aos princípios liberais. A queda do Muro de Berlim e a implosão dos regimes comunistas de tipo soviético transformaram o liberalismo numa espécie de ideologia universal. Muito raras são as alternativas que possam competir com o liberalismo democrático na ambição de se universalizar como forma definitiva de governo. Todas elas – comunismo, nacional-socialismo, fascismo, teocracias – falharam.

