OPINIÃO

Teclando - 26/11/2025

Ferro de solda

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Ferro de solda

O presente mais emblemático que recebi no Natal foi um ferro de solda. Eu estaria com uns 12 anos. Vinha de um bom período de punição domiciliar, onde sequer poderia tocar em alicate ou chave de fenda. Isso, é claro, vítima da falta de reconhecimento aos resultados de atos impulsionados pela minha curiosidade. Usava como argumento de defesa o fato de um relógio despertador de mesa ainda funcionar, mesmo após tê-lo desmontado. Porém, meu Pai, com um sorrido irônico, mostrava as peças que sobraram.

O problema é que não faltavam provas contra mim, inclusive pelas tentativas em melhorar aquilo que funcionava perfeitamente. Então, naquele Natal acabei anistiado da punição pelos insanos atos infantis. O soldador elétrico tinha um significado de que o cerceamento acabava naquele instante. Era um ferro de solda bonito, cabo em madeira esmaltado na cor azul clara. A marca, não tenho absoluta certeza, acredito que era Enér, uma fábrica do Rio de Janeiro.

Sem componentes eletrônicos para soldar, derreti estanho até em buracos na madeira. E queimei muita madeira também, até porque à época plástico era raridade. Logo, desmistifiquei o ferro de solda e suas incontáveis utilidades. Brincava em derreter estanho para observar a figura que resulta quando um pingo cai sobre o piso. Também tive lições inesquecíveis sobre a relação entre a temperatura do aparelho e o corpo humano. Aquele ferro de solda sobreviveu além da expectativa, mas teve uma série de sucessores.

Usei-os para consertar rádios, gravadores, fones, microfones e até para montar um receptor de VHF. Fiquei craque no manuseio do soldador. Não importa o tamanho, foi feito para trabalhar com estanho. Mas, nada eu estranho, pois é versátil e emenda até plástico. Hoje, existem equipamentos mais modernos como as estações de solda com regulagem de temperatura. Não necessito de tanto assim, mas não abro mão de um simples ferro de solda. É providencial manter um em casa. Nunca se sabe o dia de amanhã...

Fernando de Castro

Fernandinho está de volta às páginas de O Nacional! Sim, Fernando de Castro retorna assinando uma coluna semanal a partir da próxima sexta-feira. Então, para refrescar neurônios displicentes, lembro que, lá por 1999, ele começou aqui em O Nacional assinando a coluna “Ensaio”. Foi um sucesso tão grande que logo surgiu o Fã Clube Oficial do Fernando, inicialmente presidido pelo Bolinha Azambuja. Porém, por não suportar mais as promessas de asfaltamento da Transbrasiliana, em 2001 ele se mandou para o Rio. Na troca da Prainha de Ernestina pelo Posto 9 de Ipanema, ganhou maior visibilidade: JB, Globo etc. Agora, quando volta às páginas de ON, fico entre a curiosidade e o receio. Curioso pelo seu texto sempre inteligente e receoso que, como de costume, pegue no meu pé. Bem-vindo, Fernando!

Erechim I

Estive em Erechim na segunda-feira, menos de 24 horas após a tempestade de granizo. Encontrei as pessoas assustadas, pois a ficha da tragédia demora a cair. Telhados destruídos ou cravejados pela chuva de pedras. Árvores desfolhadas, vitrines quebradas e vidraças dos prédios destruídas. Nas conversas com o prefeito Paulo Polis e o presidente da Câmara, Fifo Parenti, ficou claro que a tempestade pegou todos de surpresa. Esse foi o fator susto, que gerou uma espécie de pavor coletivo. Também ouvi o governador Eduardo Leite, que desembarcou em Erechim trazendo solidariedade e recursos.

Erechim II

Além de residências destruídas, rede de energia elétrica atingida e automóveis danificados, duzentas pessoas ficaram feridas. A tempestade passou por uma faixa de alguns quilômetros despejando granizo do tamanho de uma bola de sinuca. Muitos animais não escaparam do bombardeio. No Aeroporto Comandante Kraemer as vítimas foram os quero-queros, tradicionais habitantes das cercanias da pista. Mais de 10 foram encontrados mortos. A maioria com as asas abertas protegendo os filhotes que, agora órfãos, sobrevivem entre touceiras de barba-de-bode.

Centenário

Cem anos e 160 dias. Imponência natural que só quem olha de baixo não consegue enxergar.

Pastelaria

O já tradicional fedor da pastelaria aqui embaixo agora tem barulhentas companhias: um ônibus, duas carretas e um trenzinho que azucrinam pela Avenida Brasil.

Trilha sonora

Michel Legrand - The Summer Knows

 

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