OPINIÃO

HOMENS E MULHERES (4)

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Resistência em admitir diferenças naturais

           Homens e mulheres são diferentes. Todo mundo vê. Mesmo assim, as diferenças naturais entre eles nem sempre são admitidas, inclusive por gente ilustrada e culta. Recentemente um intelectual público e midiático, de profunda cultura e erudição, atribuiu à preconceitos uma diferença que viu entre homens e mulheres. Ele viu misoginia (discriminação contra as mulheres) no fato da maioria dos grandes chefes de cozinha serem homens. Lamentou existirem tão poucas mulheres nesse metiê, apesar de serem elas que mais cozinham. Adiante veremos por que isso acontece e que não se trata de preconceito.

 

Instinto materno

           Uma renomada psicanalista e autora brasileira, que escreve uma coluna para um dos principais jornais do país, faz uma crítica contundente ao conceito de “instinto materno”. Para ela, trata-se de uma construção ideológica, destinada a manter as mulheres no papel de cuidadoras, reforçando a divisão de gênero e confinando-as ao espaço doméstico. Não se trataria, portanto, uma característica natural da mulher. Basta observar o comportamento de qualquer fêmea, seja humana ou animal, para ver que a psicanalista está equivocada, que está tentando enfiar ideologia na natureza.

 Modelo Padrão das Ciências Sociais

Os dois exemplos de negação da natureza humana, citados acima, fazem parte do que Steven Pinker chamou, no livro “Tábula Rasa”, de “Modelo Padrão das Ciências Sociais” (Standard Social Science Model – SSSM), que se baseia em premissas equivocadas sobre nossa natureza biológica. Segundo esse modelo, os seres humanos nascem como uma folha em branco, sendo moldados exclusivamente pelo ambiente e pela cultura. O modelo também afirma que os humanos são naturalmente bons e que a sociedade os corrompe, e que a mente é separada do corpo, com livre-arbítrio absoluto e sem influência biológica. Essas afirmações ignoram evidências da psicologia evolutiva, da neurociência e da genética comportamental, as quais mostram que muitos aspectos do comportamento humano têm raízes biológicas e evolutivas.

 

As luzes na minha caverna

           Refutar as crenças das pessoas e apontar seus equívocos é, quase sempre, problemático. Frequentemente as pessoas sentem-se desconfortáveis e reagem até de formas agressivas. Parece conveniente indicar os livros utilizados para estudar as diferenças de comportamento que possuem os homens e as mulheres.

1. Robert Wright, O Animal Moral: porque somos como somos. Wright usa a psicologia evolucionista como chave para entender o comportamento humano — especialmente nossas decisões morais, sociais e sexuais. O livro procura evidenciar que homens e mulheres desenvolveram estratégias distintas de reprodução, o que explica diferenças em comportamento sexual, ciúmes e escolha de parceiros.

2. Steven Pinker, Como a Mente Funciona. Uma das obras mais influentes da psicologia cognitiva e da psicologia evolutiva. Nele, Pinker busca responder a uma pergunta ambiciosa: como a mente humana evoluiu e opera para resolver os desafios da vida?

3. Steven Pinker, Tábula Rasa: a negação contemporânea da natureza humana. Livro provocador que desafia ideias profundamente enraizadas nas ciências sociais e na cultura moderna sobre a mente humana. Pinker se propõe mostrar que a mente humana possui estruturas inatas, moldadas pela evolução; que ignorar a biologia leva a políticas públicas e teorias sociais equivocadas e que reconhecer a natureza humana não ameaça os valores morais, mas os fortalece.

4. Susan Pinker, O Paradoxo Sexual. Livro que deveria ser lido por todos aqueles que pretendem compreender as diferenças entre homens e mulheres. A autora procura responder ao seguinte dilema: por que, apesar de avanços feministas e maior presença feminina em cargos de liderança, os homens ainda dominam os postos mais altos e recebem salários maiores? Ela propõe que a resposta está em diferenças biológicas e comportamentais inatas entre os sexos, que influenciam escolhas, prioridades e estilos de vida.

 

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