OPINIÃO

Teclando - 10/12/2025

Tarso e o lanche com os milicos

Por
· 3 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

Tarso e o lanche com os milicos

Além de incontáveis histórias já bem conhecidas, sempre surgem entre brumas novos causos e lendas sobre Tarso de Castro. Em 1979, após o assassinato de um motoqueiro, Passo Fundo viveu o episódio “Revolta dos Motoqueiros”. O consagrado jornalista estava na cidade, arregaçou as mangas e fez o título “Tiro nas costas”, em letras garrafais na capa de O Nacional – então no formato standard. Foi um sopro de combustível na fogueira. Também agitou junto aos manifestantes em frente à Catedral.

A população estava revoltada com a Brigada e, então, o Exército entrou em cena pela segurança da cidade. Na noite após a morte do motoqueiro, esquina da General Neto com a Moron, estavam oficiais fardados e armados até com granadas. Era quase uma hora e, no silêncio da madrugada, surge Tarso caminhando pela Moron em direção aos militares. Certamente, vinha do Corujinha, bar ao lado do escritório dos amigos Pedrinho, Castanho e Leitão.

Os militares, alguns do setor de inteligência, logo identificaram o conhecido desafeto do regime militar. Tarso apresentou-se, acionou seu modo sedutor e usou as palavras mais doces que aprendeu com Dona Ada. Foi um papo agradável, uma conversa em alto nível. Se os oficiais conheciam bem a ficha do “subversivo” fundador de O Pasquim, a dúvida era se Tarso conhecia as reais funções de alguns daqueles oficiais? Mas isso também não mudaria nada.

Lá pelas 2 horas, o pessoal do Exército que estava em serviço recebeu o lanche. O fast-food militar era sanduíche com refri e produzido no rancho do quartel do 3º/1º RCM. Chegou pelo iFood interno (não era vermelho, era verde-oliva!) com entrega em Jeep Willys. Tarso não se fez de rogado, aceitou um sanduba e lanchou com os militares. E o bate-papo rolou naquela madrugada de fevereiro.

Gentilezas de parte a parte, o jornalista e os oficiais do serviço interno de inteligência do Exército conversaram bastante. Inclusive sobre o Exército Brasileiro! Diz a lenda, o diálogo foi até depois das 3 horas. Despedidas respeitosas e já pareciam velhos amigos. Então, depois de um dia atípico e excepcionalmente já bem alimentado, Tarso desceu meia quadra da General Netto para descansar no aconchego da casa dos pais.

O pacificador

Dia desses, em bate-papo com o amigo Paulinho Mendrujo, a partir da Chaminé da Brahma, colocamos em pauta o Chopp da Brahma. Conversa vai, conversa vem e falamos sobre um país dividido entre posições políticas extremas. O vaivém da prosa não se limitou aos antagonismos, praticamente intransponíveis. Voltamos ao cremoso Chopp da Brahma e concluímos que esse, sim, não causa divergências. A sua cremosidade agrada tanto a direita como a esquerda. Ora, eis a solução para unir uma pátria. Com um Chopp da Brahma na mão ninguém quer briga com ninguém. É o pacificador. Porém (não poderia faltar um), e se alguém pedir sem colarinho? Bah, aí começa outra discussão e pode acabar com a paz. E, neste caso, eu já estou do lado da turma do colarinho alto.

80 anos

Na semana passada, tive o privilégio de jantar no Bokinha e sorver alguns chopes (obviamente da Brahma) com os irmãos Carlinhos e Juliano Flores. Eles vinham de um evento no Instituto Histórico e, como sempre, carregados com muitas histórias. Os filhos do querido Gildo Flores, que está em Caxias do Sul, são como enciclopédias da radiodifusão no Rio Grande do Sul. Gildo, que comandou a Rádio Passo Fundo, depois gerenciou a Rádio Caxias. Carlinhos e Juliano não perdem datas e, assim, lembraram que em 1946 a radiodifusão chegou ao Norte do estado com a inauguração da Rádio Passo Fundo. Isso significa que no próximo ano vamos comemorar os 80 anos da radiodifusão na região. Forte abraço ao Gildo, Juliano e Carlinhos, fieis leitores de O Nacional.

Marau contra-ataca

Hoje, o prédio mais alto do Rio Grande do Sul está em Passo Fundo. É o Chardonnay (da UNA) com 40 andares e 140 metros de altura. Porém, a turma de Marau quer dar o troco. A Construtora e Incorporadora Romani, que está com um projeto em fase final de elaboração, deve lançar um empreendimento ainda mais alto. De acordo com as primeiras informações, o prédio terá mais de 49 andares. Isso significa mais de 170 metros de altura. Vai fazer sombra, no mínimo, até Sede Independência. O espigão de Marau deve ter lançamento no início de 2026.

Pastelaria

A pastelaria aqui embaixo já virou atração turística. Mas continua fedendo.

Centenário

Enquanto O Nacional atinge cem anos e 174 dias, há quem ainda persista carente de dignidade.

Trilha sonora

George Michael - Careless Whisper


Gostou? Compartilhe