OPINIÃO

QUEM TEM MEDO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL?

Por
· 2 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

Um grupo de especialistas, incluindo os chefes da OpenAI e do Google Deepmind publicaram um manifesto alertando que a inteligência artificial (IA) pode levar a humanidade à extinção. Para este grupo de especialistas, “minimizar o risco de extinção pela IA deve ser uma prioridade global, juntamente com outros riscos em escala social, como pandemias e guerra nuclear". Dentre os apoiadores, constam assinaturas de Sam Altman, executivo-chefe da OpenAI, fabricante do ChatGPT; Demis Hassabis, executivo-chefe do Google DeepMind e Dario Amodei, da Anthropic. Eles lembram que o cinema já tratou deste tema, em filmes de drama e ficção sobre o possível domínio da humanidade pelos robôs, como o filme I, Robot, de 2004. A ficção científica, dirigida por Alex Proyas, baseada no livro homônimo de Isaac Asimov, traz como personagem principal o ator Will Smith. A história ocorre em 2035 e desvenda os motivos da morte do Dr. Alfred Lanning, um funcionário da US Robotics. Will Smith, que interpreta o detetive Del Spooner, sempre desconfiou da lealdade dos robôs e depois de vários conflitos pessoais com as máquinas, encontrou no robô Sonny, um NS-4, interpretado por Alan Tuddyk, a ajuda necessária para desvendar o que estava ocorrendo. Estava em curso uma rebelião patrocinada pelos robôs NS-5, uma nova linha de robôs prestes a entrar no mercado, comandados por um robô central chamado Viki. No final, com o empenho do robô Sonny, os humanos conseguem salvar o planeta, eliminando a inteligência artificial Viki, que havia decidido que os humanos não tinham capacidade para governar o Planeta e estariam conduzindo a Terra à sua extinção. É claro que talvez ela tivesse razão, afinal, a exploração e o esgotamento dos recursos naturais em prol do desenvolvimento econômico é algo que sugere uma reflexão de todos sobre a capacidade humana de gerir o globo terrestre. Será que o ser humano precisa da IA para acabar com o Planeta?

DOMINAÇÃO TECNODIGITAL

Para o filósofo Jacques Ellul, “a era digital escamoteia um ‘blefe’ apocalíptico do qual dificilmente o homem escapará, pois integra o ser humano no mundo tecnizado na mesma medida em que o desumaniza e o submete”. Ellul não chega a falar literalmente sobre a extinção da humanidade, mas alerta para o risco de a inteligência artificial produzir nas pessoas uma convicção ou sensação de felicidade sem que exista qualquer base real para isso, o que acaba por retirar valores e sentimentos humanos, transformando as pessoas em mero sujeitos de manipulação digital. Inegavelmente, a conjectura de Ellul, lá pelos idos de 1968, apresenta pontos de contato com a atualidade. A dominação tecnodigital está interferindo diretamente na vida das pessoas e, especialmente, na ordem política, conduzindo ao banimento de liberdades de pensamento e de expressão humanas. De todo o modo, a extinção que a ficção e filósofos imaginam para o futuro não é comparável ao Big-bang, ou seja, não se estaria propondo o risco de uma explosão ou aniquilação da raça humana, mas sim a eliminação do “conteúdo humano” nas pessoas, transformando-as em objetos da técnica, reféns do mundo cibernético.

Gostou? Compartilhe