OPINIÃO

Teclando - 21/01/2026

Ficamos mais descolados

Por
· 3 min de leitura
Você prefere ouvir essa matéria?
A- A+

Ficamos mais descolados

A maneira de vestir demonstra que a humanidade caminha como na tal metamorfose ambulante cantada por Raul Seixas. À época, andávamos de sapato. O tênis era somente para a aula de educação física. Já tênis branco fazia jus ao nome, pois só era visto nas quadras de tênis.

Os pesados e apertados sapatos foram gradualmente substituídos. Lá pelos anos 1970, o sofisticado bico fino em cromo alemão perdeu pés para o mocassim. Foi um fôlego aos artelhos e o extermínio parcial de bolhas e calos. Como temos dois pés, podemos meter um no mainstream e outro no underground. Então, encontramos o equilíbrio entre estilo e bem-estar. A tecnologia dá um empurrãozinho na moda, pois o conforto também dita elegância.

Agora, impera a leveza do tênis. Macios e anatômicos, parecem luvas nos pés. Até mesmo o Dr. Dárcio Vieira Marques aderiu ao sapatênis e, em traje casual, foi visto em restaurante no Morumbi pisando com um modelo da Mr. Cat. Também demorei um pouco para trocar o sapato pelo sapatênis. Agora, acredito que há mais de dois anos não calço um sapato.

A sensação de liberdade não é exclusividade dos pés. As roupas estão cada vez mais livres, leves, soltas e descoladas. Novos materiais como os tecidos térmicos ou impermeáveis, permitem simplificar a maneira de vestir. Os panos estão mais descontraídos e práticos sem perder a elegância. Tendências e elegância andam juntas. E vestimos o que é mais confortável. Já não renovamos o guarda-roupa. Agora, atualizamos.

Queremos conforto. Elegantemente, como diz o querido Charles Martin – o Balão. Não somos rochas, mas temos algo de metamórficos. Enfim, somos maneiros. E cada vez mais descolados. Eis a prova cabal de que somos, de fato, a metamorfose ambulante do Raul.

Os búzios

Aguardadas com ansiedade anualmente, as previsões do Pai Magno são publicadas com exclusividade em O Nacional. Aliás, uma tradição há 42 anos. Na leitura dos búzios, Carlos Magno destacou para 2026 a força de Ossanha, Orixá da saúde. Além de a descoberta de novos medicamentos, das pequenas conchas revelou “uma luz para liberação de medicamentos para as doenças mais graves”. Já no primeiro mês as liberações foram muitas. Dentre elas, Anvisa aprova injeção que previne o HIV; Anvisa libera novo medicamento para fase inicial do Alzheimer; estudo demonstra que Alzheimer pode ser revertido; Rússia anuncia vacina contra o câncer; e outras. Tomara que Pai Ossanha não pare, pois ainda temos 11 meses para outras boas notícias.

Cinema

Jorge Alberto Salton é uma máquina para produzir filmes. O mais recente está em fase de edição final. Não estou autorizado a publicar o título e, muito menos, dar dicas sobre o roteiro. Mas, com leve rubor nas bochechas, digo com muito orgulho que faço uma pontinha no filme. Tive a oportunidade de contracenar com um ator profissional, Cristian “Ruivo” Cardoso, e ser dirigido pelo Jorge. Um raro privilégio. Mas, cá entre nós, o cinema brasileiro está em alta, “Ainda Estou Aqui” levou um Oscar e “O Agente Secreto” demoliu no Globo de Ouro. Então, apesar de minha modestíssima modéstia, fica uma sensação de embarcar nesse voo em ascensão do cinema nacional. Vai que rola uma zebrinha no prêmio de ator coadjuvante? Ah, o glamouroso tapete vermelho... Vermelho! Nos Estados Unidos vermelho pode, Mattevi?

Empreendedorismo

As entregas estão em alta, especialmente das comidinhas. Prova disso é o movimento intenso de motoboys ao entardecer/início de noite. Quando é tiro curto entram no circuito as bicicletas. Já temos muitos entregadores pedalando por aí com aquela famosa mochila vermelha nas costas. Agora, os entregadores sem bicicleta também entraram na parada. Pegam uma magrela do sistema de bicicletas compartilhadas e partem para o trampo. Empreendedorismo com custo zero. Um baita negócio!

Centenário

Já se passaram 216 dias do Centenário de O Nacional. Agora faltam 149 dias para os 101 anos. Então, fica a pergunta: até lá o Gato Risonho irá a quantas reuniões-almoço?

Pastelaria

O fedor da pastelaria aqui embaixo continua o mesmo. E, para piorar, no domingo também produziu barulho de obra desde a madrugada. Ataque duplo, atingindo narinas e ouvidos.

Trilha sonora

Raul Seixas – Metamorfose Ambulante


Gostou? Compartilhe