Os líderes das principais potências reuniram-se em Davos, na Suíça. Entre as suas preocupações, principalmente a dos europeus, estavam desde as questões climáticas até a Groenlândia. No discurso de Trump, por seu turno, a discussão girou em torno de um Conselho de Paz, capaz de lidar com os conflitos internacionais em curso e, até mesmo, evitar eventos futuros. Trata-se de uma proposta disruptiva. Acolhida por alguns líderes com surpresa, não acostumados a resolverem as questões internacionais de forma prática. Ao todo, Trump convidou cerca de 60 líderes, a partir de uma de suas ordens executivas, que trata especificamente dos desdobramentos do cessar-fogo em Gaza. A questão é que o sistema multilateral entrou em completa falência, em destaque as Nações Unidas, que não conseguem mais lidar com um mundo fragmentado, diferente do tabuleiro geopolítico pós-Segunda Guerra Mundial, onde ainda havia uma relativa paz de equilíbrio. A ONU não consegue mais dar as cartas, sobrando para um líder como Trump tentar impor alguma ordem no sistema internacional, pela diplomacia da força. Alguns líderes estão resistentes ao Conselho, que exigiria, inclusive, uma contribuição de 1 bilhão de dólares.
O Conselho
O mecanismo prevê a resolução de conflitos internacionais. Para alguns diplomatas [burocratas], o Conselho tiraria a finalidade da ONU, [que até hoje sequer foi atingida], sendo apenas um grande cabide de empregos, com alta burocracia e total ineficiência, ainda mais com um Conselho de Segurança onde estão a China e a Rússia. A primeira proposta do Conselho de Paz surgiu ainda em setembro do ano passado, em detrimento da propositura de cessar-fogo entre Israel e Gaza. Depois disso, Trump viu uma janela de oportunidade para expandi-lo. Mediante o pagamento aludido, os membros teriam assento permanente por três anos. Trump atuaria como o Presidente do Conselho. Além dele, figuram como membros Marco Rúbio, o enviado especial Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e Jared Kushner, como membros fundadores da iniciativa. Em seu estatuto, Trump teria amplos poderes executivos, como representante da maior superpotência militar do planeta. Até o fechamento desta coluna, cerca de 35 países já haviam aceitado integrar o Conselho, como: Israel, Arábia Saudita, Egito, Turquia, Hungria, Paraguai e outros.
Lula
Trump também estendeu o convite ao presidente Lula, que está, logicamente, muito desconfortável com a situação. A natureza da política externa de Lula é a de se aliar a ditaduras pelo mundo, na plataforma dos BRICS. Trump acaba dando um xeque-mate em Lula. Se ficar de fora, fica isolado, inclusive com países latino-americanos aderindo. Se entrar, submete-se à proposta de Trump, enquanto tenta lidar com as suas ditaduras amigas. Os dois caminhos são difíceis para o governo, mas é um resumo claro de onde a política externa brasileira foi colocada: no ostracismo, no caos, na burocracia e nas narrativas antiamericanas infantis. Em um de seus últimos atos de desespero, Lula escreveu uma carta ao New York Times, onde defende o direito internacional contra a extradição do ditador Maduro. Mas não teve o mesmo empenho para condenar a Rússia; logo, a esquerda usa o direito internacional como arma narrativa. Nunca na história a nossa política externa e diplomacia foram tão humilhadas.


