Paulo Domingos da Silva Monteiro ou, simplesmente, Paulo Monteiro, como é conhecido nas hostes locais, representa o protótipo do intelectual autodidata, cuja erudição, mais do que nos bancos escolares, foi forjada pela leitura dos cânones da literatura universal. Cultura e humildade são indissociáveis em Paulo Monteiro. A sua contribuição, tanto para a historiografia quanto para a promoção da literatura local, é imensurável. Pode ser encontrada em livros que escreveu, em artigos esparsos que assinou em jornais, revistas e, em tempos recentes, nas redes sociais, além das mais de 500 entrevistas semanais que conduziu, com escritores e agentes culturais, como apresentador do programa Literatura Local.
Na história e na literatura de Passo Fundo, Paulo Monteiro, metaforicamente, se definiu como “um abridor de picadas”. Uma analogia aos bravos desbravadores que, como sói acontecer, antes das imponentes rodovias surgirem pavimentadas, são eles que abrem as trilhas usando facões. E, nessa tarefa, não raro, sofrem ferimentos causados por espinhos ou, até mesmo, mordidas de serpentes venenosas. Talvez, pelo seu pioneirismo, a falta de acesso a algumas fontes primárias ou pelo não domínio pleno do ferramental metodológico da pesquisa historiográfica acadêmica, em alguns temas que tratou, ele até tenha se equivocado, mas foram erros menores, que, somente graças a ele ter levantado as questões, inclusive, puderam, posteriormente, ser corrigidos.
Ora acometido por grave enfermidade, Paulo Monteiro vive um longo período de silêncio literário. Abriu exceção e quebrou esse quase silêncio obsequioso para responder a uma entrevista exclusiva para a revista ÁGUA DA FONTE, com perguntas e respostas escritas. Esses silêncios literários já aconteceram antes na vida de Paulo Monteiro. E assim como os anteriores passaram, esse também passará. Nas breves notas que seguem, a partir da aludida entrevista, vamos intentar dar a conhecer um pouco do ser humano, do escritor, do jornalista, do historiador, do acadêmico e do intelectual público e seu pensamento.
Paulo Monteiro nasceu em Santo Antão, próximo à Picada do Jaboticabal, pelas mãos de dois parteiros de campanha, o avô materno, Álvaro Soares da Silva, e a avó Eulália da Rosa Soares. Ter nascido fora da cidade e conviver com o avô paterno José Mendes Monteiro, um autêntico biriva, e ouvi-lo fez
Paulo entender os homens mais simples. E, ao mesmo tempo, os mais sofisticados, desde Platão e Aristóteles até os contemporâneos. Monteiro é um homem meio urbano meio rural. Como intelectual começou aos 13 anos publicando poemas no jornal mimeografado “O Fagundes em Foco”, do Grupo Escolar Fagundes dos Reis, onde estudava. Recorda-se que era um poema sobre a criação de Passo Fundo. A primeira estrofe dizia “Passo Fundo fostes matas/ onde viviam leões/ e onde viviam os Tapes senhores destes sertões”. A professora corrigiu quanto aos índios nativos e indicou ler Passo Fundo das Missões, de Jorge Edeth Cafruni. Leu e foi aí que, juntamente, com o poema citado começou a sua paixão pela história.
Paulo Monteiro chegou à conclusão, muito cedo, que, com os livros, tinha à mão os intelectuais mais importantes, de todos os tempos, através de suas próprias palavras e dos comentadores abalizados das suas obras. Viveu um tempo terrível, quando inteligências eram decepadas. Tempos que, para se ler bons autores, era preciso comprar livros contrabandeados e mantê-los escondidos. Insiste no registro que, em uma livraria, foi queimado “A Capital”, de Eça de Queiroz, uma vez confundida com “O Capital”, de Karl Marx. Os próprios livros que lia foram indicando outros e mais outros e mais outros...
Nossos respeitos ao intelectual que considera escrever um ato tão vital quanto é respirar. Quer saber mais sobre Paulo Monteiro e o que ele pensa sobre a literatura que é produzida em Passo Fundo? Se fazemos ou não por merecer o título de Capital Nacional da Literatura? E sobre a volta das Jornadas Literárias? Então leia a entrevista completa em ÁGUA DA FONTE.
Post scriptum: Os interessados em conhecer a entrevista completa, versão original, formato perguntas e respostas, que Paulo Monteiro concedeu a ÁGUA DA FONTE, podem solicitar por e-mail ao signatário dessa coluna: [email protected].



