OPINIÃO

Teclando - 28/01/2026

Entre palavrinhas e palavrões

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Entre palavrinhas e palavrões

Nada é mais autêntico do que um palavrão. Não são tanto utilizados porque sofremos reprimendas e censuras em todas as fases da vida. Nome feio não pode! Isso significa que desde pequeninos engolimos as mais sinceras expressões. Tudo em nome dos tão bem propalados bons costumes. As palavras não podem ser chulas ou, ainda, fora dos limites do que é falado num almoço familiar.

Podem chamar isso de a educação que vem de casa. Tudo bem. E o palavrão, como é que fica? No mínimo engasgado. Abafado pelas regrinhas sociais, o palavrão é mais terapêutico do que a Aspirina. Basta dar uma martelada no dedo para comprovar sua eficácia. É importante nos desencontros amorosos, quando um único palavrão é substantivo, adjetivo e objeto-direto para dar destino ao ex-amor.

Mas, sinceramente, como é difícil falar aquilo que queremos dizer sem a sonoridade que exige a autenticidade necessária. Os costumes recatados converteram o mijo em xixi sem nenhum critério morfológico gramatical. Isso já virou rotina e transformou os eufemismos em protagonistas.

Nem chulo, nem chucro, mensuro minhas palavras aos tradicionais bons costumes, o que representa um grande estoque de palavrões represados. Isso não é justo. Se fosse palavrinha, diria muito pouco. Mas, como é no aumentativo, palavrão diz muito mais. Então, sejamos da cara do alho para usar o palavrão. Aliás, uma palavrinha sincera que soa com autenticidade e está no léxico.

Palavrão pode ter hora e local, mas é de abrangência imensurável. No trabalho, no futebol ou no trânsito cumpre seu papel. E nos lençóis? Ah, é ali que os palavrões saem da clandestinidade e atingem a materialização. É o caso do cobiçado desejo que move a humanidade e tem a capacidade de provocar guerras. Dizer que é um palavrão, considero ofensivo.

É a expressão que carrega a melhor sonoridade. E, literalmente, está na boca do povo. Coleciona apelidos, mas deve ser pronunciada pela mais autêntica nomenclatura. De boca cheia. Ora, como podem dizer que o paraíso é um palavrão? No mínimo, isso é falta de sensibilidade. Ou, de afinidade.

Fora dos trilhos

Composições, com locomotiva e dois vagões carregados com aço, circulavam normalmente por Passo Fundo até o final dos anos 1970. Cortavam a cidade pela Avenida Sete de Setembro. Agora, as composições rodoviárias atravessam a cidade pela Avenida Brasil. Os trens andavam nos trilhos, retirados do centro no início da década de 1980. Já as enormes carretas andam sobre o asfalto e em meio ao trânsito de veículos da cidade. Final de semana, vi duas enormes composições atravessando a Brasil. Um cavalinho mecânico (caminhão) puxando um bitrem carregado de boninas de aço. Isso é o mesmo que uma locomotiva puxando dois vagões com consideráveis toneladas. A diferença é que as composições de agora estão fora dos trilhos. E, pior, fora da estrada. Até quando?

Quarentinha

Regulamentação é uma palavrinha careta, com imagem burocrática. Por outro lado, significa as normas que regem nossas vidas e a convivência social. Portanto, as regulamentações também são agentes comportamentais. Constato isso numa simples caminhada pelas calçadas, canteiros ou parques. Há um aroma de liberdade no ar. Sim, soltaram as rédeas daquela “maresia” que vem do verde. Digo isso baseado na legislação que descriminaliza o porte de até 40g de maconha. Fumar um não exige mais aquela nóia de esconder o beque. Atualmente, é explícito e a cultura canábica está nas ruas. Resumo da ópera: a caretice da regulamentação virou no maior barato. Mas cuidado, o limite é quarentinha!

Voltaire

Subiu para o firmamento o amigo Voltaire Dandreaux Silva. Como bom astrólogo, aposto que escolheu uma agradável e evoluída constelação para nova morada. Parceiro das antigas, lembro quando Voltaire e Carlos Alceu montaram o Aguadero, no prédio da esquina da 15 com a Brasil. Era puro brilho, cercado por espelhos e a música exalava purpurina desde o pequeno palco. No balcão, na companhia do saudoso Ferri, apreciei as mais raras iguarias etílicas. Voltaire, mais do que astrólogo e numerólogo, foi um sujeito com inteligência privilegiada, papo agradável e falava sobre as estrelas. Agora, conversa com elas.

Centenário

Parece que foi ontem, mas já se passaram 223 dias do Centenário de O Nacional. Matemática simples, faltam 142 dias para os 101 anos. Espero que sem “infiltrações”.

Pastelaria

Barulho de reforma na pastelaria aqui embaixo. Otimista, espero que seja para instalação do necessário sistemas de tratamento de efluentes gasosos.

Trilha sonora

Ren Woods - Aquarius


 

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